segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Sabia que... (Quinta de Leiria)


Sabia que…

… a família paterna de Columbano Pinto Ribeiro de Castro Portugal da Silveira, Morgados de Nossa Senhora da Vela e também Fidalgos da Casa Real desde 1741, ostentavam mesmo um brasão à entrada de uma das suas propriedades? A busca pelo brasão dos Pinto Ribeiro de Castro ocupou-nos algum tempo, pois na documentação, ainda que se revelasse a existência deste brasão, descrito na Carta de Brasão de Armas que Manuel Pinto Ribeiro de Castro tirou em 1741, não o achamos nas moradas que esta família ocupou durante a sua existência.
Como se sabe, a família paterna de Columbano, era natural do Porto, tendo seu tetravô, Belchior Ribeiro, sido mercador e morador na Rua da Fonte Taurina, na mesma cidade. A partir de seu filho, Manuel Ribeiro da Silva, a Rua das Flores passa a ser a morada da família Pinto Ribeiro de Castro, até chegar em Columbano Pinto Ribeiro de Castro Portugal da Silveira. Tendo emigrado para o Brasil, Columbano regressou e em 1835 casou com D. Efigénia Amália de Moura Torres, tendo ocupado até à data da sua morte, em 1877, a Casa das Mouras, na freguesia de Rio de Moinhos, concelho de Penafiel.
Quinta de Leiria, sita na Rua de Leiria na freguesia de Alpendorada e Matos - Marco de Canaveses
Nesta casa rural, não se achou nenhum vestígio de um brasão. Procurou-se no prédio que deveriam ter ocupado na Rua das Flores, morada do seu avô Manuel Pinto Ribeiro de Castro, não se tendo sucesso. Foi-se achar então, através da leitura de emprazamentos e arrematações num dos tombos do Morgado de Nossa Senhora da Vela, que Manuel Pinto Ribeiro de Castro fez de sua residência, durante muitos anos, a Quinta de Leiria, situada na freguesia de Alpendorada e Matos, atual concelho de Marco de Canaveses. Descobriu-se ainda, que esta quinta ainda existe atualmente e que se encontra abandonada e em estado de degradação. E no portão de entrada, acha-se… o brasão dos Pinto Ribeiro e Castro!
Brasão de Armas presenta na parte superior do portão de entrada da Quinta de Leiria
Relembrando a descrição deste brasão, era, segundo a documentação, esquartelado, tendo no primeiro quartel as armas dos Guerra, “que são em campo de prata os sinco escudetes do reino com a diferença que os dous da manga hão de estar deitados com as pontas para o do meio em cada hum nove vezantes de prata…”; no segundo quartel estavam presentes as armas dos Pinto, também em campo de prata com “cinco crescentes sanquinos em sautor”; o terceiro quartel era composto pelas armas dos Ribeiro, com escudo liso em campo de ouro e três faixas verdes; e por fim o quarto quartel continha as armas dos Castro, “em campo de prata, seis aruelas azuis em duas palas”.
Carta de Arrematação da Quinta de Leiria em 1729 - PT/AMPNF/CMOU/MV/013/0061

Foi esta quinta adquirida por Manuel Pinto Ribeiro Libório, no ano de 1729, através de uma arrematação no valor de quatro mil cruzados e cento e vinte mil réis. Mas só se tornou brasonada a partir de 1741, com a entrada de seu filho, Manuel Pinto Ribeiro de Castro, na nobreza. Entre este ano e até cerca de 1783, data da morte deste último, a família comprou diversas terras envolventes à Quinta de Leiria, nomeadamente nos lugares de Santa Sabina e da Caxorela, sitos na mesma freguesia de Alpendorada. Em 1772, é feita uma avaliação a esta mesma quinta, no valor de seiscentos e noventa mil réis, com todos os seus bens de raiz, incluindo pomares, olivais, tapados e leirinhas.
Casa nobre da Quinta de Leiria
Tendo o século XVIII sido o período áureo da presença dos Pinto Ribeiro de Castro na Quinta de Leiria, em 1820 os seus bens chegam a ser arrematados por Manuel Pinto Monteiro, ação que ficou sem efeito por este se encontrar falido, movendo-lhe um auto de embargo Francisco Megre Bastier, procurador de Columbano Pinto Ribeiro de Castro Portugal da Silveira, à data menor de idade. Tendo herdado a quinta vinculada ao Morgado de Nossa Senhora da Vela, não temos porém, registo de que esta casa nobre fosse muito utilizada como morada por parte de Columbano, tendo passado a sua vida desde que casou em 1835, até à data da sua morte, a 24 de Novembro de 1877, a residir na Casa das Mouras em Rio de Moinhos, ou nas casas que detinha na cidade do Porto, na Rua das Flores e na Rua do Bomjardim.
Detalhes da entrada da casa nobre da Quinta de Leiria
Em 1867, Columbano Pinto Ribeiro de Castro Portugal da Silveira dá a Quinta de Leiria ao seu filho mais velho, também Columbano, aquando do seu casamento com D. Ana Adelaide Guedes Nobre Mourão, para que este ficasse com a administração do rendimento da quinta, ficando seus pais com o direito de cortar e vender esta. Quando Columbano morre em 1877, cabe em testamento e inventário, toda a Quinta de Leiria a este primogénito, ficando a viúva D. Efigénia Amália Torres de Castro, com o seu usufruto.

Não se sabe mais sobre esta quinta, tendo provavelmente ficado na posse do filho varonil de Columbano até à data da sua morte, em 1891, no Porto. Atualmente, encontra-se em avançado estado de degradação, delimitada por muros e cercas, não deixando porém de ostentar a beleza que a marcava.
Elaborado por Vilma Cardoso
(Fonte: PT/AMPNF/CMOU – Arquivo da Casa das Mouras. Disponível online: http://geadopac.cm-penafiel.pt/ )










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