sexta-feira, 24 de março de 2017

Amigos do Arquivo de Penafiel
A realização de missas enquanto
“o mundo fosse mundo”
A realização de sufrágios perpétuos, impostos em legados e/ou solicitados em testamentos na Idade Moderna, permitiam a perpetuação da memória do instituidor por toda a eternidade, bem como, se tornava numa garantia de salvação de sua alma do fogo torturante do purgatório.
A realização intermitente de sufrágios tornou-se um hábito que todos os homens que tivessem alguns bens pretendiam assegurar para descanso de suas consciências.
Entre 1628 e 1900, 82% dos contratos feitos com a Santa Casa de Penafiel eram de missas perpétuas. A partir de meados do século XIX, a necessidade de sufrágios e ternos foi desaparecendo. As missas tornam-se mais importantes nos dias imediatos ao falecimento e a população começa a entender que existia um prazo para salvar as almas, além de que a quantidade de missas que haviam ficado por rezar, na maior parte dos altares portugueses, desde meados da centúria de setecentos, bem como, o uso indiscriminado de breves de redução e de comutação de legados usados pelas confrarias e irmandades, demonstraram a inviabilidade dos sufrágios perpétuos.
 
Cf. Fernandes, Sofia – “Aliciar as almas e os corpos através da transmissão de bens para a Misericórdia de Penafiel: legados pios, contratos entre vivos e doações”, in Araújo, Maria Marta Lobo de – A intemporalidade da Misericórdia – As Santas Casas portuguesas: espaços e tempos. Braga: Santa Casa da Misericórdia de Braga, 2016. P. 14-15.

 Imagem: Quadro da Santa Casa da Misericórdia de Penafiel
 

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