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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

No Arquivo com... (Dra. Cecília Gomes)

No Arquivo com... Cecília Gomes

José de Azevedo e Sousa foi o fundador do Morgado de Paço de Sousa, atual Casa da Companhia. Para além deste facto, foi um exemplo vivo da ascensão da burguesia, no século XVIII. No próximo dia 18 de outubro, gostaríamos de contar com a sua presença, para lhe dar a conhecer um pouco da história deste homem e da sua família.






terça-feira, 9 de setembro de 2014

Sabia que...(Descendência José de Azevedo e Sousa)

Sabia que…

...pela documentação já descrita, sabemos que José de Azevedo e Sousa, fundador do Morgado de Paço de Sousa, casou-se duas vezes, mas que a relação com os seus filhos foi no mínimo instável e tudo devido a dinheiro?
Do primeiro casamento com Mariana de Jesus, teve somente dois filhos, José de Azevedo de quem nada sabemos, supondo que morreu ainda em criança e, Francisco Maria de Azevedo, que exerceu o cargo de Tesoureiro-mor da Sé do Porto. No testamento, José de Azevedo e Sousa deixa bem claro o dinheiro que este filho lhe devia, assim como se pôde comprovar nos inventários realizados posteriormente.
O segundo casamento foi com Mariana de Jesus Rocha e tiveram 5 filhos: Dona Sebastiana Máxima de Azevedo e Sousa, Dona Maria Clementina de Azevedo e Sousa, Dona Ana Benedita de Azevedo e Sousa, Dona Isabel de Azevedo e Sousa e José Joaquim de Azevedo e Sousa. 


A relação de José de Azevedo com os seus filhos não foi semelhante por todos, denotou-se uma clara preferência por Dona Sebastiana, deixando-a com um bom casamento e bens. Esta casou-se com Pedro Leite Pereira de Mello, um fidalgo da corte e com este casamento garantiu o Morgado de Paço de Sousa, pois através do Vinculo que José de Azevedo e Sousa fez, garantiu que depois dele e sua esposa Maria de Jesus, seria a sua filha, com o esposo Fidalgo, a ocupar-lhe o lugar, ficando os outros filhos, que não tinham um casamento nobre, de fora.
Quanto às outras filhas, José de Azevedo já não conseguiu arranjar-lhes esposos Fidalgos, por isso casaram com burgueses tal como era o pai. Dona Maria Clementina casou-se, contra a vontade do pai, com Cristóvão Guerner, que era deputado e autor do livro “Discurso analítico sobre o estabelecimento da Companhia Geral da Agricultura e das Vinhas do Alto Douro”, levando a que o pai a deserda-se. Já Dona Ana Benedita casou-se duas vezes, primeiro com José Teixeira Gavião Pessoa e fez segundo matrimónio com António Teixeira Vasconcelos de Queirós. Esta só poderia ter acesso à herança de seu pai se regulasse as dívidas que tinha do primeiro casamento.
Da sua filha Dona Isabel poucas informações obtêm-se, já que esta faleceu jovem e ainda solteira. Já José Joaquim Azevedo era considerado “demente” pela família e assim referido na documentação. O próprio pai pediu que este fosse interdito no tribunal, pela sua “demência”, para não cuidar dos negócios.
Vai ser no entanto na morte de José de Azevedo que se vai tentar resolver este problema familiar, pela mão de Mariana de Jesus Rocha. Esta aquando da morte de José de Azevedo, e apesar de se encontrar separada dele, quis à hora de sua morte tomar conta dele, sendo impedida pela sua filha, Dona Sebastiana e seu genro Pedro Leite, pois, segundo eles, esta não se encontrava em condições, por estar cega e surda, uma situação que deverá ter sido momentânea, tendo em conta as ações de Dona Mariana. Nesta altura, a família deveria estar completamente dividida e com o intuito de pôr fim a estas quezílias, Dona Mariana de Jesus, abdicou do seu papel enquanto cabeça de casal, assim como da sua terça parte na herança, desde que, a sua filha Dona Maria Clementina fosse inserida nas partilhas, e o seu filho José Joaquim de Azevedo fosse judicialmente representado, devido à sua condição. E foi esta a vontade que foi feita e não a de José de Azevedo e Sousa.

Sabia que...(Ascendência José de Azevedo e Sousa)

Sabia que…

Pela documentação já descrita sabemos que José de Azevedo e Sousa, um Tanoeiro, fundou o Morgado de Paço de Sousa. E que a sua genealogia e da sua família é bastante mais interessante do que parece? Ora vejamos…
José de Azevedo nasceu a 21 de Março de 1723, em Santa Marinha, Vila Nova de Gaia, e era filho de Cristóvão de Azevedo, tanoeiro, e natural de Souselo, Lamego, e de Inês Maria de Sousa, de Santa Marinha, Vila Nova de Gaia. Esta era a sua segunda esposa, tendo contraído matrimónio a primeira vez com Clara Correia, filha de Baltazar Pinto e de Maria Correia, dos quais não sabemos a origem. Os pais de Cristóvão de Azevedo também eram naturais de Souselo, Lamego, sendo seu pai, Manuel Gonçalves de Azevedo e sua mãe, Susana de Azevedo. Quanto aos pais de Inês Maria de Sousa, Domingos e Sebastiana de Sousa, tal como a sua filha, também eram naturais de Santa Marinha, Vila Nova de Gaia. José de Azevedo e Sousa era o filho mais novo deste casal, e tinha duas irmãs mais velhas Isabel e Ana de Azevedo. 


Imagem: Cruzeiro e Casa da Companhia, em Paço de Sousa - (Foto Antony)
Tal como o seu pai, Cristóvão, também José de Azevedo e Sousa casou-se duas vezes, curiosamente, com duas mulheres com o mesmo nome e com possíveis ligações de parentesco. Ora vejamos. Casou-se a primeira vez com Mariana de Jesus, natural de Santa Marinha, filha de Manuel Gonçalves, também de Santa Marinha e de Teresa de Jesus, de S. Mamede de Valongo. O seu segundo matrimónio foi com Mariana de Jesus Rocha, também de Santa Marinha, filha de Bartolomeu da Rocha de S. Paio de Oleiros e de Helena de Jesus, também de S. Mamede Valongo. Como se pode verificar as mães das Marianas além de terem o mesmo sobrenome, Jesus, também são da mesma localidade, S. Mamede de Valongo, logo existe uma grande probabilidade e ainda a considerar de um grau de parentesco entre ambas.
Do primeiro matrimónio, José de Azevedo e Sousa teve dois filhos, José de Azevedo, do qual só temos a data de nascimento e nunca é referido na documentação, o que nos leva a supor que possa ter morrido ainda em criança. Teve ainda Francisco Maria de Azevedo que foi Tesoureiro-Mor da Sé do Porto.
Dois anos após o nascimento deste nasce Dona Ana Beneditina de Azevedo e Sousa, primeira filha do segundo casamento. Esta casou-se duas vezes, primeiro, com José Teixeira Gavião Pessoa e depois com António Teixeira Vasconcelos Queirós. O segundo filho, deste casamento, é considerado pela família “demente”, José Joaquim de Azevedo e Sousa, e a própria documentação o prova. Seguidamente nasce Dona Sebastiana de Azevedo e Sousa, a filha que recebe o Morgado de Paço de Sousa, tornando-se a Primeira Senhora deste, juntamente com o seu marido, o fidalgo Pedro Leite Pereira de Mello. É deste casamento que segue a descendência que irá originar a família desta Casa. Temos ainda Dona Maria Clementina de Azevedo e Sousa que se irá casar, contra a vontade de seu pai, com Cristóvão Guerner, também este membro da Companhia dos Vinhos Alto Douro. Temos por fim Dona Isabel de Azevedo e Sousa de quem não temos muitas informações, sabendo apenas que faleceu solteira.
Como se pode verificar José de Azevedo e Sousa teve uma vida familiar, um tanto ou nada agitada, e ainda faltam contar uma série de pormenores acerca deste ilustre senhor, que faleceu a 3 de dezembro de 1788.

Sabia que... (Declaração de Vínculo)

Sabia que…

...no século XVIII, a Casa da Companhia de Paço de Sousa, teve na sua história um importante homem com um passado como tanoeiro? Falámos de José de Azevedo e Sousa fundador do Morgado de Paço de Sousa, e um exemplo real da ascensão que a burguesia portuguesa teve no século XVIII. Este começou a sua vida como tanoeiro, negócio que era já de seu pai, Cristóvão de Azevedo, mas soube investir e fazer parcerias comerciais certas ao logo da sua vida. Assim, no ano de 1772, compra em praça pública, a Quinta de Paço de Sousa, um
bem que anteriormente pertencia aos Padres Jesuítas, entretanto extintos.



Em 1778 fez, com a sua segunda esposa Mariana de Jesus Rocha (a sua segunda Mariana de Jesus), um Vinculo de Morgado de Paço de Sousa para a sua filha Dona Sebastiana de Azevedo e Sousa. Foi com o casamento desta filha que conseguiu nobilitar a família, casando-a com o fidalgo da casa real, Pedro Leite Pereira de Mello. Nobilitar a família era dos últimos passos da ascenção desta burguesia e José de Azevedo e Sousa conseguiu, assim, tornar-se acionista das Companhias do Alto Douro e também da de Pernambuco e Paraíba e conseguiu o hábito de mestre na Ordem de Cristo. 

No entanto nem tudo foi assim tão fácil... esta ascensão ficou por dramas e conflitos familiares, que daremos a conhecer mais à frente, pois esta é só uma minúscula informação que o nosso Arquivo Municipal tem sobre a vida em ascensão deste homem, por isso continuem desse lado que outras informações serão postadas