quinta-feira, 16 de novembro de 2017

 
           Sabia Que…..?
Foto de Amigos do Arquivo de Penafiel.
               No antigo Regime era hábito, se as pessoas conseguissem amealhar algum pecúlio, deixar ficar montantes significativos a igrejas, conventos, confrarias e misericórdias para a realização de missas “enquanto o mundo fosse mundo”. Estas permitiam a perpetuação da memória do instituidor por toda a eternidade, e tornavam-se na garantia da salvação da sua alma do fogo torturante do purgatório. A realização intermitente de sufrágios tornou-se um hábito que todos os homens, que tivessem alguns bens, pretendiam assegurar para descanso das suas consciências. A partir de meados do século XIX, a necessidade de sufrágios eternos foi desaparecendo. As missas tornaram-se mais importantes nos dias imediatos ao falecimento e a população começou a entender que existia um prazo para salvar as almas, além de que a quantidade de missas que havia ficado por rezar, na maior parte dos altares portugueses, desde meados do século XVIII, bem como o uso indiscriminado de breves de redução e de comutação de legados usados pelas confrarias e irmandades, demonstraram a inviabilidade dos sufrágios perpétuos.
              Cf. Fernandes, Paula Sofia Costa – “Aliviar as almas e os corpos através da transmissão de bens para a Misericórdia de Penafiel: Legados pios, contratos entre vivos e doações”. In Araújo, Maria Marta Lobo de (coord.) – A Intemporalidade da Misericórdia. As Santas Casas Portuguesas: espaços e tempos. Braga: Santa Casa da Misericórdia de Braga, 2016, p. 33-34.
 

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