segunda-feira, 11 de maio de 2020

Quinta da Bela Pastora 
Freguesia de Avintes
Concelho de Vila Nova de Gaia
             Em 27 de junho de 1798, o Marquês de Lavradio emprazou a Quinta da Bela Pastora, em Avintes, com todas as suas casas térreas , aidos, terras lavradias, ramadas, pomares, oliveiras, matos e pinhais, a Joana Margarida, filha de Agostinho José Coelho de Almeida.
Para poder fazer nesta várias bem feitorias, a dita senhora contraiu um empréstimo de 400 mil réis, à razão de juros de 5% à Confraria do Senhor de Matosinhos, em 2 de julho de 1799. Empréstimo este que deveria ser liquidado no prazo máximo de 5 anos. Para o efeito hipotecou a dita propriedade e deu como fiadores, a saber: António José Soares e José Alves Fortes, ambos moradores na cidade do Porto, na rua das Flores.
Não tendo pai e filha conseguido pagar a dívida e já com vários juros em atraso, a dita confraria moveu-lhes uma ação judicial. Nesta foram chamados os fiadores para pagarem a dita dívida à confraria, mas estes solicitaram autorização para penhorarem pai e filha e com a dita Quinta da Bela Pastora poderem pagar dessa forma o montante em falta.
A penhora da Quinta da Bela Pastora foi autorizada e em 1 de junho de 1807 a mesma foi penhorada e levada à praça tendo sido arrematada por Pedro Van Zeller e sua esposa Dona Maria Isabel Van Zeller pela quantia de 700 mil réis. A Confraria do Senhor de Matosinhos foi ressarcida, as custas de tribunal foram deste modo pagas e em 6 de fevereiro de 1814, D. Maria Isabel Van Zeller, já viúva toma posse da mesma através do seu procurador o Padre José Pinto de Almeida, ficando a partir desta data esta propriedade na posse da família Van Zeller.
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segunda-feira, 27 de abril de 2020

          Sabia que...
                       No dia 28 de outubro de 1814, a Excelentíssima Senhora Dona Bernarda Benedita de Lacerda dá entrada como recolhida no Mosteiro de Arouca?

             Sabia que....
                             Em 27 de junho de 1815, o Procurador da Administração da Casa do Paraíso e sua anexa Casa do Fofo, sita na freguesia de São Martinho de Recesinhos, do Couto de Vila Boa de Quires, apresentou queixa contra António Vieira e sua mulher, Manuel Machado e sua mulher e Custódio Pinto e sua mulher, todos dos Lugar de Covinhas da mesma freguesia, por estes "...sem direito nem licença usurpão a dita agoa", da presa que é pertença da Casa do Fofo.
"...e assim fiquem a saber quem nela mais bulir nos dias que são próprios da Quinta..., sob pena de terem de pagar duzentos cruzados para o acusador e despesas da Relação e sessenta dias de cadeia e cinco anos de degredo para a Angola por cada huma vez que qualquer dos suplicados o fizerem e perturbarem a dita Casa no uzo da refferida agoa."



A febre amarela em outubro de 1819 e a suspensão das feiras.
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     Em 4 de outubro de 1819 a Junta de saúde noticiou a existência de febre amarela em Cadiz e Sevilha. O corregedor de comarca ordenou ao médico de Penafiel António de Almeida que comunicasse à referida Junta qual era o estado de saúde em Penafiel e se já haviam registado casos desta doença.
Não sabemos, contudo, qual foi a resposta dada pelo mesmo.
No entanto, a 4 de novembro desse ano, a feira de São Martinho foi cancelada. O povo da localidade ficou revoltado com esta medida e culpou o médico do cancelamento da feira, não acatando bem as ordens municipais. A população acusava o dito médico de ter avisado a Junta de Saúde da existência desta feira e que a ela acorriam muitas "gentes de Espanha".
Desta forma, os comerciantes e os penafidelenses desobedeceram às ordens impostas e no dia 10 realizou-se a feira como de costume e após a intervenção da polícia, no dia 11 o povo juntou-se no lugar do Beco com as bestas e aí realizou a feira do gado. No dia 12, mais uma vez, intervieram as justiças e os comerciantes e o povo deslocaram-se "para lá da ponte de Santiago, já no concelho de Lousada e aí, no dia 13 e 15 fizeram a feira das bestas".
         Cf. BPP, Maço 1980.
A imagem pode conter: texto que diz "Pessoa infectada pelo virus Haemagogus Aedes aegypti Virus da febre amarela Primatas"

Quinta de Santo Inácio de Fiães, em São Pedro de Avintes 
Vila Nova de Gaia

A imagem pode conter: nuvem, céu, casa e ar livre
        
 Segundo o prazo e apegação, feito em 1788, pelo Marquês de Lavradio a Pedro Van Zeller, a Quinta era nessa altura composta por:
- Terras do Monte;
- Uma pedreira antiga;
- Terras das Boucas ou Quintela;
- Pinhal do Padrão;
- Montados;
- Portarias;
- Casas dos Caseiros de fora;
- Terras Baldias;
- Mina de água ao nascente da Quinta e mais outras minas de água;
- Quinhão da Pesqueira;
- Uma casa nova sobradada e telhada com sua varanda sobre o Rio Douro e fica "mista a huã lingoeta de pedra que he a serventia só desta Quinta e Prazo";

O referido documento descreve, ainda, a casa e capela da seguinte forma:
"Pateo quadrado com seu Portico e na frente deste formosa casa sobradada com dez janelas para o sul e poente com uma escadaria de pedra de 2 lances e a sul deste Pateo hum formozo Tanque com 3 bicas de agoa, ao Norte do mesmo huã corrente de casas solhadas e telhadas para commodo de famílias, e ao Poente do mesmo suas cavallariças, e casas de lacayos, ao sul das sobreditas casas tem huã boã capella com sua porta principal para o mesmo Sul. Tem ao Norte do mesmo pateo huã corrente pela parte de trás das casas de familias, que fazem face ao mesmo pateo, huã corrente de casas terreas, e telhadas com seu famoso Quinteiro, cortes de gados, casas de avigoarias, e Eira onde se arrumão os caseiros da lavoura da dita Quinta. Tem mais dentro desta medição hum bom jardim com seu Repucho d'água e ao nascente desta huã orta ajardinada com várias arvores fructiferas. Tem mais dentro desta medição varias terras lavradias, Pomares de espinho, e de fructos, devezas de arcos, matos e pinhaes..."
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           Estimados utentes e amigos, apesar de estarmos encerrados ao público, estamos a trabalhar para conseguirmos colocar o máximo de documentos online. Desta forma, brevemente teremos a série das décimas disponíveis, bem como o fundo da Casa do Fôfo, os documentos relativos à Quinta de Santo Inácio em Avintes pertencentes ao Morgado da Aveleda e vários documentos do Fundo Comercial Foto Antony.
Aproveitem este período de recolhimento para conhecerem um pouco da história do nosso concelho, para se dedicarem à história da vossa família, fazendo a vossa árvore genealógica, entre outras possíveis pesquisas.
Boas Pesquisas
Gripe espanhola ou pneumónica (Parte III)
               O apoio de civis ao Estado durante a gripe espanhola ou pneumónica:
Durante a segunda vaga desta doença, já referida em postagens anteriores, o Estado entendeu que não conseguia resolver todos os problemas e carências. Desta forma, Ricardo Jorge apelou à formação de Comissões de Socorros locais que ajudassem as autoridades sanitárias.
Salienta-se, assim, a ação da Cruz Vermelha em todo o País. Esta montou ou ajudou a montar vários hospitais provisórios, nomeadamente em Amarante, Vila Meã e Candemil, participou em missões sanitárias, instalou postos de socorros, providenciou médicos, enfermeiros, maqueiros e cedeu automóveis.
Em Lisboa, os escuteiros deram também apoio hospitalar. Nas cozinhas económicas, distribuíram-se aos convalescentes e aos mais necessitados esmolas e senhas.
Muitos médicos, por todo o país, se juntaram, quer prestando apoio médico, quer mesmo económico. Por exemplo, em Carcavelos, Alberto Amado, com o apoio de famílias ilustres, formou uma brigada sanitária para tratar os doentes de Cascais, tendo visitado uma média de 100 doentes por dia. O mesmo fez Pires de Lima na zona de Famalicão, aí, de 1 a 25 de outubro, terá tratado cerca de 505 doentes.
No Minho, criaram-se várias casas de isolamento a cargo das Misericórdias, com o apoio da Direção Geral de Saúde e de vários filantropos locais, como por exemplo, em Caminha.
Em vários concelhos foram adiados exames e atrasado o regresso às aulas como medidas preventivas. Em muitas igrejas cessou o culto religioso e, um pouco por todo o lado, eram queimados ramos de pinho, alecrim e eucalipto com o intuito de “purificar a atmosfera”, as ruas e casas eram lavadas. Suspenderam-se as ligações entre Portugal e Espanha.

Por todo o território português verificou-se, na altura, que o pessoal clínico era manifestamente insuficiente para acudir a todas as necessidades. À falta de profissionais de saúde, somou-se a falta de medicamentos e a escassez de vários produtos, como por exemplo, açúcar para os chás que se consideravam fundamentais na terapêutica da época e a falta de mostarda, utilizada na composição das mezinhas e substâncias medicamentosas com o que acudiam a estes doentes.
Várias escolas foram convertidas em hospitais, essencialmente em Lisboa, como por exemplo, o Liceu Camões e, em Alhandra, a respetiva escola.
Em outubro de 1918, a Direção Geral de Saúde impôs um conjunto de medidas profiláticas. No entanto, foram insuficientes.
Estas medidas foram as seguintes:
- Obrigatoriedade dos médicos comunicarem à Direção Geral de Saúde todos os casos diagnosticados;
- Criação de hospitais improvisados (um deles foi o Convento das Trinas, em Lisboa;
- Abastecimento das farmácias com remédios indispensáveis para o tratamento da doença;
- Controlo das migrações;
- Divisão dos concelhos em áreas médico-farmacêuticas;
- Mobilização dos médicos, incluindo os reformados;
- Sensibilização das populações para a formação das “Comissões de socorro”.

Contudo, a falta de médicos foi notória e gravíssima, muitas farmácias fecharam por falta de funcionários, tendo-se verificado várias mortes entre estes profissionais.
Tal como referiu Alexandra Esteves, “Por todo o país, romperam-se quotidianos, suspenderam-se mesteres, fecharam-se padarias, mercearias e outros serviços que garantiam o abastecimento das populações. A morte banalizou-se, os corpos amontoavam-se nas morgues, os enterros sucediam-se, o toque a finados parecia não ter fim. Até este também parou, pelo menos em algumas localidades, por decisão das autoridades, pois não se conseguia cumprir aquilo que Moisés Espírito Santo definiu sendo uma das funções do sino: a de fechar o tempo que cabe a cada um.”
Sobretudo em Lisboa, com o avolumar do número de mortos, tornou-se imperioso enterrar muitos em valas comuns, no cemitério dos Prazeres para as vítimas falecidas no Hospital das Trinas, no cemitério de Benfica para os mortos no Hospital do Rego.

             Cf: Esteves, Alexandra – “O impacto da Pneumónica em alguns concelhos do Minho”; Sobral, José Manuel; Lima, Maria Luísa – “A epidemia da pneumónica em Portugal…; Garnel, Maria Rita Lino – “Morte e Memória da Pneumónica…”.

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