domingo, 12 de abril de 2020


               Sabia que...
            No dia 2 de fevereiro de 1816, segundo o médico António de Almeida, perto da uma hora da noite, verificou-se "hum grande tremor de terra vertical, que duraria dois minutos com grande abalo e estrondo, mas não fez prejuízo algum ...Pelas seis horas seguintes da manhã houve repetição mas leve."

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Nossa Senhora da Lapa
 na Igreja da Santa Casa da Misericórdia
         
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         António de Almeida, médico e Presidente da Câmara Municipal de Penafiel, nos inícios do século XIX, nas suas memórias particulares da localidade, dava conta que "em 8 de setembro de 1821 houve durante a noite fogo da Senhora da Lapa, tal como era costume antigo, mas que havia sido interrompido há mais de 12 anos".
No ano seguinte, a 7 de setembro de 1822, "houve fogo e iluminação à mesma Senhora"

Falta de chuva em Penafiel em abril de 1817
        O tempo seco nesta região nos primeiros meses do ano de 1817 levou a população a solicitar a intervenção divina.
Assim, a partir do dia 15 de abril a Ordem de Nossa Sr.ª do Carmo iniciou preces rogativas a Deus na sua Igreja solicitando chuva.
No dia 17 a Igreja da Misericórdia juntou-se às preces rogativas e levam para o seu templo as imagens do Sr. dos Passos, do Sr. do Hospital e da Sr.ª das Dores para que se iniciasse as preces nesta igreja com o apoio destas imagens.
Estas preces por chuva continuaram assim, também na Igreja da Misericórdia durante todo o mês de abril, por conta dos devotos.
António de Almeida no seu diário comentou que a partir do dia 24 desse mês começou a "chover mansamente".
No dia 26 as ditas imagens que haviam sido levadas para a Misericórdia regressaram à capela do Hospital pela noite.
          Cf. BPP, Ms. 1980.
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quinta-feira, 26 de março de 2020

Carta Régia de elevação de Penafiel a cidade e sede de Bispado
        A 3 de março de 1770, o rei D. José I, concedeu à vila de Arrifana de Sousa alvará régio pelo qual a elevou à categoria de cidade. O monarca querendo desmembrar o bispado do Porto, escolheu esta localidade, centro de uma das quatro comarcas eclesiásticas que o compunham, para nova sede episcopal e, como consequência, a mesma subiu à dignidade de cidade com o nome do julgado, Penafiel.
Penafiel teria agora um novo termo mais alargado que o anterior, aproximando-se do que é hoje em dia o concelho de Penafiel. Este passava a compreender todas as terras da coroa no julgado de Penafiel, a honra de Barbosa, a beetria de Galegos, os coutos de Entre-os-Rios e de Meinedo e a vila de Melres. O poder régio pretendia que a sede do novo bispado tivesse a mesma dignidade que as demais do reino.
A sé catedral passaria a ser a igreja da misericórdia e a denominar-se Sé Catedral de Nossa Senhora e São José, devendo o bispo da mesma, frei Inácio de São Caetano, tomar posse dela com cadeiral. A misericórdia não tardou a preparar a igreja para o efeito, fazendo várias obras e comprando a paramentaria necessária, bem como, alfaias litúrgicas que dignificassem as funções que agora detinha.
A cidade não tomou logo posse das terras que o monarca lhe havia concedido, o que levou a vários problemas. Desta feita, conseguiu conquistar os coutos de Bustelo e Paço de Sousa, que não estavam previstos na carta régia, mas perdeu Melres e Entre-os-Rios que fizeram uma tenaz oposição. O termo era muito vasto, contando, segundo António de Almeida, cerca de vinte e uma mil trezentos e vinte e quatro almas. Tinha por limites os rios Sousa, Tâmega e Douro.
Penafiel passou a ser sede da comarca com o mesmo nome, que agregava os concelhos de Unhão, Santa Cruz de Riba Tâmega, Gouveia e Gestaçô, a honra de Vila Caiz e as vilas de Canaveses e Tuías, que pertenciam à comarca de Guimarães. Desta forma, o Porto não foi muito lesado, pois apenas perdeu o concelho de Penafiel. Por sua vez, o mesmo não aconteceu com a área do bispado. O território eclesiástico deste abrangia cento e duas freguesias, outrora pertencentes ao bispado do Porto. A área do mesmo vinha como explicita Teresa Soeiro, até às portas do Porto, perdendo este, inclusive Campanhã. Teresa Soeiro fala em cento e duas freguesias, António de Almeida em cento e três, que incluíam quarenta e seis abadias, dezasseis reitorias, oito vigairarias, trinta e dois curatos e um tesourado. Por sua vez, Vila Boa de Quires, muito perto de Penafiel, ou as freguesias do vale inferior do Tâmega continuaram ligadas ao Porto, ao passo que Campanhã, Rio Tinto, Valbom ficaram para a nova diocese.
Uma vez definida a catedral, havia que se escolher o paço episcopal, recaindo este numa casa na rua Direita, agora rua do Paço, já na parte em que esta desembocava no largo das Chãs. A parte alta da cidade via-se, nessa altura, ainda mais enobrecida, com sé e paço do bispo, o que levou a um surto de obras por parte do município, no sentido de engrandecer a cidade, tornando-a digna de receber um bispo. Apesar de frei Inácio de São Caetano nunca ter vindo à localidade em janeiro de 1772, o provisor e vigário geral, Félix Martins de Araújo, tomou posse do mesmo em nome do bispo de Penafiel, na igreja da misericórdia. Em 1778, o bispado de Penafiel foi abolido e novamente incorporado no do Porto. Acabava, assim, o bispado, que teve um brevíssimo tempo de vida.
A criação da diocese de Penafiel inscreveu-se no mesmo quadro da criação das de Aveiro, Beja, Bragança, Castelo-Branco e Pinhel, contudo, foi a que teve a duração mais curta. Para tal contribuiu a força do Porto, o facto do bispo eleito ser confessor de D. Maria I, a nomeação para bispo da invicta, frei João Rafael de Mendonça, a morte de D. José I e o sucessivo reinado da sua filha. Estas novas dioceses, tal como afirmou Manuel Clemente, inscreviam-se no reforço do estado sobre a Igreja. O marquês de Pombal pretendia, assim, que estas estivessem mais ligadas ao poder régio do que ao controlo da cúria romana.
Penafiel perdeu o bispado, mas continuou a ser cidade e sede de comarca.
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Grandes trovoadas em Penafiel em 1818 e seus estragos
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         No dia 8 de junho de 1818, fez-se sentir em Penafiel uma trovoada forte, tendo caído um raio em Cimo de Vila, num carvalho próximo da casa da secretaria do Batalhão.
No dia 9, a trovoada regressou, tendo caído um raio na capela dos Passos, em Cimo de Vila, arruinando parte das paredes da mesma. Por sua vez, no Calvário, um raio caiu num carvalho e daí passou para uma casa térrea. Outro caiu no pedestal da Cruz do frontespício da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, quebrando-lhe um pedaço, fez estragos no telhado, quebrou os vidros da fresta e saltou para o olival, destruindo a folhagem.
Mais dois raios caíram, um num carvalho da Alamela e outro num carvalho na Aveleda.

         Cf: Ms 1980 - Biblioteca Pública do Porto

Mosteiro de Bustelo
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          Segundo o médico António de Almeida, no dia 4 de julho de 1820, o abade de Bustelo deslocou-se à cidade de Penafiel a queixar-se ao Corregedor que o povo havia insultado toda a comunidade conventual no dia 2 de julho.
O abade referiu que foram insultados de ladrões e amancebados tentando o povo arrombar as portas do mosteiro.
Segundo o mesmo abade tudo se deveu ao facto dos padres terem colocado fora da igreja "um impostor que dizia havia de lançar certas almas do seu corpo para fora. O povo saiu atrás do impostor e os frades fecharam as portas da Igreja, o que levou a tumultos".
O corregedor mandou proceder a devassas.
           f. BPP. Ms 1980.
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Feira na Praça das Chãs no Domingo 
do 
Espírito Santo
           Era usual haver feira na Praça das Chãs nos Domingos do Espírito Santo. Contudo, em 25 de maio de 1817, António de Almeida relatou nos seus diários que esta feira vinha há anos a enfraquecer. Deu mesmo o exemplo que, nesse ano, nem sequer apareceu nenhum ourives e somente vieram 1 ou 2 chapeleiros.
Segundo o médico, a enorme chuvada da véspera e a chuva no próprio dia não ajudaram e, como tal, a feira esteve, nesse ano, ainda mais fraca.

             Cf: Ms 1980 - Biblioteca Pública do Porto