quinta-feira, 26 de março de 2020

Carta Régia de elevação de Penafiel a cidade e sede de Bispado
        A 3 de março de 1770, o rei D. José I, concedeu à vila de Arrifana de Sousa alvará régio pelo qual a elevou à categoria de cidade. O monarca querendo desmembrar o bispado do Porto, escolheu esta localidade, centro de uma das quatro comarcas eclesiásticas que o compunham, para nova sede episcopal e, como consequência, a mesma subiu à dignidade de cidade com o nome do julgado, Penafiel.
Penafiel teria agora um novo termo mais alargado que o anterior, aproximando-se do que é hoje em dia o concelho de Penafiel. Este passava a compreender todas as terras da coroa no julgado de Penafiel, a honra de Barbosa, a beetria de Galegos, os coutos de Entre-os-Rios e de Meinedo e a vila de Melres. O poder régio pretendia que a sede do novo bispado tivesse a mesma dignidade que as demais do reino.
A sé catedral passaria a ser a igreja da misericórdia e a denominar-se Sé Catedral de Nossa Senhora e São José, devendo o bispo da mesma, frei Inácio de São Caetano, tomar posse dela com cadeiral. A misericórdia não tardou a preparar a igreja para o efeito, fazendo várias obras e comprando a paramentaria necessária, bem como, alfaias litúrgicas que dignificassem as funções que agora detinha.
A cidade não tomou logo posse das terras que o monarca lhe havia concedido, o que levou a vários problemas. Desta feita, conseguiu conquistar os coutos de Bustelo e Paço de Sousa, que não estavam previstos na carta régia, mas perdeu Melres e Entre-os-Rios que fizeram uma tenaz oposição. O termo era muito vasto, contando, segundo António de Almeida, cerca de vinte e uma mil trezentos e vinte e quatro almas. Tinha por limites os rios Sousa, Tâmega e Douro.
Penafiel passou a ser sede da comarca com o mesmo nome, que agregava os concelhos de Unhão, Santa Cruz de Riba Tâmega, Gouveia e Gestaçô, a honra de Vila Caiz e as vilas de Canaveses e Tuías, que pertenciam à comarca de Guimarães. Desta forma, o Porto não foi muito lesado, pois apenas perdeu o concelho de Penafiel. Por sua vez, o mesmo não aconteceu com a área do bispado. O território eclesiástico deste abrangia cento e duas freguesias, outrora pertencentes ao bispado do Porto. A área do mesmo vinha como explicita Teresa Soeiro, até às portas do Porto, perdendo este, inclusive Campanhã. Teresa Soeiro fala em cento e duas freguesias, António de Almeida em cento e três, que incluíam quarenta e seis abadias, dezasseis reitorias, oito vigairarias, trinta e dois curatos e um tesourado. Por sua vez, Vila Boa de Quires, muito perto de Penafiel, ou as freguesias do vale inferior do Tâmega continuaram ligadas ao Porto, ao passo que Campanhã, Rio Tinto, Valbom ficaram para a nova diocese.
Uma vez definida a catedral, havia que se escolher o paço episcopal, recaindo este numa casa na rua Direita, agora rua do Paço, já na parte em que esta desembocava no largo das Chãs. A parte alta da cidade via-se, nessa altura, ainda mais enobrecida, com sé e paço do bispo, o que levou a um surto de obras por parte do município, no sentido de engrandecer a cidade, tornando-a digna de receber um bispo. Apesar de frei Inácio de São Caetano nunca ter vindo à localidade em janeiro de 1772, o provisor e vigário geral, Félix Martins de Araújo, tomou posse do mesmo em nome do bispo de Penafiel, na igreja da misericórdia. Em 1778, o bispado de Penafiel foi abolido e novamente incorporado no do Porto. Acabava, assim, o bispado, que teve um brevíssimo tempo de vida.
A criação da diocese de Penafiel inscreveu-se no mesmo quadro da criação das de Aveiro, Beja, Bragança, Castelo-Branco e Pinhel, contudo, foi a que teve a duração mais curta. Para tal contribuiu a força do Porto, o facto do bispo eleito ser confessor de D. Maria I, a nomeação para bispo da invicta, frei João Rafael de Mendonça, a morte de D. José I e o sucessivo reinado da sua filha. Estas novas dioceses, tal como afirmou Manuel Clemente, inscreviam-se no reforço do estado sobre a Igreja. O marquês de Pombal pretendia, assim, que estas estivessem mais ligadas ao poder régio do que ao controlo da cúria romana.
Penafiel perdeu o bispado, mas continuou a ser cidade e sede de comarca.
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Grandes trovoadas em Penafiel em 1818 e seus estragos
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         No dia 8 de junho de 1818, fez-se sentir em Penafiel uma trovoada forte, tendo caído um raio em Cimo de Vila, num carvalho próximo da casa da secretaria do Batalhão.
No dia 9, a trovoada regressou, tendo caído um raio na capela dos Passos, em Cimo de Vila, arruinando parte das paredes da mesma. Por sua vez, no Calvário, um raio caiu num carvalho e daí passou para uma casa térrea. Outro caiu no pedestal da Cruz do frontespício da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, quebrando-lhe um pedaço, fez estragos no telhado, quebrou os vidros da fresta e saltou para o olival, destruindo a folhagem.
Mais dois raios caíram, um num carvalho da Alamela e outro num carvalho na Aveleda.

         Cf: Ms 1980 - Biblioteca Pública do Porto

Mosteiro de Bustelo
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          Segundo o médico António de Almeida, no dia 4 de julho de 1820, o abade de Bustelo deslocou-se à cidade de Penafiel a queixar-se ao Corregedor que o povo havia insultado toda a comunidade conventual no dia 2 de julho.
O abade referiu que foram insultados de ladrões e amancebados tentando o povo arrombar as portas do mosteiro.
Segundo o mesmo abade tudo se deveu ao facto dos padres terem colocado fora da igreja "um impostor que dizia havia de lançar certas almas do seu corpo para fora. O povo saiu atrás do impostor e os frades fecharam as portas da Igreja, o que levou a tumultos".
O corregedor mandou proceder a devassas.
           f. BPP. Ms 1980.
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Feira na Praça das Chãs no Domingo 
do 
Espírito Santo
           Era usual haver feira na Praça das Chãs nos Domingos do Espírito Santo. Contudo, em 25 de maio de 1817, António de Almeida relatou nos seus diários que esta feira vinha há anos a enfraquecer. Deu mesmo o exemplo que, nesse ano, nem sequer apareceu nenhum ourives e somente vieram 1 ou 2 chapeleiros.
Segundo o médico, a enorme chuvada da véspera e a chuva no próprio dia não ajudaram e, como tal, a feira esteve, nesse ano, ainda mais fraca.

             Cf: Ms 1980 - Biblioteca Pública do Porto
A "amazia" do Ajudante do Batalhão de Caçadores n.º 6 estacionado em Penafiel
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      Os conflitos entre os soldados e oficiais do Batalhão de Caçadores n.º 6 e os Penafidelenses eram constantes. Envolviam as altas patentes do Batalhão e os magistrados da cidade (Corregedor e Juiz de Fora). António de Almeida, nas suas "Memórias de Penafiel" para os anos de 1816-1817, dá-nos conta ao pormenor das mesmas.
Assim, atentemos no relato feito por este médico, no seu diário, para o dia 26 de agosto de 1817:

"Dia 26 - Manda o Corregedor por hum officio do Tenente Coronel prender a Barroza P...(*) do Ajudante do Batalhão Barnabé, a qual vindo presa se recolhe para dentro da guarda do Hospital, e a sentinella recusa entregala, ou tomar conta della enquanto os officiais dão parte ao Corregedor. Sahe ella no entanto acompanhada por hum soldado e vai para casa do amante, e quando os officiais voltão lhe diz o camarada do Ajudante que ella ficava em casa de seu amo, e elle dizia que fossem lá por ella.
Dá parte disto mesmo, o Corregedor ao Comandante o qual manda logo render a guarda do Hospital, e ficou toda presa na Cadea, e manda hua escolta dar busca a casa do Ajudante para se prender a amazia a qual fugio pelo telhado a tempo, mas o Ajudante ficou preso."

        (*) Embora no texto a palavra se encontre explicita, optamos por colocar desta forma.
        Cf: Ms 1980. Biblioteca Pública do Porto, fl.11.

Festejos em Penafiel pela aclamação 
de D. João VI, em abril de 1817
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             No dia 6 de abril de 1817, em Penafiel, festejou-se a aclamação de D. João VI e a sua subida ao trono na Corte do Rio de Janeiro.
Assim, cantou-se na igreja da Misericórdia por ordem da Câmara "Te Deum Laudamus". Houve sermão e procissão com exposição do Sacramento e à noite iluminação em ação de graças.

             Cf: Ms. 1980 - Biblioteca Pública do Porto

O luto pelo falecimento da Rainha 
Dona Maria I
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           Foi decretado luto geral de um ano, sendo durante os primeiros seis meses mais rigoroso, pela morte de Dona Maria I, em março. Contudo, Penafiel só teve conhecimento em julho.
Assim, em julho, por três dias, tocaram-se todos os sinos da cidade.
No dia 27 de julho, pela 5 horas da tarde, o Corregedor, o Juiz de Fora e o Senado, vestidos de luto pesado e chapéus grandes na cabeça desabados, saíram para a cerimónia de Quebrar os escudos. Foram acompanhados pelos almotacés, meirinhos, escrivães e alcaides.
A primeira cerimónia foi feita na Praça da Ajuda, pelo Vereador Manuel Francisco Leal da Veiga. A segunda, na Praça das Freiras, pelo Vereador Zeferino José Pereira do Lago e a terceira, na Praça das Chãs, pelo Vereador João Monteiro de Vasconcelos.
Ia com estandarte a cavalo o Vereador mais velho, António da Cunha.
Em cada praça se armou tabulado para a cerimónia, que foi acompanhada por três companhias do Batalhão com a sua música.

             Cf: Ms 1980 - Biblioteca Pública do Porto