terça-feira, 8 de agosto de 2017

Demolição da Igreja do Corporal
em Paço de Sousa

          A Igreja de Santa Maria do Corporal é demolida, depois de uma gloriosa existência de cerca de 650 anos. Membros da família dos fundadores e outros nobres tiveram aí a sua jazida, e os nomes gravados em lápides comemorativas.
Frei Martinho Golias manda trasladar os restos mortais de Egas Moniz e de seus filhos para a abside central da igreja monástica.
Construção da sacristia e do claustro do mosteiro. A sacristia exibe um belo... teto com motivos de gosto oriental. Das imagens destaca-se a de Nossa Senhora do Ó (séc.XIV) e de Nossa Senhora das Flores, ambas em calcário. O retábulo da visão de Santa Lutgarda data de 1731. O claustro, de arcaria toscana, tem no meio uma interessante taça.
Efetuam-se outras obras: capitulo, refeitório (cujo lavabo tem a data de 1619), dormitório e porta brasonada (1647) da Quinta de Franco (hoje na cerca do mosteiro de Singeverga).
 Cf. MENDES, Manuel – Sumário de Datas de Paço de Sousa. Paço de Sousa: Colecções e Edições Gamuz, 1998, p.26.


Dona Maria Teresa José Jesus de Mello

      Nasceu em Lisboa a 8 de novembro de 1794, filha de José António de Melo da Silva César de Meneses e de Dona Leonor Maria José de São Paio Mello e Castro.
Casou em Alcântara, em 7 de fevereiro de 1813 com Dom Manuel Maria Gonçalves Zarco da Câmara. Ficou viúva com quatro filhos menores a cargo, sem ter, ainda, recebido remuneração pelos serviços prestados ao rei como Governador da Índia, tendo Dona Maria Teresa solicitado ajuda ao Rei em m...aio de 1827 para regressar a Portugal.
Casou pela segunda vez com Simão Infante Lacerda Sousa Tavares, 2.º Barão de Sabrosa, e 88.º governador da Índia, faleceu em Goa em 1838.
Faleceu a 9 de agosto de 1845, com 50 anos de idade, deixando três filhas de menor idade: D. Leonor da Câmara, D. Francisca da Câmara e D. Joana da Câmara, sendo sepultada no cemitério dos Prazeres em Lisboa.

        Cf. ARQUIVO MUNICIPAL DE PENAFIEL – Inventário do acervo documental do Morgado da Aveleda. Penafiel: Câmara Municipal de Penafiel, 2011, p.986.
          Imagem pertencente ao espólio do Morgado da
Aveleda, cota PT/SACQA/MA /C/O/D/bfl. 01.

sábado, 5 de agosto de 2017

                  Sabia que…
            Em acta de reunião, da Junta de Paróquia de Rio de Moinhos, de 21 de dezembro de 1924 informou-se que a Comissão de habitantes da freguesia resolveu construir no Largo da Feira, dois coretos de pedra permanentes onde as bandas de música pudessem tocar e oferecê-los à Junta, mas como o terreno do Largo da Feira pertence à Câmara Municipal desejavam que a Junta obtivesse da mesma a respectiva licença.
    Cf.: FERNANDES, Paula Sofia, et al – Junta de Freguesia de Rio de Moinhos – Inventário do Acervo Documental. Penafiel: Câmara Municipal de Penafiel, 2002, p. 45.


Quem foram os beneméritos da Misericórdia 
de Penafiel entre 1600 e 1900?

     A maior parte era do sexo masculino. Tal deve-se a vários fatores, por um lado, estes eram os administradores dos bens do casal, por outro lado, muitos destes homens eram solteiros, não deixando filhos legítimos, amealharam bens consideráveis, muitas vezes, na América, onde deixaram filhos naturais de suas escravas, vivendo muitas dificuldades, querendo ser lembrados na sua terra de origem por toda a ete...rnidade.
As mulheres, geralmente, confiavam nos seus maridos ou filhos para zelarem pelas suas almas, após a sua morte.
Dos homens que instituíram legados na Misericórdia de Penafiel, 22% deles eram homens da igreja. Os restantes dividiam-se por comerciantes, mercadores, membros do exército, essencialmente, capitães-mor, licenciados, proprietários rurais e mestres de ofícios.
No que respeita à naturalidade destes indivíduos, verificamos que cerca de metade dos mesmos eram de localidades que hoje em dia correspondem ao concelho de Penafiel, essencialmente, da cidade.
No entanto, a Misericórdia de Penafiel possuía um poder de atração de legados que extravasava esta área, estendendo-se por Paredes, Lousada, Marco de Canaveses, Felgueiras e até mesmo do Porto.

     Cf. Fernandes, Sofia – “Aliciar as almas e os corpos através da transmissão de bens para a Misericórdia de Penafiel: legados pios, contratos entre vivos e doações”, in Araújo, Maria Marta Lobo de – A intemporalidade da Misericórdia – As Santas Casas portuguesas: espaços e tempos. Braga: Santa Casa da Misericórdia de Braga, 2016. P. 26-27.

Projeto das latrinas e depósito de estrumes 
do quartel militar n.º 4
     Projeto das latrinas e depósito de estrumes do quartel militar n.º 4, com a medição de obras, orçamentos e desenho das peças. 1906
Documento do fundo documental da quinta da Aveleda.
    Imagem pertencente ao espólio do Morgado da Aveleda, cota PT/SACQA/MA/C/R/proc.01/cd.06.

Dona Maria Filomena de Lacerda 
Castelo Branco

          Filha de João Maria de Figueiredo Lacerda Castelo Branco, 2.º Barão de Beduido e de Dona Maria Francisca de Faria e Lacerda.
Aos 13 anos já se encontrava órfã de pai e mãe, ficando aos cuidados de sua tia paterna, tal como havia deliberado em testamento seu pai.
Casou com apenas 17 anos com Manuel Pedro Guedes, tinha ele 24 anos....
Tinha três irmãos: João José de Figueiredo de Lacerda Castelo Branco, que faleceu muito jovem, deixando-a como sua herdeira, Dona Isabel Maria Lacerda de Castelo Branco e Dona Maria da Piedade Lacerda Castelo Branco.
Casaram a 26 de dezembro de 1861, pelas 2 horas da tarde, na igreja matriz de Lordelo do Ouro, no Porto.
Faleceu com 18 anos, em 8 de novembro de 1862, pelas 5 horas da tarde, na freguesia da Sé do Porto.

        Cf. ARQUIVO MUNICIPAL DE PENAFIEL – Inventário do acervo documental do Morgado da Aveleda. Penafiel: Câmara Municipal de Penafiel, 2011, p.1804.
          Imagem pertencente ao espólio do Morgado da Aveleda, cota PT/SACQA/MA /C/S/cd.02.

O hospital da misericórdia de Penafiel

          O hospital da misericórdia de Penafiel é anterior à própria Santa Casa, tendo esta nascido na sua capela. Tratava-se de uma pequena albergaria anexa à capela. Desta forma, desde os seus primórdios, a irmandade teve a função de acudir aos doentes que ingressassem no seu hospital e aos pobres do rol que adoecessem, enviando alimentos e remédios.
Os doentes da localidade eram assistidos nos seus domicílios, dentro do apoio e recolhimento fa...miliar. Na Europa, na Idade Média e Idade Moderna, a vasta maioria das pessoas nunca deve ter entrado num hospital, por qualquer razão médica. O nascimento e morte tinham lugar em casa, assim como todos os outros cuidados médicos, incluindo a cirurgia. Os tratamentos médicos podiam ser aplicados em casa, beneficiando os enfermos dos cuidados familiares.
Para o hospital seguiam os “doentes passageiros”, ou seja, os doentes pobres de passagem pela localidade, que não tinham familiares que os acolhessem, ou seja, os viandantes que adoeciam ao passarem por Penafiel, os mendigos, ou aqueles que não possuíam qualquer suporte familiar. O hospital era utilizado para tratamento só em casos de extrema necessidade, não possuía condições para albergar mais de uma dezena de enfermos de uma vez, pelo menos, até finais do século XVIII.

         Cf. FERNANDES, Paula Sofia Costa – O hospital e a botica da Misericórdia de Penafiel (1600-1850). 
         Penafiel: Santa Casa da Misericórdia de Penafiel, 2016, p.94-95.