segunda-feira, 31 de julho de 2017

         Sabia que…
                  O séc. XX, com todas as alterações políticas existentes, separação dos bens do Estado e da Igreja, levaram a um esvaziar dos fundos das Misericórdias, das quais Penafiel também se ressentiu. Assim, com a diminuição dos testamentos que beneficiavam a Misericórdia de Penafiel, outras formas de caridade se fizeram sentir, agora essencialmente pela mão das mulheres, tão excluídas ao longo dos séculos da vida desta Irmandade Penafidelense, organizando cortejos, quermesses, donativos quer para o hospital, como para os lares.
       Cf.: ARQUIVO MUNICIPAL DE PENAFIEL – Santa Casa da Misericórdia de Penafiel – Inventário do Acervo Documental. Penafiel: Câmara Municipal de Penafiel, 2009, p.25. 
            Disponível online em: http://www.cm-penafiel.pt/…/inventarios-e-documentacao-publ….


          Sabia que…
                    Na ata da reunião, da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos, de 15 de setembro de 1958, a Junta pede, à Câmara Municipal, para construir um depósito de águas que abastecesse Cans, durante o Verão, em virtude da água corredia ser insuficiente.

          Cf.: FERNANDES, Paula Sofia, et al – Junta de Freguesia de Rio de Moinhos – Inventário do Acervo Documental. Penafiel: Câmara Municipal de Penafiel, 2002, p. 15.


 Bento de Meireles Freire

                    Bento de Meireles Freire foi o 3.º filho de Ana Moreira e de Gonçalo Barbosa Coelho e irmão de Gonçalo Barbosa de Meireles Freire.
Ordenou-se sacerdote, foi abade da igreja de S. Miguel de Beire e deixou todos os seus bens móveis e de raiz à Casa da Aveleda.
Bento de Meireles Freire foi provedor da Santa Casa da Misericórdia de Penafiel, tal como o seu tio-avô Amaro Moreira....
Fez legado à Santa Casa, tendo falecido em 3 de agosto de 1707, contrato pelo qual deixou escrito que dispunha seus bens em sufrágios pela sua alma e vários legados a várias pessoas, entre os quais Gonçalo de Meireles.
Bento era padrinho de Gonçalo de Meireles Guedes, filho de sua sobrinha Mariana de Meireles, ao qual deixou o serrado da Agrela. Deixou, ainda, a Quinta de Vau, em Paço de Sousa e outras terras.
            Cf: ARQUIVO MUNICIPAL DE PENAFIEL – Inventário do acervo documental do Morgado da Aveleda. Penafiel: Câmara Municipal de Penafiel, 2011, p. 824.
Imagem:
          - Igreja de S. Miguel de Beire, retirada do blog http://gdsluiz2007.blogspot.pt/



terça-feira, 11 de julho de 2017

Confraria do Santíssimo Sacramento
Foto de Amigos do Arquivo de Penafiel.             Surge na matriz de Penafiel, no século XVI, na capela do Espírito Santo.
O desconhecimento do seu arquivo, importantíssimo para a história desta localidade, não nos permite grandes conclusões.
Contudo, através de um livro da confraria, existente no Arquivo Municipal, e dos estudos de Coriolano de Freitas Beça, conseguimos apontar a sua fundação para meados da centúria de quinhentos, coincidindo com a transferência de paróquia para esta igreja.
Assim, segundo o livro “Breve instrução para os administradores da Confraria do santíssimo Sacramento da Cidade de Penafiel”, esta teria sido instituída na década de quarenta, da centúria de quinhentos, logo a seguir à primeira instituição da Confraria do Santíssimo Sacramento, em Roma, em 1539. Nos “apontamentos históricos de Penafiel”, existente no Arquivo Municipal, também se refere a fundação desta confraria em 1540.
Em 1610 teriam sido reformados os seus estatutos. Era administrada por doze homens eleitos, que tinham vigência vitalícia sobre a mesma, devendo ser escolhidos “entre os principais da terra”. Só à morte de cada um deles é que se procedia à eleição do seu substituto. Para tal, o juiz convocava a mesa para se provir à escola do individuo que iria ocupar o lugar vago. Para esse fim, o dito juiz nomeava três pessoas das “principais da confraria” e realizava-se a eleição. Ficaria no lugar, aquele que tivesse mais votos, sendo estes feitos por favas brancas e pretas. No caso de haver empate, ao juiz caberia o escrutínio entre os candidatos empatados.
Apesar do livro da confraria, hoje depositado no Arquivo Municipal de Penafiel, nos apontar a sua criação ainda na igreja do Espírito Santo, na década de 40, do século XVI e, portanto, anterior à transferência de paróquia, o livro do registo de irmandades e confrarias do concelho, datado de 1864, coloca-a como tendo sido instituída em 1610, sendo os seus estatutos aprovados em novembro de 1611.
A importância dos cartórios destas confrarias é enorme para o estudo da morte, da religiosidade e da história da própria cidade de Penafiel. Assim, se alguém tiver conhecimento do arquivo da dita confraria, por favor, ajude-nos a salvar a memória da cidade.



         Cf. Fernandes, Paula Sofia Costa – O hospital e a botica da misericórdia de Penafiel (1600-1850). Penafiel: Santa Casa da Misericórdia de Penafiel, 2016, p. 34-35.
   Imagens do livro da Confraria do Santíssimo Sacramento, cota: PT/CMPNF/AMPNF/AL/C.SS.S./LV.01.
Foto de Amigos do Arquivo de Penafiel.

Amigos do Arquivo de Penafiel
Boelhe
Foto de Amigos do Arquivo de Penafiel.
            Pinho Leal, no seu dicionário antigo e moderno, sugere que se visite Boelhe, o seu largo da arca, pela paisagem que oferece aos olhares de cada um e por possuir um monumento românico, com as melhores características do românico do Vale do Tâmega e Sousa, não pela sua grandeza física, por se tratar de uma igreja do meio rural, mas pela sua especificidade, como poderão verificar pela bela imagem que junto, simbolizando a posse efetiva das terras de Boelhe pelos cristãos aos muçulmanos e dento da qual os primeiros cristãos de Boelhe puderam balbuciar as primeiras orações dirigidas ao céu e à volta da qual os primeiros colonos produziram os cereais e o vinho.
 
 Cf. SOARES, João. Boelhe. Notícias de Penafiel, Penafiel, 5 de agosto. 2016. Edição n.º14. p.11.Foto de Amigos do Arquivo de Penafiel.
Foto de Amigos do Arquivo de Penafiel.Foto de Amigos do Arquivo de Penafiel.
Foto de Amigos do Arquivo de Penafiel.
Boelhe
          A partir de 6 de Agosto de 1853, Boelhe ficou com a área geográfica que tem atualmente, através do decreto-lei que anexou a si a freguesia ribeirinha de Passinhos, que vinha da Idade Média, ficando a ser um simples lugar desta, exatamente por ter deixado de possuir o número de cidadãos elegíveis estabelecido por lei.
Passinhos é o diminutivo de paços, sendo passinhos “habitações regalengas de gente titular ou de qualquer dignidade religiosa”, bastando “paço” ou “palácio”, ser somente um, já que a designação de paço se empregava no singular e no plural, Para se “paço” bastava ser casa, algo mais que ordinária. No ano de 1280, apareceu na chancelaria de D. Dinis, como freguesia de “São Miguel de Paços”.
 
       Cf. SOARES, João. Boelhe. Notícias de Penafiel, Penafiel, 5 de agosto. 2016.
       Edição n.º14. p.11.

 
Ilustres Eclesiásticos Penafidelenses

            Cónego António dos Santos – natural da paróquia de S. Martinho de Milhundos, Penafiel. Estudou no Seminário Maior do Porto. Ordenado Diácono em 2/8/1936, e presbítero no Mosteiro de Singeverga, em 26 de Setembro de 1937. Teve missa nova em 27 de Setembro desse ano, em Milhundos com a presença do Cónego e Vice-Reitor António Ferreira Gomes.
Iniciou o seu diário “Itinerário de um Padre”, em Milhundos, 24/7/1936. Ia ser este diário, o seu “confidente, amigo e atento, silencioso e sempre presente, que me acompanhará na longa caminha da vida”. O 2.º volume saiu em 1941, o 3.º volume em 1987 e o 4.º volume em 1989. E ainda o livro “A Memória do Tempo”, com 1.º e 2.º volume, este em 1996.
Foi professor e perfeito no Colégio de Ermesinde. Recorda em 1937, a carta que lhe enviou o seu antigo Professor da Escola Primária de S. Martinho de Milhundos, então já médico Dr. Carlos Hugo Lopes de Obastro, a felicitá-lo pela sua ordenação. Tinha 23 anos. É nomeado coadjutor na Paróquia de N.ª S.ª da Conceição, Porto, em 21/2/1938.
Em 25 de Agosto de 1938, indicado pároco de Teixeira e Teixeiró, no concelho de Baião. Aí, refere que, na sua primeira missa assistiram duas velhinhas. A residência paroquial era “na casa da família Picota, e entrava-se pela cozinha”. E, em Teixeiró, a residência era na casa do Senhor Montes. Diz: “era um reencontro com a Madre-Natureza, um regresso às origens…”, e lembra Teixeira de Pascoais, “Ó serra das divinas madrugadas”. Comprou o pequeno “garrano” do anterior pároco destas paróquias, e quase andava com os pés no chão, e sendo assim vendeu-o. Comprou um cavalo e arrendou uma casa no lugar do Hospital.
Começa a escrever a peça de teatro “Primavera”, para ser apresentada no Teatro Sá da Bandeira, a favor da construção da Igreja de N.ª S.ª da Conceição, Porto (1939).
Em 15/12/1940, inaugura o cruzeiro paroquial de Teixeira, e tem dificuldade em comprar o bacalhau para o Natal. Não tinha luz elétrica, nem telefone, nem telefonia. Recebia de Lisboa, com atraso, o jornal “Novidades”.
É convidado para uma paróquia de Vale de Cambra, não aceitou. Tinha-se afeiçoado a estas terras do “fim do mundo”. Vai escrevendo no jornal “O Penafidelense”, com o pseudónimo de António Galaaz, com vários poemas.
Seis anos depois, em 1944, é nomeado para Sobrado de Paiva e Bairros (Castelo de Paiva). Desde as suas paragens por Teixeira e Teixeiró, revelara-se com inclinação e gosto, para a Ação Católica Portuguesa, da JOC e LOC. É, então convidado para a orientação destes movimentos no Porto, nos anos 50 e 60, por D. António Ferreira Gomes. Sobre esta atividade descreveu-a nos dois volumes do seu livro “A Memória do Tempo”. Bem como a sua ligação fiel a D. António Ferreira Gomes.
Este é um resumido texto da vida sacerdotal do Cónego António dos Santos, um pouco desatento do grande público. Foi eleito, em 12 de Janeiro de 2008, membro nato do Conselho Pastoral, por D. Manuel Clemente. E, em 30 de Março de 2008, presidiu à última sua celebração, na Igreja de Santo António dos Congregados, na solenidade de N.ª S.ª das Dores.
 
       Cf. FERREIRA, José Fernando Coelho. Ilustres Eclesiásticos Penafidelenses.
       Notícias de Penafiel, Penafiel, 21 de outubro. 2016. Edição n.º23. p.8.