quinta-feira, 6 de julho de 2017

Morgado da Aveleda
          O fundo arquivístico do Morgado da Aveleda veio para o arquivo para ser tratado e digitalizado e já regressou aos seus proprietários. Encontra-se descrito arquivisticamente quer em pdf na página da Câmara Municipal de Penafiel (www.cm.penafiel.pt) quer no programa Gead juntamente com os documentos em suporte digital (http://geadopac.cm-penafiel.pt)

         A consulta deste acervo pode ser feita em qualquer parte utilizando para isso o browser Internet Explorer.




 

sábado, 1 de julho de 2017

Amigos do Arquivo de Penafiel 
A Extinção do Recolhimento
Segundo a correspondência expedida da Câmara Municipal de Penafiel, de 19 de Junho de 1860, no Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição só habitavam duas únicas seculares de avançada idade, estando o Recolhimento, devido há falta de meios, arruinado e prometendo desabar. 
A Câmara Municipal de Penafiel mostrou-se interessada no Recolhimento para poder executar várias obras, que eram:
- A continuação da Rua da Piedade debaixo do lado Poente da cerca do Recolhimento, avançando a dita rua pelo terreno da cerca;
- Alargamento do Campo do Calvário, do lado Sul, estendendo-se por terreno da referida cerca, criando-se aí uma nova praça para mercado público;
Para além disto, a Câmara Municipal de Penafiel pretendia uma casa para instalar um estabelecimento de beneficência, nomeadamente, a roda de expostos, que segundo a mesma fonte se encontrava em casas insalubres, pequenas e “falhas de todas as comodidades, o que tem dado em resultado uma mortalidade espantosa nos inúmeros expostos que a ella são trazidos (...), tendo em epochas chegado a falecer dez, doze, quinze e mais por dia, o que na verdade é uma fatalidade horrorosa...” 
Desta forma a Câmara pretende proceder à expropriação do recolhimento e as duas seculares ou ficarão no recolhimento até à sua morte, ou serão removidas para o Convento de Religiosas d´Amarante.
Segundo a Revista “O Calhambeque”, número 9, página 3” logo após o regresso de todo o Regimento, à cidade de Penafiel em doze de Janeiro de 1872, pensa-se seriamente na edificação de um novo quartel.” 
No Diário do Governo de 5 de Outubro de 1871, Sua Majestade El Rei D. Luíz, autoriza o Governo a conceder à Câmara Municipal de Penafiel o edifício e a cerca do extinto Convento das Freiras ou Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição de Arrifana de Sousa – também designado por Recolhimento da Piedade – para alargamento da feira e para que os materiais do edifício sejam empregues na construção de um quartel.
Ainda recorrendo à revista “O Calhambeque”, número 9, página 11, ficamos a saber que a Câmara iria iniciar a construção do Quartel, em 2 de Abril de 1872.
Nas actas da Câmara Municipal de Penafiel existem várias referências ao Recolhimento de Nossa Senhora de Conceição. 
Na sessão de Câmara de 7 de Abril de 1870 foi decidido “...que se representasse ao governo a pedir a concessão da cerca do Recolhimento da Conceição desta cidade para campo da feira do gado e a abertura de uma rua e o material da Casa do mesmo Recolhimento para empregar n’esses melhoramentos municipais.”
Em 1872, a Câmara Municipal e o Governador Civil foram convidados pelo Ministério do Reino a deliberarem sobre a construção do Quartel Militar na cidade de Penafiel. A dita Câmara deliberou responder: “É verdade que em tempo houve um projecto de quartel nesta cidade que foi orçado em setenta e cinco contos de reis e uma oferta da câmara concorreu com um terço d’esta quantia para a sua construção e diferentes negociações e ajustes com os ministérios de guerra – ajustes e negociações que nunca se ultimaram, nem pozeram em pratica. A questão de um quartel e um regimento nesta cidade tem sido um sonho dourado de todas as vereações de há onze anos! (…) na qual pedio a Câmara, como subvenção ou indeminização pela obra do quartel, a concessão do recolhimento e cerca, que consta do citado decreto, sendo aplicável ao quartel e recolhimento, seu material e parte da cerca e o resto desta a um campo de feira.” Ainda nesta acta há uma referência que a Câmara Municipal de Penafiel iria pedir empréstimo para a construção do quartel.
A sessão de Câmara de 11 de Outubro de 1872 diz que: “O senhorio Manuel Pedro Guedes desiste de todo e qualquer direito à consolidação dos domínios útil e directo, que por ventura tivesse na parte da cerca do Recolhimento da Conceição desta cidade, foreira ão Reguengo e desiste da acção de reivindicação que tem em juízo contra a Câmara e crea a clausula de não poder de futuro intentar outra, seja de natureza que for - recebendo como indeminização por taes desistencias as vertentes da agua ora existente na cerca, depois de usada esta agua pelo público, ou de modo que a Camara entender as vertentes das latrinas do quartel em construção e as de qualquer agua que tenha de sair do mesmo quartel; ficando para ser construido por conta e à custa d’elle, em forma regular, o encanamento para as ditas vertentes, desde a parte superior do quartel até ao sítio a que são destinadas. o dito senhorio Manuel Pedro Guedes aceita à Câmara a remissão do foro e direito dominical daquela parte da cerca, que se tornará, por isso, de natureza allodial e livre ...”.

Cf.: FERNANDES, Paula Sofia; RIBEIRO, Joana – Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição. Penafiel: Câmara Municipal de Penafiel, 2003, p. 27-28. Disponível online em:



Entrada de doentes no hospital 
da Santa Casa entre 1781-1801
            A média corresponde a uma entrada de cerca de 12 enfermos por ano, mas, na realidade, anos houve onde só entraram entre dois a quatro enfermos. Tal deve-se ao facto de os doentes serem, preferencialmente, tratados no seu domicílio.
No que respeita às flutuações de entradas ao longo dos meses destes anos, verificou-se que, raramente davam entrada no hospital doentes no mês de janeiro, fevereiro e dezembro. Ou seja, nesta localidade, os meses de mais frio não implicavam mais hospitalizações. Era entre os meses de julho e outubro que se concentrava o maior número de entradas no hospital, o que correspondia aos meses de estio e ao período que antecedia as colheitas.
O mês de agosto era, sem sombra de dúvida, aquele que levava mais indivíduos a darem entrada no hospital, numa prevalência igual para os dois sexos.
Esta situação enquadra-se no observado por vários investigadores para outros hospitais nacionais, neste período, e os motivos residem no calor, águas estagnadas, falta de higiene, dificuldades de preservação dos alimentos que levavam ao grassar das febres, e variadas epidemias. A isto somava-se o período de pré-colheitas, essencialmente, entre maio e agosto, em que a falta de alimentos, a alta de preços, originava subnutrição, fome e debilidades.

            Cf. FERNANDES, Paula Sofia Costa – O hospital e a botica da Misericórdia de Penafiel (1600-1850). Penafiel: Santa Casa da Misericórdia de Penafiel, 2016, p 108-109.

Amigos do Arquivo de Penafiel 
Bernarda da Fonseca
             Bernarda da Fonseca era casada com Lourenço Freire Pereira Coutinho. Não foi possível determinar quem foram seus pais e avós e não teve filhos. Morreu em Laurentim, termo de Penaguião, em 17 de novembro de 1674, com testamento, no qual instituiu vários legados, um deles de missa quotidiana e deixou o seu marido por universal herdeiro e testamenteiro. Deixou ainda 4 mil réis anuais a suas irmãs até casarem.
Lourenço Freire Coutinho, seu marido e herdeiro era irmão de Ana Pereira Coutinho, de Luís Pereira Coutinho, alcaide-mor de Ranhados e de José Pereira Coutinho. Estes eram filhos de Belchior Pereira de Andrade, almirante da armada real e de D.ª Leonor Coutinho, que teria nascido cerca de 1575. Belchior Pereira de Andrade, foi cavaleiro da ordem de Cristo, comendador de Roriz e senhor da casa de Penedono e era filho de Luís Pereira e de Ana Botelho. D.ª Leonor Coutinho era filha de Manuel Pinto da Fonseca, nascido por volta do ano de 1530 e de Valentina de Faria, que teria nascido cerca de 1550. Por sua vez, Manuel Pinto da Fonseca era filho de Aires Pinto da Fonseca, 4.º senhor do morgado de Balsemão, nascido por volta de 1490, filho de Luís Pinto da Fonseca, 3.º senhor do morgado de Balsemão e de Brites Cardoso de Carvalho. Aires Pinto da Fonseca era casado com D.ª Brites de Macedo.

      (Informação retirada dos documentos do sub sistema da Casa do Poço, pertencente ao espólio documental da Família Leite Pereira de Magalhães Alpendurada)



Amigos do Arquivo de Penafiel 
Procissão do Corpo de Deus
         Uma das procissões mais importantes, levada a cabo pela confraria do Santíssimo Sacramento, era a procissão do Corpo de Deus. Esta era a festa grande da cidade e do concelho, com uma existência secular. Não se sabe ao certo quando foi iniciada. António de Almeida teria colocado duas hipóteses, ou aquando da instituição da confraria do Santíssimo Sacramento, na capela do Espírito Santo, em 1540, ou na altura da mudança de paróquia de São Martinho de Moazares para a nova igreja matriz, em 1659. Por sua vez, Simão Ferreira, data-a da união das três paróquias, com a instalação do Lausperene na nova igreja. Em 1676, em capítulo de correição, já se referia que a mesma se deveria fazer segundo o costume antigo.
A procissão saía da igreja matriz, no adro da mesma encontrava-se à sua espera a Serpe com o seu juiz. Atrás, seguiam uns pretos vestidos de chocalheiros de serapilheira que tinham como função arrumar o povo para a mesma passar. Composta por vários bailes, que representavam os vários ofícios da cidade, a dança dos moleiros, dos pauzinhos, da retorta, dos ferreiros, dos turcos, do ermitão, entre outras. Para além destes, o estado de São Jorge com os seus cavalos, o carro dos Anjos com a figura de Penafiel, as cruzes das freguesias vizinhas, todas as confrarias e ordens da cidade, seguidas do clero, câmara e, por fim, o pálio com o Santíssimo Sacramento e a tropa que havia na cidade. A festa contava, ainda, com tourada.
Esta procissão demorava largos meses a preparar e competia ao senado da câmara nomear os vários representantes dos ofícios, bem como, verificar se as danças estavam conformes. A sua realização estava bem regulamentada e, como refere Teresa Soeiro, mereceu vários capítulos das correições seiscentistas.
Nela estavam representadas todas as categorias sociais da localidade, os diversos ofícios, sendo que a nobreza e os mercadores acompanhavam com as suas tochas. Momento alto da vida de Penafiel representava um papel importante, quer pela visibilidade que assumia, quer pela confraternização que proporcionava. As nomeações do senado para os portadores das varas do pálio, das navetas e das lanternas eram sempre muito aguardadas. Quanto mais prestigiante era o lugar, mais prestigiado era quem o ocupava.
O mais antigo documento sobre a mesma, ainda existente, encontra-se no arquivo municipal de Penafiel e é o tombo das festas de Corpo de Deus, de 1657.

Cf. FERNANDES, Paula Sofia Costa. Procissão do Corpo de Deus. Notícias de Penafiel, Penafiel, 31 de maio. 2016. Edição n.º7. p.7
        
  


Amigos do Arquivo de Penafiel
O Cortejo do Carneirinho
               Em Penafiel faz-se na véspera do Corpo de Deus, um cortejo único no País. As crianças do ensino pré-primário e básico, 1.º ciclo, desfilam com o seu carneirinho e outras prendas, essencialmente, compostas por cabazes de alimentos e produtos hortícolas, pelas ruas da cidade, cantando e dando vivas aos seus professores, como forma de agradecimento e reconhecimento pela dedicação de seus mestres. Todos os anos tentam inovar e as turmas "competem" entre si, para apresentarem o cortejo mais bonito.
Este cortejo terá começado nos finais do século XIX.

           Cf. FERNANDES, Paula Sofia Costa. O Cortejo do Carneirinho. Notícias de Penafiel, Penafiel, 31 de maio. 2016. Edição n.º7. p.7.
            Fotografia: FotoAntony



Amigos do Arquivo de Penafiel
Casa de Sousa
          A família dos antigos morgados da Aveleda é originária da antiga Casa de Sousa, no lugar de Moreira, freguesia de S. Miguel de Gandra, que se situava no antigo concelho de Aguiar de Sousa.
A dita casa pertencia a descendentes de Afonso Furtado, 1.º capitão-mor de mar em tempo d’El Rei D. João I.
Nobreza senhorial detentora de quintas, foros e casais por todo o Vale de Sousa e de onde saíram várias linhagens de inúmeras casas nobres da região para além da Aveleda, nomeadamente, a Casa da Ponte de Cepeda, na freguesia de S. Salvador de Castelões de Cepeda; a Casa de Redemoinhos, na freguesia de São João de Covas, entre outras.

        Cf. ARQUIVO MUNICIPAL DE PENAFIEL – Inventário do acervo documental do Morgado da Aveleda. Penafiel: Câmara Municipal de Penafiel, 2011, p.808.