Amigos do Arquivo de Penafiel
Entrada de doentes no hospital da Santa Casa
entre
1781-1801
A média corresponde a uma entrada de cerca de 12 enfermos por ano, mas, na realidade, anos houve onde
só entraram entre dois a quatro enfermos. Tal deve-se ao facto de os
doentes serem, preferencialmente, tratados no seu domicílio.
No que
respeita às flutuações de entradas ao longo dos meses destes anos,
verificou-se que, raramente davam entrada no hospital doentes no mês de
janeiro, fevereiro e dezembro. Ou seja, nesta localidade, os meses de
mais frio não implicavam mais hospitalizações. Era entre os meses de
julho e outubro que se concentrava o maior número de entradas no
hospital, o que correspondia aos meses de estio e ao período que
antecedia as colheitas.
O mês de agosto era, sem sombra de dúvida,
aquele que levava mais indivíduos a darem entrada no hospital, numa
prevalência igual para os dois sexos.
Esta situação enquadra-se no
observado por vários investigadores para outros hospitais nacionais,
neste período, e os motivos residem no calor, águas estagnadas, falta de
higiene, dificuldades de preservação dos alimentos que levavam ao
grassar das febres, e variadas epidemias. A isto somava-se o período de
pré-colheitas, essencialmente, entre maio e agosto, em que a falta de
alimentos, a alta de preços, originava subnutrição, fome e debilidades.
Cf. FERNANDES, Paula Sofia Costa – O hospital e a botica da
Misericórdia de Penafiel (1600-1850). Penafiel: Santa Casa da
Misericórdia de Penafiel, 2016, p 108-109.