segunda-feira, 19 de junho de 2017

Breve Cronologia de D. Egas Moniz
em Paço de Sousa
           [1080] – Nascimento de D. Egas Moniz. A velha moradia senhorial de D. Truitesindo Galindiz, em Paço de Sousa, pode ter sido o lugar onde nasceu. A tradição local diz ter nascido nesse paço. D. Egas Moniz teve, possivelmente, domicílio em Paço de Sousa.
«Egas Moniz benfeitor foi do mosteiro, e memória há de obras que a ele se atribuem, como foram aposentos seus que tiveram nome de Paço, um dormitório grande para os religiosos, com uma torre forte e formosa que eu ainda alcancei servindo de hospedaria», deixou dito o cronista beneditino Frei Leão de S. Tomás. E acrescenta: «Um terreiro há defronte da porta principal da igreja, um carvalho grande a antigo, e junto dele uma fonte, que tudo chamam terreiro, fonte e carvalho de Gamuz, corrompendo, e abreviando deste modo o nome Egas Moniz.»
O nome de D. Egas Moniz liga-se à torre de Egas Moniz, ao carvalho, ao terreiro, ao ribeiro, à ponte, à presa e à fonte de Gamuz.

1116, 11 de setembro – O Bispo do Porto D. Hugo cedeu o jantar anual (parada), em atenção aos irmãos Egas Moniz, Mendo Moniz e Ermígio Moniz, e às suas mulheres, Doroteia Pais, Goina Mendes e Teresa Soares, herdeiros do mosteiro de Paço de Sousa. Confirmam o Arcebispo de Braga D. Paio, três Arcediagos (Gonçalo Ermiges, Pedro Garcia e Mónio Garcia) e o monge Helias, da Sé Catedral do Porto.
1123, 27 de novembro – D. Egas Moniz e sua mulher D. Doroteia Pais doam ao mosteiro dez casais em S. Tomé de Canas, nas faldas do monte Cabreira, e um casal «in uilla Palatioli».
1130 – D. Egas Moniz doa ao mosteiro de Paço de Sousa o paço em que vive, ampliando-o por essa ocasião.
1137 – Mendo Viegas é sepultado na Igreja do Corporal. D. Egas Moniz, por alma deste seu filho, faz uma doação ao mosteiro de Paço de Sousa, «feita à face de todo o povo, que acompanhou com ele o cadáver». «Ego don Egas Moniz presente populo qui mecum uenit ad monasterium de Palaciolo sepelire filium meum Menendus Uenegas, facio testamentum ad altare de Sancto Saluator de Palaciolo pro anima sua». Bens doados: seis casais em Vila Nova, junto à igreja de Tuías; um no Outeiro, perto de S. Pedro de Canaveses; outro no Arrabalde, situado entre o rio Odres e Palatiolo, por baixo do monte Loba Mourisca.
O Aio possuía torre paçã e haveres, à volta do mosteiro de Paço de Sousa, como descendente dos fundadores e herdeiro.
1146 – Passamento de D. Egas Moniz, o Aio, conforme inscrição no seu cenotáfio. É sepultado na igreja do Corporal, segundo as regras litúrgicas para as pessoas da sua categoria: os pés a nascente e a cabeça a poente. Na tampa do sarcófago foi gravada uma legenda. A sepultura era «de pedra fina, bem lavrada».

          Cf. MENDES, Manuel – Sumário de Datas de Paço de Sousa. Paço de Sousa: Colecções e Edições Gamuz, 1998, p.53-54.

           Imagem retirada do livro “Estatuária Penafidelense”, p.37.

 
Amigos do Arquivo de Penafiel
O Hospício dos Expostos de Penafiel
            Atualmente, não existem dados concretos que nos possibilitem dizer com clareza onde estaria a Casa da Roda / Hospício de Penafiel, no entanto, esta instituição pode ter funcionado em vários lugares da cidade, em períodos diferentes da história e, embora com reservas, podemos crer que, entre o período de 1872 e 1895, este Hospício possa ter funcionado na Rua do Carmo, próxima a um local estratégico para a vida urbana, junto da Rua Direita e da Igreja Matriz.
De 1872 a 1902, o Hospício dos Expostos de Penafiel, recebeu um total de 603 crianças. Em alguns casos, estas admissões contaram com mais de uma criança, fossem casos de gémeos de progenitura desconhecida, outros de irmãos já com idades distintas, que eram entregues por um condutor, familiar ou até o próprio progenitor. Ainda que a expressão entre géneros esteja apenas separada por três pontos percentuais, notou-se uma pequena predominância do abandono de meninas, vistas como “economicamente menos valorizadas” que os rapazes.
Gozando da calada da noite e abandonadas à porta do hospício, em locais da cidade de Penafiel ou em outras freguesias, à porta de particulares, muitas vezes as únicas informações que lhe poderiam ajudar no futuro era o nome do condutor que a entregou ao hospício ou mais intimamente, os sinais que traziam consigo. Sem um fio de ligação evidente à família de origem, as crianças expostas, reuniam muitas vezes, objetos ou condições que lhes permitiriam mais tarde, ser reconhecidas e recuperadas.
 
             Cf. CARDOSO, Vilma. Os órfãos e os expostos de Penafiel (1872-1902). Notícias de Penafiel, Penafiel, 24 de junho. 2016. Edição n.º10. p.9.

 
João Pereira
irmão de Belchior Pereira de Andrade
            
              João Pereira seria irmão de Belchior Pereira de Andrade, almirante da armada real, senhor da Casa de Penedono, comendador de Roriz, cavaleiro da Ordem de Cristo. Ambos filhos do Dr. Luís Pereira Frojaz, desembargador e conselheiro da Real Fazenda, Provedor das Capelas, Juiz das Justificações do Paço, Cavaleiro da Ordem de Cristo e de Dona Ana Botelho, senhora do morgado de Penedono. Belchior Pereira de Andrade teve um irmão de nome João Pereira que casou com Dona Maria Henriques, mas não tiveram geração. O documento que possuímos foi elaborado em 1638, por um homem solteiro de nome, João Pereira que fez doação aos filhos de Dona Leonor Coutinho, o que nos leva a crer que teria sido o seu cunhado, apesar do documento ser omisso na relação de parentesco com a referida senhora, para tomarem ordens sacras.
Dona Leonor Coutinho, na altura em que o documento foi realizado encontrava-se já viúva de Belchior Pereira de Andrade e a residir em Penedono, sendo o documento elaborado em sua casa e estando, de momento João Pereira, também, a residir em Penedono.
Dona Leonor Coutinho teria nascido na segunda metade do século XVI. Era filha de Manuel Pinto da Fonseca, que teria nascido por volta de 1530 e de Dona Valentina de Faria, nascido cerca de 1550. Neta pelo lado paterno de Aires Pinto da Fonseca, 4.º senhor do morgado de Balsemão e de Dona Brites de Macedo e bisneta de Luís Pinto da Fonseca, 3.º morgado de Balsemão e de Dona Brites Cardoso de Carvalho, segundo o “Archivo Heraldico-genealógico… de 1872). Dona Leonor Coutinho teria casado na vila das Cortiças, província de Trás-os-Montes com Belchior Pereira de Andrade, senhor do prazo, lugar e padroado de Vale Verdinho.
Dona Leonor Coutinho e Belchior Pereira de Andrade tiveram, pelo menos 5 filhos: Lourenço Freire Pereira Coutinho, que teria nascido por volata de 1575; Ana Pereira Coutinho, Luís Pereira Coutinho, capitão-mor de Penedono e alcaide-mor de Ranhados; José Pereira Coutinho e Belchior Pereira Coutinho, cavaleiro de Malta, Balio de Leça e gentil-Homem da Câmara do Rei.


              (Informação retirada dos documentos do sub sistema da Casa do Poço, pertencente ao espólio documental da Família Leite Pereira de Magalhães Alpendurada)

 
Amigos do Arquivo de Penafiel
      Sabia que…
          O século XVII, na Santa Casa da Misericórdia de Penafiel, vai ser o período de engrandecimento da mesma. Inúmeros legados vão dotando a Santa Casa instituindo capelas e missas, dotando órfãs, pagando a viúvas, vestindo pobres, sendo mais relevante o Legado do Reverendo Abade Amaro Moreira que constrói a nova Igreja da Misericórdia. Mas, se o séc. XVII foi o seu século de ouro, o século XVIII vai trazer grandes problemas à Misericórdia: disputas várias entre irmãos; desvios de dinheiro; falta de pagamento de dinheiro a juros, levam o poder central, nomeadamente a Rainha D. Maria I, a mandar o Corregedor e Provedor da Comarca de Penafiel tomar contas à Santa Casa e para evitar mais desvios de dinheiro volta-se a alterar alguns capítulos do Compromisso.

            Cf.: ARQUIVO MUNICIPAL DE PENAFIEL – Santa Casa da Misericórdia de Penafiel – Inventário do Acervo Documental. Penafiel: Câmara Municipal de Penafiel, 2009, p. 24. Disponível online em: http://www.cm-penafiel.pt/…/inventarios-e-documentacao-publ…

 
"Quinta de “Mains”
em
Castelões de Recezinhos
               Gaspar Moreira casado com Francisca São Paio Coelho da Mota, a 02/05/1672, moravam na Quinta de “Mains” e tiveram seis filhos todos nascidos na dita quinta:
Inocêncio Coelho da Mota, Sebastiana Coelho da Mota, Manuel Coelho de Mota, Maria, Luisa e Brígida.
Inocêncio Coelho da Mota nascido na dita quinta, a 29/01/1673, foi capitão, casou a 01/10/1696, na igreja do Salvador de Castelões de Recezinhos, com Jacinta da Fonseca Ferraz, filha do abade de Castelões, Matias de Fonseca de Faria e de Maria Ferraz Moreira. O seu herdeiro foi Manuel Coelho da Mota, nascido na quinta em 12/11/1715.

               Cf. LEÃO, Francisco Delfim Guimarães da Cunha – “Genealogia da Família Leão de Parada de Todeia e Sobreira”. Óbidos: Ed. de autor, 2012. P.131-133.

 
Casa da Venda, em Fonte Arcada
           A Casa da Fonte Arcada ou Casa da Venda foi iniciada por Joaquim da Cunha Leão, quinto filho de Manuel da Cunha Leão e Felícia Rita Pinto de Queiroz, da Casa da Sobreira, com o seu casamento, em 1890, com Ana Duarte da Silva.
Na fachada da casa possui duas inscrições “J.C.L.” e “1898”.
Joaquim da Cunha Leão nasceu na Sobreira em 15/04/1838 e faleceu em Fonte Arcada em 22/07/1908.
Após 1878 foi morar com o seu irmão o padre José da Cunha Leão que lhe deixou em testamento as terras de Curros na Sobreira.
A esposa era filha de Manuel Duarte e Maria da Silva de Anho Bom, em Fonte Arcada. Esta senhora viria a falecer na Casa da Venda em 24/11/1947.
Na década de 30 do século XX vivia na Casa da Venda D. Elisa Fernanda Barbosa Leão, descendente destes senhores.


                     Cf. LEÃO, Francisco Delfim Guimarães da Cunha – “Genealogia da Família Leão de Parada de Todeia e Sobreira”. Óbidos: Ed. de autor, 2012. P.193-200.


 
Amigos do Arquivo de Penafiel 
O arquiteto José Marques da Silva e a Assembleia Penafidelense

              José Marques da Silva nasceu no Porto, em 1869 e concluiu os estudos na Academia Portuense de Belas-Artes. Mais tarde, obteve o título de arquiteto diplomado pelo Governo Francês. Foi um arquiteto de transição entre os séculos XIX e XX e entre dois movimentos de arquitectura, a clássica e a moderna.
O Grémio Recreativo Penafidelense expressa bem esta transição. Um edifício simples de traça diferente de todos os outros da cidade, com o corpo central apresentando um desenho ainda numa faze de mudança. A leveza dos suportes em madeira da cobertura associa-se ao recorte elementar dos grandes vãos das salas. No seu interior destacamos, principalmente, o salão de jogos e a sala de baile, com grandes espelhos pintados, existindo, ainda, uma biblioteca.
Em 1909 a direção do Grémio Recreativo Penafidelense analisa a planta de um novo edifício, trabalho que foi elaborado, gratuitamente, por Marques da Silva a pedido de Gaspar Baltar.
A sua localização seria nos terrenos a nascente do quartel, na sua Formosa, onde completa uma transição urbana.


            GRAVETO, Pedro José Garcia do Nascimento – A Matriz até à Misericórdia. Coimbra: Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, 2000. Tese de Licenciatura policopiada, p.79.