segunda-feira, 19 de junho de 2017

Amigos do Arquivo de Penafiel 
O arquiteto José Marques da Silva e a Assembleia Penafidelense

              José Marques da Silva nasceu no Porto, em 1869 e concluiu os estudos na Academia Portuense de Belas-Artes. Mais tarde, obteve o título de arquiteto diplomado pelo Governo Francês. Foi um arquiteto de transição entre os séculos XIX e XX e entre dois movimentos de arquitectura, a clássica e a moderna.
O Grémio Recreativo Penafidelense expressa bem esta transição. Um edifício simples de traça diferente de todos os outros da cidade, com o corpo central apresentando um desenho ainda numa faze de mudança. A leveza dos suportes em madeira da cobertura associa-se ao recorte elementar dos grandes vãos das salas. No seu interior destacamos, principalmente, o salão de jogos e a sala de baile, com grandes espelhos pintados, existindo, ainda, uma biblioteca.
Em 1909 a direção do Grémio Recreativo Penafidelense analisa a planta de um novo edifício, trabalho que foi elaborado, gratuitamente, por Marques da Silva a pedido de Gaspar Baltar.
A sua localização seria nos terrenos a nascente do quartel, na sua Formosa, onde completa uma transição urbana.


            GRAVETO, Pedro José Garcia do Nascimento – A Matriz até à Misericórdia. Coimbra: Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, 2000. Tese de Licenciatura policopiada, p.79.

 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Amigos do Arquivo de Penafiel
 Brites de Mesquita
bisneta do senhor do Couto de Vilar de Maçada
  
               Dona Brites de Mesquita era filha de Luís de Mesquita e de Dona Maria Lourença. Neta paterna de Martim Gonçalves Pimentel que teria vivido por volta de 1400 e de Dona Inês Esteves de Mesquita. Sua avó paterna, Inês Esteves de Mesquita era filha de Estevão Pires de Mesquita e de Dona Alda Nunes Meireles. Estevão Pires de Mesquita era senhor do couto e torre de Vilar de Maçada, em Alijó.
Dona Inês Esteves de Mesquita teria nascido por volta de 1421 e falecido cerca de 1471, tendo herdado vários bens de seus pais, uma vez que seu irmão não teve geração. Casou cerca de 1436 com Martim Gonçalves Pimentel, criado do duque de Bragança. Martim Gonçalves Pimentel, seu marido, segundo uns autores era filho do 1. Conde de Benavente, D. João Afonso Pimentel, Senhor de Bragança e Vinhais em Portugal e em Castela senhor de Benavente e Maiorca, casado com Dona Joana Teles de Meneses, meia-irmã da rainha Dona Leonor. Outros autores colocam Martim Gonçalves Pimentel como filho natural do comendador da Ordem de Avis, Álvaro Gonçalves Pimentel. Manuel Abranches de Soveral aponta a hipótese de ser neto de Álvaro Gonçalves Pimentel, filho de uma filha deste, de nome Dona Beatriz Gonçalves Pimentel, embora também estude outras hipóteses.
Estevão Pires de Mesquita viveu em Vila Flor no século XV.
Martim Gonçalves Pimentel foi escudeiro, escrivão das sisas de Vila Flor desde 1454 e veio a falecer no ano de 1481. Seu filho Luís Martins de Mesquita, pai de Dona Brites de Mesquita foi nomeado para o cargo de escrivão das sisas de Vila Flor de 1479 a 1481. Luís Martins de Mesquita teria nascido, por volta, de 1437 em Vila Flor. Tirou ordens menores com seu irmão Álvaro em Setembro de 1452. Em 1468 Dom Afonso V perdoou-lhe a tomada da nau de Santa Clara do Porto, na cidade de Ceuta que pertencia a Martinho Afonso, mestre da dita nau, contanto que entrega-se a nau e as suas mercadorias. Casou com Dona Maria Lourença, filha de Álvaro Pires, escudeiro da Condessa de Faro. Luís Martins de Mesquita era irmão de Brites de Mesquita Pimentel, criada da Duquesa de Bragança, Dona Constança de Noronha. Brites de Mesquita Pimentel casou com Fernão de Magalhães, o Velho. Outra das irmãs era Alda de Mesquita que casou com Rodrigo de Magalhães, alcaide-mor de Aveiro e que segundo alguns autores foram os pais de Fernão de Magalhães, o navegador.
Dona Beatriz de Mesquita teria nascido por volta de 1460. Segundo Felgueiras Gaio casou em 1.ªs núpcias com o contador do Porto João Brandão e tiveram uma filha de nome Isabel Brandão, nascida cerca de 1485. Isabel Brandão casou com João Sanches, muito mais velho do que ela, juiz do Porto em 1486, 1493, 1498, 1505 e 1510, e vereador da mesma cidade em 1481 e 1485. João Brandão esteve na Batalha de Alfarrobeira, foi escudeiro da Casa Real e apoiou Dom Afonso V. Foi tesoureiro e recebedor da moeda em 1464 e depois contador do Porto em 1472. Foi casado em 1.ªs núpcias com Dona Brites Pereira, da qual teve, entre outros filhos, Diogo Brandão, cortesão e poeta. Faleceu, já velho, no Porto em 1501, tendo sido sepultado na igreja de São Francisco. Tiveram vários filhos.
Casou em 2.ªs núpcias com Fernão Taveira, filho de Gonçalo Taveira e de Filipa de Macedo e deste casamento teve uma filha Brites Taveira de Mesquita que casou com Rui Pires Cão, filho de Álvaro Cão e de Briolanja Nóbrega.
Dona Brites de Mesquita fez testamento em 8 de Setembro de 1528 e teria falecido pouco tempo depois, pois já possuímos certidão de missas de novembro desse ano. Sua filha Dona Brites Taveira de Mesquita ficou como sua herdeira e testamenteira.
 
              (Informação retirada dos documentos do sub sistema da Casa do Poço, pertencente ao espólio documental da Família Leite Pereira de Magalhães Alpendurada)
 
 
Amigos do Arquivo de Penafiel
O legado imposto na Misericórdia de Penafiel do padre Carlos Soares da Silva, da Quinta de Urrô
 
       Em 1754, o padre Carlos Soares da Silva, natural da Quinta de Urrô, mas emigrado na América, legou 1 conto e 40º mil réis à Misericórdia de Penafiel, para serem colocados a render juros e desse rendimento se conceder, anualmente, 23 mil réis para os pobres da paróquia de Urrô, mais 4 mil réis para património da capela que se estabeleceria na sua Quinta de Urrô e 43 mil réis anuais para administração do dito legado.
Dezasseis anos volvidos, o dito padre, em junho de 1770, fez uma rectificação ao contrato, declarando que os rendimentos do montante legado passariam a ser aplicados em missas, nos domingos e dias santos pelas almas do purgatório e para reparos e ornamentação da capela instituída na sua quinta, sendo agora excluídas as esmolas aos pobres, pois, como o próprio referiu “seria esta a vontade de Deus”.
As almas ganharam aos pobres.
 
             Cf. Cf. Fernandes, Sofia – “Aliciar as almas e os corpos através da transmissão de bens para a Misericórdia de Penafiel: legados pios, contratos entre vivos e doações”, in Araújo, maria Marta Lobo de – A intemporalidade da Misericórdia – As Santas Casas portuguesas: espaços e tempos. Braga: Santa Casa da Misericórdia de Braga, 2016. p.19-20.

            Imagem pertencente ao espólio da Santa Casa da Misericórdia de Penafiel, cota PT/AMPNF/SCMPNF/C/D/001,Lv.01, fl.201.

 
A broa e os moinhos em Penafiel
               Com poucas posses e oferta alimentar pouco variada, o milho maíz foi uma dádiva nutritiva para populações que viviam e vivem em terrenos com pouca altitude e com muita rega, condição fundamental para a prosperidade do milho maíz.
Na nossa freguesia da Capela temos a chamada Rota dos Moinhos. Este conjunto de moinhos está integrado no parque natural pertencente à Freguesia de Capela - Penafiel e denominado de Museu da Broa. São um conjunto de 5 moinhos de água restaurados e prontos a funcionar. Composto por seis moinhos recuperados e funcionais. As mós trabalhavam noite e dia sem parar, produzindo a farinha que dava o sustento aos nossos antepassados: a broa. Aqui podemos observar o ciclo tradicional da Broa em dez quadros, distribuídos pelos moinhos. Neles estão representadas as etapas que trazem a broa à nossa mesa: o trabalho árduo no campo, a alegria na eira, o movimento da moagem, a recompensa pelo esforço de preparação da fornada de broa.

           Cf. GOMES, Cecília. A broa e os moinhos em Penafiel. Notícias de Penafiel, Penafiel, 8 de julho. 2016. Edição n.º11. p.7.

 Fotografias: Helena Sousa



 

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Subsistema António José Leal
                 António José Leal, cunhado do Barão do Calvário, benemérito da Santa Casa da Misericórdia de Penafiel, durante a sua vida foi doando e ajudando a Misericórdia sobretudo no que diz respeito ao novo hospital, tendo mesmo em 7 de Janeiro de 1876 inaugurado duas enfermarias de entravados ou inválidos do trabalho.
No seu testamento também não se esqueceu da mesma, que para além de voltar a dotar as ditas enfermarias, deixa e lega “… a minhas duas irmãs Dona Joana Rosa Leal e Ana da Conceição Leal, solteiras, maiores, comigo moradoras, conjuntamente para ambos e até à última que falecer, o uso fruto vitalício da minha propriedade dos Capuchos, para que tudo gozem na qualidade de usufrutuárias e deixo a propriedade da mesma casa e cerca denominada dos Capuchos, nesta cidade de Penafiel à Santa Casa com a expressa condição de o edifício ser destinado, logo em seguida à morte da última usufrutuária para a fundação de um asilo ou casa de educação de raparigas pobres e desvalidas, mas honestas, sendo essa educação exclusivamente destinada a formar boas criadas de servir de modo que só se lhes ensinarão ali, além da doutrina christã, as primeiras letras, aquelas prendas e habilitações de cozinha e costura que são próprias do estado e mister dito de creadas e nada mais que seja de luxo e ostentação e as possa fazer desviar depois da referida aplicação e com mais a expressa condição de que a direcção e governo do referido instituto será entregue logo depois da sua fundação à Irmãs Portuguesas Hospitaleiras dos Pobres cuja congregação se acha estabelecida em Lisboa no Convento das Trinas, e estas Irmãs Hospitaleiras serão as administradoras exclusivas do dito asilo ou Casa de Educação não podendo ser substituídas por outra qualquer outra administração e para custeio e sustento do mesmo asilo e suas directoras e mestras lhes entregará igualmente a mesa da Santa Casa o usufruto da Cerca anexa à casa e de suas dependências e pertenças, bem como o rendimento de 5 contos de reis em Inscripções que lego à Santa Casa…. Declaro mais que o número das raparigas a administrar, a sua admissão, o número e qualidade de Irmãs Hospitaleiras que hão de residir no asilo, a admissão também de pensionistas por paga, o regulamento do ensino e em suma também a administração interna do asilo e dos seus rendimentos pessoal … ficará tudo exclusivamente a cargo e sobre a responsabilidade das irmãs hospitaleiras, tendo apenas estas, ou a que for superiora, de dar no fim de cada ano à Santa Casa um relatório do estado da Instituição e nada mais.”
Convém referir que as irmãs hospitaleiras já estavam a residir no hospital desde 1876, num total de 5, entre as quais há uma superiora. No entanto, não foi possível detectar quando começou a funcionar, mas em 6 de Abril de 1932 o Asilo de Raparigas Pobres “António José Leal” já existia como comprova a ata que descreve um requerimento a solicitar a entrada de uma menor, o que demonstra que a admissão de menores não ficaria só sobre a responsabilidade das irmãs hospitaleiras, mas ia também a reunião de Mesa.
Em 1935, na ata de 22 de Julho a mesa é autorizada, por despacho ministerial, a proceder a obras no asilo das Raparigas a par de outros, em 1939, na ata de 2 de Dezembro de 1939 volta-se a referir a necessidade de proceder a obras no edifício do asilo das raparigas pobres por “ameaçar ruína”. Nas atas da Mesa nada nos indica que a administração do asilo fosse, por parte das hospitaleiras, tão autónoma quanto o testador queria, uma vez que na destruição dos pelouros de 1842 verificamos que o Provedor era responsável pelo Hospital, Asilos e Secretaria. Alguns anos mais tarde, a 5 de Julho de 1953, a ata da mesa dá-nos conta das dificuldades que o Internato sofria, devido ao facto das comparticipações do estado terem diminuído, por isso, meio ano depois, a mesa delibera que a entrada de meninas deverá ser validada pela Comissão Administrativa, pois este não tinha grandes rendimentos para as sustentar. No entanto, as meninas continuaram a entrar para o Asilo de pobres em 1955, 1956 e 1957, sendo muitas destas crianças de tenra idade. No compromisso da irmandade de 1956, nas competências da mesma, refere manter o Asilo “António José Leal” para raparigas pobres e desvalidas. A data em que o mesmo foi extinto não foi possível apurar.
 
            Cf.: ARQUIVO MUNICIPAL DE PENAFIEL – Santa Casa da Misericórdia de Penafiel – Inventário do Acervo Documental. Penafiel: Câmara Municipal de Penafiel, 2009, p.133-135.

            Disponível online em: http://www.cm-penafiel.pt/…/inventarios-e-documentacao-publ….
 
 
Amigos do Arquivo de Penafiel
Maria Leonor Teresa da Câmara
1ª. Condessa de Pangim

            Filha de Dom Manuel Maria Gonçalves Zarco da Câmara e de Dona Maria Teresa José de Jesus de Mello. Nasceu a 1 de novembro de 1815 e foi baptizada a 4 de novembro, no oratório da casa de residência de seu avô, o Marquês de Sabugosa, José António de Mello da Silva César de Menezes, na Rua direita do Calvário, n.º 31, em Alcântara, sendo padrinho o Marquês de Penalva, Fernando Teles da Silva, gentil-homem da Câmara da rainha D. Maria I e D. João VI.

            Cf. ARQUIVO MUNICIPAL DE PENAFIEL – Inventário do acervo documental do Morgado da Aveleda. Penafiel: Câmara Municipal de Penafiel, 2011, p.948.

             Imagens:
Palácio de Sabugosa, retirada do blog http://restosdecoleccao.blogspot.pt/.
Brasão dos Marqueses de Penalva, retirado do site https://www.geni.com.



 
Amigos do Arquivo de Penafiel
Casa de Poços e Casa da Cova
 em
São Tiago de Fonte Arcada
 
            A Casa de Poços situava-se no lugar de Poços, em fundo de Vila, em Fonte Arcada. Pensa-se que seria da segunda metade do século XVII. A família desta casa entroncou, por volta de 1720, nos donos da Casa da Cova.
A Casa da Cova teria tido origem, segundo o autor, num emprazamento das terras foreiras do mosteiro beneditino de freiras aí existente desde o século XI e depois extinto.
João Pinto de Queiroz, Senhor da Casa de Poços, casou em 1719 com Brígida Moreira de Leão, neta de Brites de Leão e sobrinha de Isabel de Leão, da Casa da Roçada, de S. Martinho de Parada de Todeia. Este casal teve um filho de nome Manuel Pinto de Queiroz.
A Casa da Cova encontrava-se em 2012 muito degradada, apenas se mantendo de pé o pórtico maneirista.
 
              Cf. LEÃO, Francisco Delfim Guimarães da Cunha – “Genealogia da Família Leão de Parada de Todeia e Sobreira”. Óbidos: Ed. de autor, 2012. P.109-113.