domingo, 21 de maio de 2017

Amigos do Arquivo de Penafiel
Paço de Sousa
2.ª Invasão Francesa

         O Exercito francês, na segunda invasão francesa, causa mortes e estragos na freguesia.
No mosteiro, com 21 monges, destroem 637 alqueires e meia quarta de trigo sabido, 1340 alqueires e meio de pão de segunda, 34 alqueires e meio de farinha, 20 pipas de vinho verde e 8 pipas de maduro, 60 arrobas de carne de porco, e 20 e tantas arrobas de bacalhau; quebram o telhado da igreja paroquial, atirando-lhe com pedras e os badalos dos sinos; estragam paramentos da sacristia e as portas das celas. Há notícias de 8 conterrâneos mortos pelos franceses.
Cf. MENDES, Manuel – Sumário de Datas de Paço de Sousa. Paço de Sousa: Colecções e Edições Gamuz, 1998, p.32.

            Imagens retiradas do livro “Esboço Histórico da Banda Musical de Paço de Sousa (no seu cinquentenário)”, p.37-38
 

 
 Sabia que ....

a 13 de maio de 1757, três pastorinhas, na Serra da Aboboreira, viram a Virgem Maria...
Nas Memórias paroquiais de Folhada, em 1758 , o abade José Franco Bravo, na questão sobre “tudo o mais que houver digno de memória, de que não faça menção o presente interrogatório”, relatou, detalhadamente, o avistamento da Virgem feito por três pastorinhas. As três jovens, menores de 12 anos, andavam a apascentar ovelhas no lugar do Outeiro do Preiro e já no fim do dia, pouco antes do pôr-do-sol, ouviram uma voz que as chamava pelos seus nomes próprios (duas eram Marias e uma Teresa). Tratava-se de uma mulher encostada a fragas altas, que sendo de média estatura, resplandecia luz. Chegadas à dita senhora, esta animou-as “com afagos” e falou com as meninas. Pegou na mão da menina mais virtuosa, tirou o rosário que outra menina trazia ao pescoço e atirou-o aos céus e repreendeu a mais velhinha das três, pelo vício que tinha de falar do demónio. A dita senhora pediu, ainda, às três crianças que chegadas à sua localidade contassem o que viram e pedissem a todos para jejuarem pão e água nas primeiras sextas-feiras e sábados e que fizessem uma romaria em louvor de Nossa Senhora, à volta daqueles penedos. Após contarem o que viram, ao local acorreu povo da localidade e de várias léguas ao redor, considerando um milagre o aparecimento da Virgem às pastorinhas. O abade da paróquia averiguou a situação e deu a conhecer a situação ao provisor do Bispado, tendo-se considerado as crianças uma fonte fidedigna, mesmo porque a população local relatava que por várias vezes haviam visto uma luz resplandecente, durante a noite, no local da dita aparição, até ao dia 13 de maio desse dito ano, não voltando, depois, a ser vista essa claridade. O abade referiu, ainda, que após o avistamento, realizaram-se vários milagres e que o povo acorria ao local, onde o pároco mandou colocar uma estampa de Nossa Senhora da Lapa e uma cruz de pau.

      Cf. TT, Torre do Tombo, PT/TT/MPRQ/15/98, Memórias Paroquiais de Folhada, 1758, vol. 15, n.º 98, p. 606-607.







 
 
Amigos do Arquivo de Penafiel
Como se processava a entrada no Recolhimento?
         “A entrante deverá vir sem galas, nem enfeites, mas com vestido moderado e honesto.
Irá para a Igreja do recolhimento onde estarão as velas acesas no altar-mor.
Aí se fará oração, após a qual é conduzida pelo Padre Capelão para a Portaria e aberta a porta da Clausura. Dentro dela estará esperando a comunidade de formada, em duas alas com cruz alçada.
A entrante deverá se colocar de joelhos e pedir a bênção à Regente que lhe fará algumas perguntas. Se as respostas agradarem à Regente, fecham a porta da clausura e encaminham-se para o coro. Aí depois de entoarem vários cantigos, se colocará de joelhos junto à Regente que lhe cortará os cabelos e lançará o hábito.
Após vestir o hábito e beijar os pez a toda a comunidade a noviça entrará para o noviçiato com a Mestra das Noviças e a sua companheira.
A Mestra deverá assentar num livro, os nomes da noviça, de seus pais e o da terra e freguesia de onde vêm, e o dia, o mês e o ano em que entra.
O número máximo de recolhidas será 33.
Todas as que foram admitidas serão para o coro. Para os ofícios mais humildes asseitam criadas mas muito honestas e virtusoas e que deveram andar vestidas de hábito pardo e cingidos com o cordão de S. Francisco.
Nenhuma recolhida pode ter criada particular.
As noviças estarão sempre clauzuradas no noviçiado que deverá estar sempre fechado, vivendo dentro dele a Mestra e sua Companheira e só saíram dele as noviças formadas em comunidade para os actos da comunidade.
Passado 6 meses será a noviça proposta a votos da comunidade e o mesmo se fará passados 11 meses. No dia em que a Regente determinar se tocará a campainha a capítulo e as recolhidas que tiverem 3anos de hábito iram para o coro. A Mestra e companheira das Noviças informarão a Comunidade do que tem alcançado das noviças sobre o seu génio, saúde, forças, capacidade, virtudes, observância dos Estatutos, pontualidade na obediência e actos da comunidade.
Depois todas as que estão no capítulo votarão por votos secretos pretos ou brancos. Se forem mais votos brancos do que pretos a noviça ficará aprovada. A escrivã lançara num livro esta acta que assinara ella, a regente, a vice-regente e a Mestra das noviças.
No caso dos votos empatarem ou serem mais votos pretos do que brancos se avisará o prelado que determina o que achar justo.
Nos votos dos 11 meses se fará o mesmo, mas nesta altura se tiver mais votos pretos do que brancos será expulsa.
Admitida pelos votos a noviça fará juramento de defender a Puríssima Conceição de Maria Santíssima sua Padroeira e receberá o véu azul depois de Bento. No dia da profissão assinará um termo num livro pela escrivã.
 
           Cf.: FERNANDES, Paula Sofia; RIBEIRO, Joana – Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição. Penafiel: Câmara Municipal de Penafiel, 2003, p. 14-16. Disponível online em:
 
 
Amigos do Arquivo de Penafiel
Registo de Presos na Cadeia de Penafiel
 (1935-1936)
               A série “Registo da entrada e saída dos presos”, pertencente ao fundo da Administração do Concelho de Penafiel, é composta, apenas, por um livro (1935-1937). Embora esta fosse uma competência do Administrador do Concelho já prevista no Código Administrativo de 1842, este foi o único que chegou até nós. Esse registo reúne vários dados, nomeadamente, nome do preso, data de prisão, naturalidade, idade, sinais do preso, estado civil, profissão, data de saída da prisão, natureza do crime, grau de instrução, tempo de prisão, entre outros.
Após a análise desses dados, pudemos verificar que a maioria dos presos eram homens, as poucas mulheres que aparecem eram, praticamente, todas “toleradas”*. Em relação à faixa etária, temos idades compreendidas entre os 18 e os 80 anos, no entanto, a moda encontra-se entre os 20 e os 40 anos.
Relativamente à naturalidade/residência, podemos afirmar que eram presos vindos de quase toda a região norte do país, nomeadamente, Bragança, Braga, Lamego, Vila Real, Alijó, Amarante, Marco de Canaveses, Lousada, Paços Ferreira, Barcelos, Porto, Santo Tirso, Aveiro, Espinho, Valongo, Vila do Conde, entre outros. No entanto, encontramos, ainda, outros vindos de Sintra, Santarém, Leiria, Coimbra, Viseu … e assim se confirma que Penafiel era, realmente, uma terra de passagem para variadíssimas localidades do país.
A natureza dos crimes que motivaram a entrada na cadeia, não varia muito, agressão, furto, suspeita de furto, jogo, ofensa à moral, desobediência, burla, embriaguez e averiguações.
Estes presos ficavam na cadeia, uma média de 5 a 6 dias.
 
            Cf. SANTOS, Cecília. Registo de presos na cadeia de Penafiel (1935-1936). Notícias de Penafiel, Penafiel, 19 de agosto. 2016. Edição n.º15. p.24.
 
 
 


 
Amigos do Arquivo de Penafiel
Dom José António de Melo
1.º Conde do Cartaxo
          
              Dom José António de Melo era filho de Leonor Maria José de São Paio Melo e Castro e de José António de Melo e Silva César de Meneses, tio da Condessa de Pangim. Era bisneto pelo lado materno do 1.º Marquês de Pombal.
Foi gentil-homem da câmara de D. João VI, comendador da Ordem de Cristo e comendador da Ordem de São Leopoldo da Áustria.
O título de 1.º Conde do Cartaxo foi-lhe concedido por decreto de D. Miguel em 1830.
Em 4 de junho de 1840 recebeu uma parte da herança de sua tia paterna, a Condessa de Barbacena. Deixou a sua herança às sobrinhas Dona Francisca da Câmara e a Dona Joana da Câmara, irmãs da Condessa de Pangim.
 
            Cf. ARQUIVO MUNICIPAL DE PENAFIEL – Inventário do acervo documental do Morgado da Aveleda. Penafiel: Câmara Municipal de Penafiel, 2011, p.994-995.

            Imagens dos documentos pertencentes ao Morgado da Aveleda, cotas: PT/SACQA/ MA/C/O/F/fl. 01 e bfl. 02.
 

 

sábado, 20 de maio de 2017

Amigos do Arquivo de Penafiel
Cristiano Van Zeller
                Filho de Roberto Van Zeller e de Dona Dorothea Augusta Kopke. Neto materno do 1.º Barão de Vilar. Pai de Dona Helena Van Zeller.
Casou com Dona Carlota de Sousa e Barros Leitão de Carvalhosa de Mesquita e Macedo, com a qual fez contrato antenupcial em 7 de novembro de 1870. Sua esposa faleceu a 3 de junho de 1916.
Era senhor da casa e quinta de Fiães. Dona carlota era filha de Inácio José de Sampaio e Pina de barros Leitão de Carvalhosa e de Dona Carlota Van Zeller. Cristiano e Dona Carlota Mesquita e Macedo eram primos.
 
        Cf. ARQUIVO MUNICIPAL DE PENAFIEL – Inventário do acervo documental do Morgado da Aveleda. Penafiel: Câmara Municipal de Penafiel, 2011, p.1193-1206.
 
        Imagem: Quinta de Fiães, retirada do site http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/4817601.html.
 
 
Cristiano Nicolau Kopke

             Filho de Nicolau Kopke e de D. Doroteia Schwenir. Foi 1.º Barão de Ramalde, título criado por Dona Maria II em 1831 e 1.º Barão de Vilar em 1836, títulos criados a seu favor pela rainha.
Foi comendador da Real Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Foi comerciante na Praça do Porto, residia na sua quinta do Vilar, na freguesia de Cedofeita, no Porto.
Esta quinta é o actual Colégio de Nossa Senhora de Lourdes.
Foi membro da Junta do Porto em 1828 e casou com a sua sobrinha Leonor Carolina Van Zeller, de quem teve dois filhos: Dona Doroteia Augusta Kopke e Nicolau Cristiano Kopke, que faleceu solteiro, em S. Paulo no Brasil.
 
        Cf. ARQUIVO MUNICIPAL DE PENAFIEL – Inventário do acervo documental do Morgado da Aveleda. Penafiel: Câmara Municipal de Penafiel, 2011, p.1209-1210.
 
         Imagens: Brasão do Barão de Vilar, retirado do site http://www.baraodevilar.com/pt/.