terça-feira, 21 de março de 2017

Dotação de órfãs
             Praticamente todas as misericórdias de Portugal e do Ultramar distribuíram dotes para casamento de órfãs pobres ou para parentas dos instituidores destas obras pias, constituindo uma forma de contrato social dos comportamentos femininos, que se acentuou após Trento, tornando-se algo comum na Idade Moderna.
Penafiel não fugiu à regra e, se para o século XVII, temos a instituição de cinco legados para dotar órfãs, na centúria seguinte aumentou para sete, não chegando à Santa Casa, no século XIX, nenhum legado com este propósito.
O grande volume de contratos instituídos com o fim de dotar donzelas não justificou que a irmandade penafidelense atribuísse dotes a partir de receitas próprias, como outras instituições congéneres efectuaram, uma vez que vários beneméritos se encarregaram de legar bens à irmandade para o efeito.
Os instituidores de legados para dotar órfãs na Misericórdia de Penafiel foram todos homens, verificando-se, assim, uma preocupação masculina na ressalva da honra e virtudes das mulheres, assumindo-se como pais protectores para aquelas que os haviam perdido.
 
              Cf. Fernandes, Paula Sofia Costa – Casamento, honra e família: os dotes da Misericórdia de Penafiel (séculos XVII_XIX). In Capela, José Viriato; Araújo, Maria Marta Lobo de; Esteves, Alexandra; Castro, Sandra (org.) – Da caridade à solidariedade: Políticas públicas e práticas particulares no mundo ibérico. Braga: Universidade do Minho. Laboratório de paisagens, património e Território – Lab2PT, 2016. P. 92-93.
 
Foto de Amigos do Arquivo de Penafiel.

sexta-feira, 17 de março de 2017

 
              O semanário
“ A Escola Primária”
 
                 Os proprietários eram os professores Belmiro Nogueira Xavier e Artur Melo, sendo o primeiro, professor e regente na escola sede Conde Ferreira em Penafiel. A principal função deste semanário seria chamar a atenção para os problemas da “ malfadada escola portugueza “ e para os problemas do Professor “desprotegido funcionário de tão vantajosa oficina. (…)” Entre os objetivos do Sindicato dos Professores de Penafiel há que salientar os seguinte...s: adquirir bons livros de pedagogia e psicologia que constituiriam uma biblioteca onde os professores iriam adquirir conhecimentos precisos; lutar pelo estudo, pelo trabalho e pelo aperfeiçoamento dos métodos e processos de ensino; preparar física, moral e intelectualmente as gerações futuras com base nos princípios do Trabalho, Ordem e Liberdade; divulgar e pôr em prática os passeios escolares, as visitas de estudo e as lições no campo. Os professores lutariam pelo cumprimento do regulamento da reforma educativa de 29 de Março de 1911 tendo por isso várias reivindicações, tais como, o funcionamento efetivo das escolas; o fornecimento do bónus de 50% nos caminhos-de-ferro do Estado e a concessão aos alunos da escola primária de passagens grátis nos mesmos caminho-de-ferro sempre que o professor os quisesse levar em viagem de estudo; os pagamentos justos e em dia aos professores.
Manoel Antunes Amor, professor e inspetor interino que pertencia ao Movimento da Escola Nova publicou vários artigos neste jornal incluindo um em que faz um sentido apelo a todos os professores pela sua união. No dia 1 de Agosto de 1912, sai um artigo que se refere à falta de interesse e empenho da classe do professorado que passo a citar: “Indiferença, cepticismo, descrença, a trilogia que se enraizou no peito da maior parte do professorado e que o leva a descurar os seus mais legítimos interesses (…) Eis as causas que se opõem à tão sonhada União de Classe.”
O último número do jornal “ A Escola Primária”, número 51, saiu para as bancas no dia 28 de Novembro de 1912.
 
Cf. CARDOSO, Lúcia Chaves. O jornal “ A Escola Primária” e a organização sindical dos professores em Penafiel (1911-1912). Notícias de Penafiel, Penafiel, 15 de Julho. 2016. Edição n.º12. p.6.
 

quinta-feira, 16 de março de 2017

                 Capela Santo António Velho

A Capela de Santo António Velho, que hoje já não existe, esteve ereta no lugar onde se encontra a atual Igreja de Nossa Senhora do Carmo.
Não temos nenhuma referência à época em que foi criada, sabemos, contudo, que no século XVIII se encontrava um pouco danificada e que desta forma, foram feitas várias obras. Ainda em meados deste século, concretamente em 1747, o Padre Manoel Pinto de Souza da Quinta de Chelo, fez contrato por escritura com os administradores da Real Casa da Misericórdia de Penafiel para lhe mandarem dizer na capela, nos dias Santos e Domingos, pela esmola de 120 reis, as missas. Assim, a Santa Casa deveria pagar à fábrica da Capela anualmente 6 mil e 400 reis para serem entregues ao Juiz do dito Santo para o gastarem na Capela.
Porém, o mesmo livro refere que em 1782 já não se fazia a eleição de Juiz e Procurador da Capela, apesar da Santa Casa continuar a querer nomear o capelão, mas, também há vários anos não existia sacerdote que, pela dita esmola fosse sujeitar-se a satisfazer na capela as missas. A Misericórdia vê-se com o problema de não ter a quem entregar os 6.400 reis para a fábrica e menos quem cuide de reparar a Capela. Em 29 de Julho de 1798 é nomeado António José de Afonseca, da Rua da Calçada, para administrador da capela e imagens de Santo António, com o objectivo de governar, administrar e zelar pelas esmolas do Santo, assim como todos os arrendamentos, alfaias, capela e seu património.

p.21-25
Amigos do Arquivo de Penafiel

 1.º Barão de Beduido

O título de Barão de Beduido foi criado por decreto de D. João VI, em 6 de fevereiro de 1818 e
em 28 desse mês, Nicolau Xavier de Figueiredo Bulhões Castelo Branco recebeu o dito título.
A 11 de abril de 1812 redigiu o seu testamento, tendo falecido em julho desse ano.
Teve 6 filhos do seu casamento com Dona Maria de Penha de França Pereira Lacerda, filha de João António de Lemos Pereira de Lacerda Delgado
.

Cf. ARQUIVO MUNICIPAL DE PENAFIEL – Inventário do acervo documental do Morgado da Aveleda. Penafiel: Câmara Municipal de Penafiel, 2011, p.1106.
Imagem retirada do mesmo inventário, cota PT/SACQA/MA/C/S/B/bfl.08.



segunda-feira, 13 de março de 2017

Amigos do Arquivo de Penafiel

Arquivo da Sociedade Mercantil

Freitas & Neves

                Era constituída por uma empresa em que o comércio principal consistia em fazendas de lã e seda e por uma fábrica em que se manufacturavam peças de seda, ouro e prata, no Porto.
Esta sociedade iniciou-se em 1 de abril de 1810 e findou com a morte de José Maria das Neves, em 7 de fevereiro de 1836. O sócio sobrevivente da empresa era Domingos José de Freitas Guimarães, da freguesia de Santo Ildefonso, no Porto.
Quando a empresa faliu, Jerónimo Carneiro Geraldes, foi nomeado administrador da massa falida.
Uma parte do arquivo da Sociedade Mercantil Freitas & Neves foi colocada à guarda do tribunal, em meados do século XIX. Mais tarde, passou para a posse dos proprietários da Quinta da Aveleda, sendo guardada com o restante arquivo da família.
A documentação encontra-se digitalizada e acessível on-line, no programa GEAD, e está balizada cronologicamente entre 1766-1836, sendo composta por 25 livros, 1 caderno, 1 bifólio e 1 fólio.
Desta forma, possui registo de despesa com portes de navio de 1766-1770, com a soma de quanto custavam os fretes, mercadorias e alugueres de armazéns. Este documento, anterior à data da fundação da sociedade, pertencia a Brás de Abreu Aranha, que esteve relacionado com a dita sociedade.
Possui um livro de faturas de 1802 a 1814, possuindo faturas de compras, grande parte delas feitas em Londres, Lisboa, Porto e Rio de Janeiro, por ordem da Sociedade Freitas & Neves e enviadas para Portugal, demonstrando que a firma já funcionaria antes da sua constituição legar em 1810. Compões este subsistema um livro copiado de bilhetes de alfândega, com os dados dos navios e o que transportavam, bem como, com o valor do que foi pago na alfândega. Um “borrão de correntes e lembranças” de 1810-1835, que se refere à aquisição de algodão, açúcar, couros e tecidos. Um livro de 1810-1835, com registo das compras e arrematações em praça pública, que especifica os bens adquiridos, nomeadamente, couros, fardos com peças de tecidos, sacos com algodão empluma, entre outros.
O registo mensal das dívidas de “diversos” a “Domingos José de Freitas Gomes”, a “Fazendas Gerais”, a “Caixa” e vice-versa.
Um livro de caixa de 1817 a 1834, com várias entidades a declarar que receberam dos senhores Freitas e Neves várias quantias relativas a fazendas e aluguer.
Um diário de caixa de 1826 a 1834, que possui o pagamento aos oficiais da fábrica, alugueres da mesma, entradas de dinheiro do Banco Inglês, pagamentos de direitos de alfândega.
Quatro livros referentes a “saídas de mercadorias”, de 1809-1835, relativo a tecidos, açúcares entre outros produtos.
Três livros de borradores com o registo das compras efetuadas, a pessoa a quem comprou, o quê e o valor. Registos de vendas.
Dois livros de “Memorial diário” entre 1810 e 1825, com o registo diário do que se pagou e do que se recebeu, o nome e o valor, bem com o registo de pagamento de férias aos oficiais da fábrica.
Entre outros documentos.
Este sistema é valioso para quem pretende estudar a atividade comercial em Portugal e particularmente na cidade do Porto, na centúria de oitocentos.
Cf. ARQUIVO MUNICIPAL DE PENAFIEL – Inventário do acervo documental do Morgado da Aveleda. Penafiel: Câmara Municipal de Penafiel, 2011, p.1249-1261
Imagens do Sistema Mercantil Freitas e Neves, cotas:
PT/SACQA/SMFN/001/LV01/fl.05.
PT/SACQA/SMFN/LV03/fl.05
 


Casa das repartições

A administração do concelho esteve sediada no edifício da Câmara durante uns tempos. Em 1871, a procura de novos espaços levou à mudança deste serviço e das repartições públicas para uma casa vizinha arrendada.
Contudo, este edifício teve de ser expropriado e, em parte, demolido, para possibilitar a abertura da Avenida Araújo e Silva. Depois, foi refeito para nele se instalar as repartições e o correio, uma vez que a administração do concelho já tinha conseguido o seu próprio espaço junto à Praça do Mercado, na casa dos corregedores.

Cf. GRAVETO, Pedro José Garcia do Nascimento – A Matriz até à Misericórdia. Coimbra: Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, 2000. Tese de Licenciatura policopiada, p.54.

Imagens: Edifício das repartições e desenhos do autor retirados do mesmo livro.
No dia da mulher... Deixamos o exemplo de uma mulher que esteve muito à frente da sua época
Maria Isabel Wittenhall
Nasceu a 6 de novembro de 1749.
Era filho de Townsend Wettenhall e de Anna Canner.
Casou com Pedro Van Zeller em 4 de maio de 1767.
Tiveram 3 filhos: Arnaldo João Van Zeller, Luís Teodoro Van Zeller e Francisco José Van Zeller (pai de Roberto Van Zeller, avô de Cristiano Van Zeller) este nascido a 10 de março de 1774.
Dona Maria Isabel nasceu na sua quinta de Avintes e foi baptizada na freguesia de Santa Marinha, em Vila Nova de Gaia.
Maria Isabel faleceu a 5 de novembro de 1819, no dia anterior a fazer 70 anos de idade, em Avintes, sendo sepultada no jazigo de família, no convento de São Domingos, no Porto.
Em 1808, recebeu da Academia Real das Ciências a medalha de ouro e a concessão do grau de sócia correspondente, pois foi pioneira da introdução da vacina variólica no Norte de Portugal.
Isabel Wittenhall principiou a vacinar em 1805 na sua quinta, em Avintes, e também na sua casa do Porto. Foi iniciada na técnica de vacinação pelo cirurgião José da Cunha. De acordo com os registos da academia, entre 1805 e 1819, Isabel Van Zeller fez 13 408 vacinações.

Cf. ARQUIVO MUNICIPAL DE PENAFIEL – Inventário do acervo documental do Morgado da Aveleda. Penafiel: Câmara Municipal de Penafiel, 2011, p.1204-1205.
Cf. Silva, José Alberto Teixeira Rebelo da – A academia Real das Ciências de Lisboa (1770-1834): ciências e hibridismo numa periferia europeia. Lisboa: Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, 2015. Tese de doutoramento e História e Filosofia das ciências policopiada. P. 286-287.

Imagem retirada do site http://geneall.net/ e imagem do documento pertencente ao espólio do Morgado da Aveleda, cota PT/SACQA/MA/C/W/A/fl. 01.