quinta-feira, 11 de setembro de 2014

No Arquivo com...(Helena Bernardo)


No Arquivo com...

Helena Bernardo, licenciada em História, variante Arqueologia (1997-2002), pós-graduada em Museologia (2002-2003) possui um mestrado em Arqueologia (2009-2012) pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto - Do lugar de Arrifana de Sousa à cidade de Penafiel. Urbanismo e arquitetura (séculos XVI a XVIII) -, com orientação da Professora Doutora Teresa Soeiro. Entre 2005 e 2007, enquanto arqueóloga do Gabinete Técnico Local da Câmara Municipal de Penafiel, realiza o estudo do Centro Histórico da Cidade com vista à elaboração do respetivo Plano de Pormenor. Pertence ao grupo de investigadores do CITCEM - Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória e desde 2009 que exerce funções de Técnica Superior – Conservadora no Museu Municipal de Penafiel/ Câmara Municipal de Penafiel.
Na sequência de No Arquivo com…, honrou-nos com a conferência A paisagem urbana da vila de Arrifana de Sousa em meados do século XVIII, que se passa a resumir.
O estatuto de vila atribuído ao lugar de Arrifana de Sousa em 1741, com jurisdição separada da cidade do Porto, de que dependia desde 1384, permitiu à administração local orientar o processo de relançamento do imposto da décima em 1762, motivado pela denominada guerra fantástica que se traduziu na invasão da fronteira portuguesa pelo exército franco-espanhol, taxa que foi aplicada em todo o país. Para a aplicação deste imposto, cujos dividendos serviriam para financiar o exército, foi necessário proceder ao levantamento de todas as propriedades, as quais, no espaço arruado da vila, correspondem a habitações e quintais. As informações foram vertidas no Livro do Arruamento de 1762, hoje depositado no Arquivo Municipal de Penafiel. Arruamentos, edifícios, habitantes e respectivas profissões são alguns dos aspectos da paisagem urbana que podemos entrever através da análise desta fonte. Assim, o burgo de Arrifana de Sousa tinha nessa data 472 casas, 77% das quais com rés-do-chão e primeiro andar e apenas cinco possuíam dois andares, na sua maioria telhadas, embora existissem algumas com cobertura de colmo. Viviam neste espaço 47 ferreiros e 39 padres, mas também 19 sapateiros, 18 vendeiros, 14 jornaleiros, 14 alfaiates e toda a sorte de profissões, num total de 54 distintas, em que se destacam os ofícios mecânicos. Entre as classes nobilitadas encontrámos referências às famílias Soares Barbosa, Garcez, Pereira do Lago e Machado Coelho. Os moradores do burgo possuíam também propriedades na zona rural da vila (Puços, Cavalum, Chelo, Beco, Casal Garcia, Aperrela, Alamela, entre outros) cujas culturas, nomeadamente do centeio, trigo, vinho e azeite, completavam a sua economia doméstica, dados que foram vertidos no Livro do lançamento da décima de 1763.



O debate foi muito animado porque muitos dos presentes conheciam, ou queriam perceber, as memórias do centro histórico. Um contributo excelente para a história do centro histórico de Penafiel, no momento em que decorrem obras de requalificação, o que sobrevalorizou a intervenção da Dr.ª Helena Bernardo.

Sabia que...(Casa do Choupelo)

Sabia que…

José de Azevedo e Sousa, fundador do Morgado de Paço de Sousa atual Casa da Companhia, erigiu em Vila Nova de Gaia, o chamado, atualmente, Solar do Choupelo.
Na documentação à guarda do Arquivo Municipal de Penafiel, existe um tombo dedicado exclusivamente a esta propriedade, chamada na altura somente como Casa do Choupelo.


Solar do Choupelo - Foto gentilmente cedida pelo Sr. António Conde

Foi no ano de 1760 que começou a sua construção e em anos anteriores temos as compras que José de Azevedo e Sousa fez destas propriedades. Foi lá que ele viveu, até à data de sua morte a 3 de dezembro de 1788.
Depois da sua morte, foi elaborado um inventário dos seus bens, e no Arquivo Municipal, podemos verificar a riqueza de bens que existiam naquela casa, como pratas, quadros (alguns estão actualmente na Casa da Companhia), móveis, roupa branca e um inventário da Capela e seus santos, onde estará possivelmente estará José de Azevedo e Sousa sepultado.

Elaborado por Cecília Gomes 

Sabia que...(Joana Felizarda)

Sabia que…

D.ª Joana Felizarda Delfina de Abreu Aranha e Araújo era filha de Brás de Abreu Guimarães e de D.ª Joana do Nascimento de Araújo Aranha. Pela análise dos documentos existentes no fundo arquivístico do Morgado da Aveleda, tudo indica que descendem de uma burguesia endinheirada que começou a investir seus cabedais em terra, tentando depois, nobilitar-se. D.ª Joana tinha mais três irmãos: Bento de Abreu Aranha, João de Abreu Aranha e Araújo e Brás de Abreu Aranha e Araújo.
Joana viveu na casa de seus pais, na Rua Chã, no Porto, e depois na Quinta da Lavandeira, junto ao Poço das Patas, também no Porto.



Sentença de dispensa matrimonial de Manuel de Meireles Guedes de Carvalho e Joana Felizarda por serem parentes em 3.º grau de consanguinidade


Sabemos que em 1765, Joana já se encontrava casada com Manuel de Meireles Guedes de Carvalho, 4.º morgado da Quinta da Aveleda e fidalgo da Casa Real.
Para o casamento trouxe um dote avultado e rico, essencialmente composto por enxoval, móveis e peças de ourivesaria. As casas da rua do Poço das Patas vieram para a Aveleda, por seu dote e foi lá que o casal residiu.
Esta senhora devia ter falecido de complicações derivadas do parto de sua única filha, pois esta nasceu a 16 de janeiro de 1774 e o inventário feito pelo seu falecimento é de 21 de março de 1774.
D.ª Joana Felizarda não fez testamento e foi sepultada na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, no Porto

Elaborado por Sofia Fernandes

http://geadopac.cm-penafiel.pt/ (Morgado da Aveleda)

Sabia que...(D.ª Joana Isabel Maria da Câmara)

Sabia que...

D.ª Joana Isabel Maria da Câmara, filho de D. Manuel Maria Gonçalves Zarco da Câmara e de D.ª Maria Teresa José de Jesus de Melo e irmã da Condessa de Pangim. Nasceu a 29 de Junho de 1820 e foi baptizada no oratório do Palácio da residência de seu avô paterno, o Marquês de Sabugosa, pelo Reverendo Padre Francisco José Correia, pregador régio em 2 de Julho desse ano. Foi padrinho, o Conde de S. Paio e D.ª Joana da Câmara, tia paterna da baptizada.
A 13 de Abril de 1832, com 11 anos de idade, foi nomeada, pelo mordomo-mor do Rei, Dona do Paço. Em 1872 encontrava-se com sua irmã D.ª Francisca, recolhida no Real Mosteiro da Encarnação, em Lisboa. Nesta altura habilitaram-se as duas como únicas herdeiras à herança do 1.º Conde do Cartaxo, seu tio materno, José António de Melo. D.ª Joana faleceu em 14 de Janeiro de 1884, com 63 anos de idade.



Elaborado por Sofia Fernandes


Ver: http://geadopac.cm-penafiel.pt/ (Morgado da Aveleda)

Sabia que...(Bento de Abreu Aranha)

Sabia que…

Bento de Abreu Aranha, filho de Brás de Abreu Guimarães e de D.ª Joana do Nascimento de Araújo Aranha, natural da cidade do Porto. Irmão de Brás Abreu de Araújo Aranha, de Joana Felizarda Delfina de Abreu de Araújo Aranha e de João de Abreu Aranha e Araújo. Cursou na Universidade de Coimbra, em Direito Canónico e Civil e fez-se bacharel em 1756, tendo anteriormente obtido ordens menores.




Elaborado por Sofia Fernandes

Ver: http://geadopac.cm-penafiel.pt/ (Morgado da Aveleda)

Sabia que...(Brás de Abreu Guimarães)

Sabia que..
Brás de Abreu Guimarães, pai de D. Joana Felizarda Delfina de Abreu Aranha foi casado com D. Joana do Nascimento de Araújo Aranha.
Brás de Abreu Guimarães, foi escudeiro do número da cidade do Porto. Em 16 de Junho de 1764, obteve alvará para ser armado cavaleiro professo da Ordem de Cristo. Foi deputado da Junta da Companhia Geral do Alto Douro, bem como procurador de El-Rei para o administrar e arrecadar as rendas da cidade do Porto, em 1768. Este homem foi ainda administrador da Casa de Abrantes e Fontes que possuía D. João e que deixou por herança à Sereníssima Casa do Infante. Esta administração continuou nas mãos de seu filho, Brás de Abreu Aranha e Araújo. Foi também comerciante, tendo emprestado muito dinheiro a juros.

Alvará da Ordem de Cristo dado a Brás de Abreu Guimarães.



Elaborado por Sofia Fernandes

Ver: http://geadopac.cm-penafiel.pt/ (Morgado da Aveleda
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Sabia que...(Finanças da Cidade)

Sabia que...

As reformas levadas a cabo pelo regime liberal a partir de Évora Monte (1834) tiveram consequências ao nível das finanças locais e, concomitantemente, ressonância numa escala micro, o palco local - Penafiel. Contudo, não se pode divorciar esta questão do próprio alargamento da base geográfica de tributação. Efectivamente, o Liberalismo impôs uma máquina administrativa mais pesada aos municípios e as alterações introduzidas no mapa concelhio afectaram os recursos da Câmara de Penafiel pelas receitas mas igualmente pelas despesas, num equilíbrio bem difícil de conseguir.
Os quantitativos, tanto do lado das receitas como das despesas, sofreram aumentos consideráveis a partir de 1836 e os montantes arrecadados e despendidos pelo órgão de gestão concelhio permitiram fazer face a um conjunto de novos encargos, surgidos na sequência de uma maior diversificação de atribuições às câmaras municipais pela política liberal.


 Edifício da Câmara Municipal, na Praça Municipal (antigo Largo das Chãs. (Foto s/d).

Se com o Liberalismo o poder municipal adquire novas responsabilidades e novas obrigações, também com o Liberalismo as câmaras municipais vêem muitas das suas decisões serem fiscalizadas pelo conselho municipal (1840), originando uma perda de independência no plano político-económico, perda essa aceite pacificamente pelo facto dos impostos resolverem a questão de sustentabilidade local.
A Câmara de Penafiel, nos anos 1835-1851, apresentou, efectivamente, níveis de crescimento das receitas, embora as contas de receitas e despesas tenham sofrido oscilações, caracterizando-se o movimento contabilístico pela apresentação de saldos relativamente equilibrados, que, no entanto, encobriam uma dívida acentuada que não pode ser menosprezada face à dimensão financeira local. É curiosa a forma “engenhosa” como se resolveram os orçamentos, com o socorro a dívidas activas e passivas, um jogo que aponta para estratégias de sobrevivência in extremis. 


Foto antiga do edifício da Câmara Municipal, e vista da Avenida Sacadura Cabral. (s/d)


"As finanças do concelho de Penafiel no período de afirmação do Estado Liberal (1835-1851)"

Elaborado por : António Pinto do Fundo*

* Este texto escrito sem obedecer aos critérios do acordo ortográfico decorre da dissertação de mestrado esteve na base da comunicação apresentada no 29.º Encontro da APHES. Veja-se FUNDO, António José Pinto do - Elites e Finanças: O concelho de Penafiel na reforma liberal (1834-1851). Penafiel: Museu Municipal de Penafiel, Estudos e Documentos, n.º 3, 2010.