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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Foto Antony - Figuras Típicas (Parte II)

Figuras Típicas
do concelho de Penafiel


Memórias de outrora captados por António Guimarães...
Figuras Típicas - “O rapaz dos plásticos”

Na imagem observa-se um menino, com um guarda-chuva e com várias embalagens plásticas presas ao corpo, possivelmente, para venda. Segundo o autor, este menino era de Vila Boa de Quires.

Data: 06/06/1963 ...

Reportagem n.º 1733

Material: negativo
Figuras Típicas - “O Artur das peneiras”

A imagem retrata o senhor “Artur das peneiras”, “… que arrasta atrás de si, pela vida fora, um burrito de olhos mortiços, embora de orelhas afiladas, para o que der e vier…”. Este vendedor, segundo o livro de figuras Típicas de Penafiel, ao passar pelas ruas provocava várias considerações, não era do concelho de Penafiel, mas passava pelo mesmo muitas veze...s. Era bem conhecido das gentes desta cidade e fazia “bastante negócio”. De nome Artur de Castro, era “do lugar de Casadela , freguesia de S. Gens, ali de Fafe… Tem 48 anos e, desde que nasceu faz peneiras, garante-as e vende-as. São de todas as qualidades e tamanhos… uma peneira das pequenas anda à volta dos seis escudos…
O sr. Artur das Peneiras calcorreia o Norte frequentemente e, pelo Sul, estende-se até S. João da Madeira. Mas, em seu entender, o negócio não rende o suficiente para se bastar. Portanto, quando desanima, deixa as peneiras e dedica-se ao trabalho: o «jornal»; depois, vêm-lhe as saudades e volta a dedicar-se ao ofício que, embora não seja pesado, é de volume, pois as peneiras, sendo de tamanhos iguais, custam a acamar em cima da burra. As que ele traz às costas servem de mostruário e embora o lote seja grande ninguém pode afirmar, ao contrário de muitos que por ai existem, que ele «anda cheio de peneiras» …”*
Na imagem é possível ver o Sr. Artur, carregado com várias peneiras, a puxar o seu burro que transporta outras tantas.
*Cf. GUIMARÃES, António – Figuras Típicas de Penafiel: António Guimarães (Antony).Penafiel: Câmara Municipal de Penafiel, Biblioteca Museu.1991.p.115-116.

Data: 06/04/1963

Reportagem n.º 1703

Material: negativo

Figuras Típicas – “O casal das pinhas”

A imagem apresenta um cavalo a puxar uma carroça, com um casal, sentados em cima dos vários sacos de pinhas que, possivelmente, transportavam para venda.

Data: 14/06/1963...

Reportagem n.º 1747

Material: positivo

Figuras Típicas - “O Manel das facas”

Na imagem podemos ver o senhor “Manel das facas” que, segundo o livro das Figuras Típicas de Penafiel, quando ele se aproximava ouvia-se “… o estribilho «Faquinhas baratas…» e quando lhe perguntamos por qualquer espécie de faca ou outro cortante, logo apura os ouvidos e diz: «Ora diga, diga…» …
De pele encarquilhada pelo rodar do tempo, pelas quezílias que u...m homem sofre com esse rodar…o sr. Manuel Fernando, por apelido o «Manel Faqueiro», com 73 anos já feitos, que nasceu nas Caldas das Taipas, não quer outro ofício. Nunca se cortou, nem cortou ninguém. Vende-as assim e quem quiser que as amole…
Há mais de 50 anos que reside em São Vicente, onde tem uma casinha. Foi a providência que lha deu…
De saco às costas com objectos cortantes ou não – que importa! Quem quiser que as amole… - o homem das facas é prudente: Não as usa de dois gumes, nem muito afiadas. …
O «Manel Faqueiro» tem a sua filosofia, mas sabe vender…” *
*Cf. GUIMARÃES, António – Figuras Típicas de Penafiel: António Guimarães (Antony). Penafiel: Câmara Municipal de Penafiel, Biblioteca Museu.1991.p.195-196.

Data: 21/06/1963

Reportagem n.º 1750

Material: negativo


Foto Antony - Figuras Típicas (Parte I)

Figuras Típicas
do concelho de Penafiel


Memórias de outrora captados por António Guimarães...

Figuras Típicas - “O Azeiteiro”

A imagem retrata um senhor a ajeitar o seu burro que carrega bilhas de azeite.

Data: 22/05/1963...

Reportagem n.º 1725

Material: negativo
Figuras Típicas - “O galinheiro”

“O rapaz das galinhas, que percorre diariamente os mais escusos caminhos do sul do concelho, vem à cidade uma vez por outra; esforça-se por se desfazer dos frangotes, principalmente dos que não tem penas no pescoço; quanto a estes, mostra aos fregueses a carne amarelinha e garante a autenticidade da criação, mas não pode mostrar o certificado de origem…
A preferên...cia pelas galinhas faz com que a cotação seja superior, tanto mais que um ditado afirma: «Galinha não nasce, que não esgravate…»”*
É possível ver-se um menino com um burro a carregar uma gaiola, cheia de galinhas, para vender na cidade e no concelho.

*Cf. GUIMARÃES, António – Figuras Típicas de Penafiel: António Guimarães (Antony).Penafiel: Câmara Municipal de Penafiel, Biblioteca Museu.1991.p.89-90.

Data: 22/05/1963

Reportagem n.º 1725

Material: negativo
Figuras Típicas - “A mulher das lampreias”

A imagem retrata a: “sr.ª Ana Augusta Pereira, também conhecida pela sr.ª Ana Branco, e ainda mais pela Ana Branquinha, é morena, excessivamente morena, esguia, mexida, simpática e muito «faladeira». Vê-se, à excepção do «palratório», que nasceu, cresceu e desenvolveu-se entre as lampreias, adquirindo-lhe até os hábitos… Estas palavras são suas, embora ...ditas de forma diferente, o que modificamos para não ferirmos susceptibilidades… O seu nome Branquinha, vem-lhe do marido, que usava chamar-se Branco, como era conhecido por Paiva, por Castelo e por todas as terras em redor.”*
A D. Ana Pereira, conhecida em Penafiel como a “mulher das lampreias”, aparece na imagem com um raspador para limpar as mesmas e aos seus pés, um recipiente com as lampreias.

*Cf. GUIMARÃES, António – Figuras Típicas de Penafiel: António Guimarães (Antony). Penafiel: Câmara Municipal de Penafiel, Biblioteca Museu.1991.p.53-54.

Data: 17/03/1962

Reportagem n.º1486

Material: negativo

Figuras Típicas - “Maçãs e pêssegos”.

Na imagem vê-se uma senhora sentada, com dois cestos de vime. Num tem maçãs e pêssegos e no outro pimentos. Estes produtos agrícolas seriam para venda.

Data: 24/08/62 ...

Reportagem n.º 1554

Material: positivo


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

ArquiJovem - Publicação

Conhece as nossas mascotes…
O Arquivo Municipal de Penafiel possui uma publicação denominada “Arquijovem” tentando com este divulgar o Arquivo, especialmente, por entre as camadas mais jovens do nosso concelho.
O objectivo desta publicação... é sensibilizar as crianças, e os adultos que lidam com elas diariamente, para a importância da preservação da informação e de como esta constitui a nossa memória, a memória dos nossos tempos, a história do nosso concelho.
Este primeiro número do Arquijovem apresenta os amigos e protectores dos documentos, recorrendo a personagens da lenda de Arrifana de Sousa, mas também alguns dos seus inimigos, que teimam em fazer-lhe mal e com quem o Arquivo se debate fielmente, para garantir o seu bom estado de conservação e para que possam estar, deste modo, acessíveis a todos.
Vamos, ao longo de algumas semanas, dar a conhecer as nossas mascotes e o papel que cada uma desempenha, no nosso Arquivo.

Fica atento…

Elaborado por Joana Ribeiro

Sabia que... (tratamento e protocolo de depósito sobre a documentação)

Sabia que…Até o ano de 2004, o acervo documental da Casa das Mouras permaneceu sempre dentro deste imóvel localizado na freguesia de Rio de Moinhos. A partir de 2001, este acervo constituído por arquivo e biblioteca começa a ser tratado e... estudado pelo Arquivo Municipal de Penafiel. Encontrava-se depositado numa sala do lado direito da entrada principal da casa, com cerca de cinquenta metros lineares e usada pela família como depósito de documentação, ainda que esta não tivesse sido construída para tal nem apresentasse as condições ideais de conservação dos documentos. Com tecto, chão, portas e portadas das janelas em madeira antiga e paredes em estuque, a sala apresentava-se um pouco deteriorada, sendo raro a abertura das duas janelas existentes e proporcionando assim um ambiente fechado onde não se verificava a circulação do ar.
Sala onde até 2004 esteve depositada a documentação (foto atual depois do restauro da Casa das Mouras)
Ainda durante esta altura, realizaram-se testes de temperatura e humidade relativa, obtendo-se os valores médios de 20ºC de temperatura e 82% de humidade relativa. Não existia nenhum equipamento de defesa preventivo, contra sinistros. Em termos de acomodação, o arquivo e biblioteca encontravam-se distribuídos por 28 estantes em madeira, abertas. Alguns documentos estavam próximos ao chão, não levando em atenção o espaço mínimo obrigatório de 16 cm para a protecção dos livros. Nesta altura, estava o arquivo e biblioteca da Casa das Mouras destinado a ser tratado e estudado dentro da casa, no entanto por razões de restauração do edifício, a família proprietária da Casa das Mouras concordou em depositar toda a documentação no Arquivo Municipal de Penafiel. A minuta do protocolo foi aprovada em reunião de Câmara, no dia 5 de Julho de 2004, assinando-se o protocolo no dia 27 de Setembro de 2004, nas instalações do AMPNF.
Depois da entrada da documentação no Arquivo Municipal de Penafiel, esta foi sujeita a uma desinfestação por anóxia, que consiste num controlo da percentagem de oxigénio e da humidade relativa numa “bolha” de alumínio revestida a polietileno. Diminui-se assim, gradualmente, a percentagem de oxigénio pela introdução de um gás inerte de propriedades não tóxicas - o azoto – que afeta todas as fases do ciclo biológico das espécies a controlar, e mantém a documentação inalterada. O processo teve o seu início a 9 de Fevereiro de 2005 e terminou a 20 de Março de 2005, verificando-se depois da abertura da câmara, a inexistência de xilófagos vivos.
Brevemente, continuaremos com mais informações sobre todo este processo de tratamento da documentação do Arquivo da Casa das Mouras…

Texto elaborado por Vilma Cardoso

(Fonte: Cardoso, Vilma Joana Correia Paiva de Freitas – “O Arquivo da Casa das Mouras: estudo orgânico e sua representação através do modelo sistémico”. Dissertação de Mestrado em História e Património – Ramo Arquivos Históricos, apresentada na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2013)

Sabia que... (Partituras)

Sabia que…

Contam parte da História da Música de Penafiel vários maços de partituras que se encontram na Igreja da Ordem Terceira do Carmo? Nesses maços (cota PT/VOTC/B/C/004), datados do século XIX e XX, encontramos, por exemplo, a trans...crição de um dueto da ópera “Macbeth” de Giuseppe Verdi; um arranjo da ópera homónima mas para banda filarmónica; música litúrgica, nomeadamente, uma “Missa de Nossa Senhora do Carmo”, datada de 1880, uma “Ladainha de Nossa Senhora”, uma “Novena de Nossa Senhora do Carmo” num arranjo feito por J. M. Cardozo ou, ainda, “Da Novena para Nossa Senhora do Carmo”, reformada, como consta, “no dia 7 de Julho de 1853 por António Baptista da Suécia”. Saliento, como curiosidade, que os instrumentos de percussão aparecem referidos nalguns desses arranjos com a designação de “pancadaria”.
Referência, no inventário de 1819 à existência de "Hum órgão pintado"
Estas partituras estão intimamente ligadas à prática musical que se fazia em tempos recuados no coro-alto da dita igreja, espaço onde ainda hoje se encontra um órgão de ignoto mestre e oficina, restaurado em 1819 – como nos revela uma inscrição no seu interior - e que carece hoje de um aturado restauro. De sublinhar também a intensa relação que as partituras terão tido com o coreto localizado no recinto intramuros que no século XIX recebia agrupamentos musicais incluindo bandas filarmónicas com uma constituição um pouco diferente daquela a que estamos habituados a ver e a ouvir hoje.
Pormenor de arranjo de Macbeth para saxofone
Por fim, estes testemunhos vivos que são as partituras e o órgão contam ainda com algumas notas de despesa oitocentistas e novecentistas onde se podem ler inúmeras referências a festas; aos gastos com músicos que abrilhantavam as festas; a cantores destacados para o ofício da missa; ao “transporte do harmónio do Porto para Penafiel” a 21 de Julho de 1963 por 25 escudos; à “reparação do órgão” a 31 de Julho de 1983 por 4.000; ao “ aluguer de harmónio” por 140; a vários gastos registados num caderno de despesa da Igreja, datado de 1819, com gastos referentes a “cornetas”, “tambores”, “música militar”, “padre cantochão”.
Rosto de partitura para violino "Da Novena de Nossa Senhora do Carmo"
As partituras carecem ser transcritas para notação moderna para que possam vir a ser tocadas e ouvidas porque são notas que denunciam uma intensa história da música por revelar na cidade de Penafiel.

Elaborado por Sónia Duarte







Crónica do médico dos livros VII

Cuidados com os documentos:


Nunca se deve apoiar ou escrever sobre um documento (aberto ou fechado). Se precisar de tirar notas escreva sobre a mesa e não sobre o documento. E jamais deve escrever seja o que for num documento.




Durante a consulta de um documento, nunca apoie os braços sobre o mesmo.





Ao retirar um livro da estante, nunca o faça pela parte de cima da lombada.


Sabia que... (protocolo de depósito da documentação)

Sabia que...
A Câmara Municipal de Penafiel estabeleceu com a Casa de Mesão Frio, em Valpedre, em julho de 2005, um protocolo de depósito do arquivo da família, para evitar que com as divisões de herança, o arquivo se perdesse. Assim, este... encontra-se guardado no Arquivo Municipal de Penafiel e, apesar de continuar a ser da família, pode deste modo, ser devidamente preservado e tornar possível o estudo da informação, ficando os herdeiros com cópia em suporte digital.
Casa de Mesão Frio - Valpedre
Elaborado por Joana Ribeiro

Pode consultar a documentação online através do programa do Arquivo Municipal.

http://geadopac.cm-penafiel.pt/

Crónica do médico dos livros VI

Fotografia em vidro

O vidro foi usado em fotografia para a produção de negativos e de diapositivos de lanterna, em voga no século XIX e primeiros anos do século XX. Embora seja um material estável e que se manteve durante muitos anos em bom estado, o vidro apresenta algumas formas de deterioração que são a causa de problemas graves em conservação de fotografia.

Legenda Imagem_14 – Negativo em vidro, do espólio da FotoAntony.

Crónica do medico dos livros V

Papel, cartolina ou cartão?

Considera-se cartolina um papel espesso, com uma gramagem superior a 180 ou 200g. É cartão, quando excede os 350g.

Os papéis podem ser muito finos, ou quase cartolinas; as suas diferenças são claramente apreciáveis pela sua transparência e finura. Pelo contrário, as diferenças de gramagem nas cartolinas não são tão facilmente apreciáveis. O espectro de gramagens não é tão amplo, uma vez que se situam entre o papel e o cartão. Com o cartão, tal como com o papel, encontraremos todo o tipo de gramagem; leves, ou nos limites espessos e pesados: não existe limite de gramagem.

Cartolinas artesanais secando de forma natural.

A cartolina é mais resistente que o papel devido à sua maior densidade. É muito adequada para o uso artístico e para manipulados que precisem de uma certa rigidez.

Mostruários antigos de cartão.

Crónica do médico dos livros IV

Características e propriedades do papel

 Normalmente, cada papel, seja artesanal ou industrial, tem:

Um nome: “arches”, “basis”, ingres”, etc.
Uma composição: 100% algodão, 50% kraft + 50% eucalipto, etc.
Um uso: desenho, aguarela, decorativo, etc.
Uma gramagem: (90g, 120g, 240g, 360g, etc.) de acordo com a qual será papel, cartolina ou cartão, e que lhe dará também uma espessura;
Um tamanho definido em centímetros ou por números estandardizados (DIN A4, Couronne, Coquille, etc.)
Uma cor: cru, vermelho melancia, tabaco, escarlate, violeta, etc.
Um acabamento de superfície: vitela, ripado, gravado, acetinado, brilhante, irregular, texturado, etc.
Barbas: largas, fibrosas, irregulares, muito rústicas, etc.
Marca de água;
Propriedades especiais: direcção da fibra, colas especiais, porosidade, cargas, materiais acrescentado, etc.
Uma apresentação: folhas soltas, pacotes de 10 unidades, blocos, resmas, a peso, etc.

Outras características: opacidade, dureza, resistência, flexibilidade, impermeabilidade, etc.

Diferentes acabamentos de superfície do papel artesanal

 Alguns dos formatos mais usados ao longo da história e que continuam a ser usados, devido à sua versatilidade na arte e na tipografia.

Mostruário de papéis coloridos.

Sabia que... (Abade Amaro Moreira)

O Abade Amaro Moreira
Amaro Moreira era filho de Gaspar Moreira Gonçalves e de D. Brites Duarte, da Casa de Sousa, na freguesia de Gandra, atual concelho de Paredes. Presume-se que tenha nascido antes de Novembro de 1570. Seu pai faleceu e...m 2 de fevereiro de 1588 e sua mãe a 2 de outubro de 1590.
Este homem formou-se em cânones pela Universidade de Coimbra, segundo António Sousa, antes de 1591, serviu no desembargo do Paço. Foi ouvidor em Cantanhede, tutor de D. Pedro de Meneses, filho de D. António Menezes. Ordenou-se e foi apresentado na Igreja de Mondim. Vagando depois a igreja de S. Vicente de Ermêlo, no Marão, nela foi apresentado pelo Conde de Cantanhede, seu tutelado e, aí, esteve como pároco, durante vinte e sete anos.
António de Sousa refere que o abade Amaro Moreira foi provedor da Santa Casa da Misericórdia de Penafiel em 1627, citando uma ata de eleição do mesmo, de 2 de julho de 1627, “Livro das eleições e outras coisas”, fl. 24 e 24v.”
Igreja da Misericórdia de Penafiel
Imagem da "FotoAntony"
Convém referir, que não conhecemos atas nem livros de eleições para este período. No ano de 1999, quando o Arquivo da Santa Casa foi transferido para o Arquivo Municipal, estes documentos já não existiam na Santa Casa e, portanto, não foram incorporados. Estranhamente em 16 anos, perderam-se muitos documentos, partindo do facto de António Sousa ter consultado estes documentos em 1982, data da publicação do seu artigo e 1999 data da incorporação do fundo no Arquivo Municipal de Penafiel.
Antes do abade Amaro Moreira ter sido provedor da Misericórdia de Penafiel, em 1 de outubro de 1619, estabeleceu com o provedor e irmãos da mesma um contrato de doação e obrigação. Nesse contrato, a Santa Casa dava a capela do hospital ao abade e este comprometia-se a reconstrui-la, para depois servir de seu panteão, bem como de seus familiares, donos da Quinta de Louredo, concelho de Aguiar de Sousa. Nesta capela seria rezada de uma missa quotidiana, com execução das sextas-feiras, cuja missa seria em “nome de Jesus e as dos sabbados de nossa Senhora”, deixando Amaro Moreira, para o efeito, 20 mil reis de renda anuais.
Igreja da Misericórdia de Penafiel "vista lateral"
Este contrato não foi, contudo, cumprido. Um segundo contrato, tal como o já referido, trasladado no 1º. Tomo do Tombo da Misericórdia da Vila de Arrifana de Sousa, de 30 de agosto de 1750, refere-nos a construção da igreja nas Chãs, em 1625, já estando nessa altura a capela-mor construída nesse local.
Não sendo possível determinar ao certo o que se passou entre 1619 e 1625, torna-se, contudo, exato que Amaro Moreira não chegou a iniciar a reconstrução da igreja do hospital, tendo optado pela construção de uma igreja nova no Largo das Chãs. A igreja do hospital foi, mais tarde dotada por António Vaz Ferreira e sua mulher Ana de Meireles.
Igreja da Misericórdia de Penafiel "foto antiga"
Infelizmente, os originais destes documentos não chegaram até nós, só existindo os traslados dos mesmos nos referidos tombos.
Segundo o dito contrato de 1625, após ter feito a capela-mor da nova igreja da Misericórdia, o abade Amaro Moreira vê-se na obrigação de continuar com a construção do corpo da mesma. Tal investimento no corpo da igreja deveu-se, ao facto, da Santa Casa não ter capacidade económica para uma construção de tal envergadura. Este benemérito vai assumir a seu cargo a construção total da igreja, frontispício e retábulo nos altares.
Amaro Moreira viria a falecer em 1642. Este homem foi sepultado na igreja que ergueu tal como previu e ordenou em seu testamento na sepultura que mandou executar na capela-mor.
Igreja da Misericórdia de Penafiel
Imagem da "FotoAntony"
Este abade teve um papel crucial na vida desta irmandade na 1ª. metade do século XVII e mesmo após a sua morte, pelo menos até meados do século XIX. Os legados para dotar órfãs e vestir pobres, quer em Ermelo, quer em Gandra, quer em Arrifana, ajudaram várias gerações até à centúria de oitocentos fazendo perdurar a memória deste homem. O legado deixado a duas viúvas virtuosas para que rezassem perpetuamente por sua alma, também perdurou até finais do século XIX.

Bibliografia:
Cf. Árvore genealógica dos Moreiras, já disponível on-line em http://geadopac.cm-penafiel.pt/#/SearchAdv (utilizar Microsoft Internet Explore); SOUSA, António Gomes de “Amaro Moreira”, In separata de – O Concelho de Paredes, Boletim Municipal, nº. 5-6. Paredes, 1982-83; FERNANDES, Paula Sofia – Fundação e consolidação da Misericórdia. In, FERNANDES, Paula Sofia; GARCIA, Isabel Margarida Teixeira Dias Bessa; RODRIGUES, José Carlos; TEDIM, José Manuel – Misericórdia de Penafiel: 500 anos. Um baluarte histórico-cultural. Penafiel: Santa Casa da Misericórdia, 2009. p. 15-62.

Sabia que... (Columbano Pinto Ribeiro de Castro Portugal da Silveira)

Sabia que…
A figura mais proeminente da Casa das Mouras não nasceu lá e nem sequer era natural da Vila de Rio de Moinhos, no concelho de Penafiel? Falámos de Columbano Pinto Ribeiro de Castro Portugal da Silveira, que se ligou a esta casa através de laços matrimoniais. Nascido a 26 de novembro de 1804 na freguesia de Santo Ildefonso, cidade do Porto, Columbano era filho do Desembargador Columbano Pinto Ribeiro de Castro (conhecido por ter elaborado o Mapa da Província de Trás-os-Montes), e D. Genoveva Rita Portugal da Silveira. Orfão de pai desde o nascimento (Columbano Pinto Ribeiro de Castro morrera meses antes), e na qualidade de herdeiro universal e único filho, Columbano herdou todos os bens paternos, incluindo o título de Fidalgo Real, alcançado por seu avô Manuel Pinto Ribeiro de Castro em 1741, e a administração do Morgado de Nossa Senhora da Vela, instituído em 1673 por seu tetravô Belchior Ribeiro. Com propriedades e bens que se estendiam por todo o distrito do Porto, indo até ao concelho de Barcelos a norte e ao concelho de Santa Maria da Feira a sul, permitiu este vínculo que os bens comprados por seus antepassados não se perdessem até chegar a Columbano. 
Assinatura de Columbano Pinto Ribeiro de Castro Portugal da Silveira
De sua infância pouco se sabe, tendo partido por volta de 1808-1809 para o Brasil, aquando das invasões francesas, juntamente com sua mãe D. Genoveva, e seu padrasto, o Tenente-Coronel Isidoro de Almada e Castro, com quem esta havia casado em 1806. Sabe-se que teve uma meia-irmã, D. Matilde Leonor de Almada e Castro, cuja única informação que se tem a dá como Açafata da Rainha D. Carlota Joaquina. Ainda no Brasil, Columbano formou-se em Humanidades, tendo ainda sido Tenente de Artilharia do Exército Brasileiro. Regressando a Portugal já nos finais dos anos vinte do século XIX, acaba por se casar a 2 de fevereiro de 1835 com D. Efigénia Amália de Moura Torres, uma jovem filha de proprietários endinheirados, Rodrigo Bravo Cardoso Torres e D. Maria Máxima de Moura Torres, natural da freguesia de Rio de Moinhos.
Caminho Escuro - Comédia teatral escrita por Columbano Pinto Ribeiro de Castro Portugal da Silveira
A partir de daqui, Columbano passa a residir na casa dos antepassados maternos de sua esposa, que ficaria conhecida mais tarde como Casa das Mouras. Com ele trouxe toda a documentação que possuía, incluindo os tombos de propriedades do Morgado de Nossa Senhora da Vela e também variada documentação dos seus antepassados paternos, juntando à pouca documentação produzida pelos familiares de D. Efigénia, mas constituindo assim, grande parte do arquivo que hoje temos conhecimento. Do casamento, nasceram nove filhos, cinco rapazes e quatro raparigas entre 1836 e 1849, tendo o nome mais sonante desta prol em D. Maria Henriqueta Torres de Castro, que já depois de casada tornar-se-ia Condessa de Bovieiro.
Documentos produzidos por Columbano Pinto Ribeiro de Castro Portugal da Silveira
Durante a sua vida, Columbano não se destacou só como proprietário e morgado, tendo ocupado vários cargos políticos ao nível concelhio. Foi vereador e vogal da Câmara Municipal de Penafiel nas décadas de 1840 e 1850 e entre 1868 e 1873 ocupou o cargo de Administrador do Concelho de Penafiel. Foi ainda Presidente da Junta de Freguesia da Paróquia de Rio de Moinhos, no ano de 1874. À carreira política, Columbano juntou também o gosto pela literatura e o estudo da genealogia. Preocupou-se não só em deixar apontamentos genealógicos sobre sua família, como em reunir a documentação antiga, existindo exemplares da História Genealógica da Casa Real Portuguesa na parte de biblioteca da Casa das Mouras. Nunca tendo publicado uma obra literária, legou-nos no entanto, dois livros de peças teatrais da sua autoria, encontrando-se ainda alguns poemas escritos nos versos de vários documentos pessoais. É ainda o maior produtor de informação da Casa das Mouras, possuindo mais de sete dezenas de documentos dentro deste fundo.
Capela onde jaz Columbano Pinto Ribeiro de Castro Portugal da Silveira, anexa à Igreja Paroquial de Rio de Moinhos
Columbano Pinto Ribeiro de Castro Portugal da Silveira morreria a 24 de novembro de 1877, numa das suas residências na cidade do Porto, sendo sepultado na capela que mandara erigir numa das laterais da igreja paroquial de Rio de Moinhos e, onde ainda hoje está e se pode ver as iniciais de Columbano.


Elaborado por Vilma Cardoso

(Fonte: Arquivo da Casa das Mouras, PT/AMPNF/CMOU. Arquivo Municipal de Penafiel)

Crónica dos médicos II

Antecedentes do papel.

Desde a sua origem, o homem sentiu a necessidade de expressar graficamente a sua vida e os seus anseios. Primeiro nas paredes das cavernas, mais tarde nas placas de mármore ou bronze, depois em placas de argila, de tartaruga, osso, madeira ou cera. Contudo, e à medida que as civilizações iam evoluindo, tornava-se necessário um material mais leve, de fácil armazenamento e transporte. Assim, nasceram de forma independente e em três pontos do planeta, três suportes fibrosos de características muito semelhantes: no Mediterrâneo: o papiro, na América: o papel pré-colombiano, e no extremo Oriente: o papel, tal como o conhecemos hoje em dia.


Tábua romana de Badalona. Bronze. Museu de Badalona (Espanha)

Placas de cera, com o stylus.

Placa de argila mesopotâmica do palácio real de Ebla

Crónica dos Médicos dos Livros I

Os documentos são testemunhos escritos de memórias, pedaços de vidas, fontes fundamentais para a elaboração da história. Todos temos a função de os conservar, preservar e, quando necessário, restaurar.

Conservação é um conjunto de medidas de intervenção sistemática e directa nos documentos com o objectivo de impedir a sua degradação, sem alterar as características físicas dos suportes.

Higienização dos documentos, com pincel japonês.



Preservação é um conjunto de medidas de gestão tendentes a neutralizar potenciais fatores de degradação dos documentos.
Pergaminho acondicionado em pasta, feita em cartão livre de ácido e poliéster.



Desinfestação por anóxia.
Restauro é um conjunto de técnicas utilizadas para a recuperação dos suportes e/ou eliminação dos danos causados na documentação pelo tempo, uso ou outros factores. Implica uma intervenção direta e tratamento do documento.

Sabia que...(Membros Executivos da Junta século XX)

Sabia que...
A lei de 7 de agosto de 1913, nos seus artigos 141 e 142, estipulou que todas as juntas de freguesia se deviam compor de 5 membros e que as suas funções seriam deliberativas e executivas. A partir de 1916, as paróquias civis p...assam a ter a denominação oficial de freguesias, designando-se por junta de freguesia. O código administrativo de 1936, determinou que as juntas de freguesia se deveriam compor de 3 vogais, eleitos trienalmente, pelos chefes de família. Na 1.ª reunião, após a eleição, era eleito o presidente, o tesoureiro e o secretário. A partir de 1940, a junta de freguesia passou a ser eleita quadrienalmente.
Em 1902, em Rio de Moinhos, o presidente continuou a ser o pároco da freguesia, o Reverendo Agostinho de Jesus Ferreira, sendo o tesoureiro José Mendes Moreira. Em 1905 continuou o padre à frente da paróquia civil, bem como no ano de 1908. Em 1910 toma posse a comissão administrativa paroquial nomeada pelo Governador Civil do Porto, sendo seu presidente, Manuel Ferreira da Fonseca e vice-presidente, António da Rocha e Sousa. Em 1912, continua Manuel Ferreira da Fonseca como Presidente mantendo também o mesmo vice-presidente. 

Em 1914, foi eleita a nova junta, ficando como presidente Francisco de Sousa Moreira e vice-presidente Augusto Peixoto Geraldes de Albuquerque, em 1918 continuam os mesmos indivíduos.
Em 1919, realizam-se novas eleições, continuando Francisco de Sousa Moreira à frente dos destinos da mesma e, desta vez, para vice-presidente ficou José Maria Soares Vieira de Andrade. Em 1923, continuaram os mesmos. Em 1926, continua Francisco de Sousa Moreira, mudando o vice-presidente, que passou a ser José Vieira das Neves.
No ano de 1931, Francisco de Sousa Moreira continuou à frente dos desígnios da junta, ficando como vice-presidente António Ferreira Lourenço. Em 1932, foi constituída a comissão administrativa interina da junta de freguesia, tendo o presidente, Belarmino Leite Oliveira Carvalho e Araújo, sido nomeado por decreto n.º 11904, mas o vice-presidente manteve-se.
Em 1937, as eleições mudaram o executivo da junta de freguesia, sendo agora eleito como presidente, José Pereira da Rocha (proprietário da Casa das Mouras), como secretário Manuel da Rocha Soares Júnior e como tesoureiro Manuel Mendes Moreira. Estes mantêm-se nas eleições de 1941. Em 1945, a junta mudou, ficando como presidente, Franquelim Pedro dos Anjos, secretário António Pinto e o tesoureiro Francisco de Sousa Moreira. Em 1950, José Pereira da Rocha regressa à presidência da junta, sendo secretário, António da Rocha e Sousa e tesoureiro, António Ferreira dos Santos. Em 1959, continua o mesmo presidente e secretário, mudando apenas o tesoureiro que, de 1959 a 1962, passou a ser Manuel Fernando Pereira da Silva. Em 1962, este ausentou-se para a freguesia de Galegos, ficando no seu lugar Álvaro Peixoto de Albuquerque.
As eleições de 1963, mantiveram estes 3 homens à frente da junta. Sendo de salientar o tempo que José Pereira da Rocha esteve como presidente da junta de freguesia.

Continua….

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Sabia que... (ofício: tecedeira)

Sabia que...
Com o Regimento dos Ofícios das Tecedeiras de 1742 (AMPNF/A/4, Livro de registo dos acórdãos e mais coisas pertencentes à Câmara, 1742) ficamos a conhecer melhor este oficio no século XVII. A profissão de tecedeira era eminen...temente feminina ou contrário do que acontecia noutras grandes cidades do país na mesma época. As tecedeiras faziam obras em linho e estopa lisos e também texturas mais elaboradas, correspondendo ao que atualmente é conhecido entre as tecedeiras por empeirado, com texturas de olhos delgados. As formas de pagamento variavam de acordo com o grau de especialização da tarefa – tal acontece por exemplo, ao referido pano com textura de olhos delgados com preço superior face, por exemplo, ao de textura simples, tipo tafetá. A operação de urdir a teia tem um pagamento próprio – dada a especialização da tarefa e que consta também de merenda pelo facto desta tarefa ser executada na casa do cliente. Relativamente aos outros preços, o valor do tecido em linho é superior ao da estopa, reduzindo-se este sempre que a fibra é mais grosseira.

Este documento encontra-se no Arquivo Municipal de Penafiel.

Se pretender saber mais sobre o Ciclo do Linho no Concelho de Penafiel pode consultar em:
http://repositorio-aberto.up.pt/handle/10216/56113

Sabia que... (Membros Executivos da Junta século XIX)

Sabia que...
O tratamento arquivístico do fundo da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos permitiu-nos conhecer os membros do executivo da mesma, desde 1837.
A ata da eleição de 1837 permitiu-nos saber quem iria formar o executivo da mesma, ...contudo, não demonstrou como foram distribuídos os cargos.
De 1837 a 1879 não possuímos mais qualquer tipo de referência à constituição da Junta, com exceção do ano de 1874, em que sabemos que Columbano Pinto Ribeiro de Castro Portugal da Silveira (proprietário da Casa das Mouras em Rio de Moinhos), também, fazia parte dos destinos da mesma.
Em 1879, o presidente era José Pinto Soares Rodrigues Ferreira e o tesoureiro Bento Ferreira de Jesus.
Em 1884, o secretário era Gonçalo de Moura e Castro e o tesoureiro Adriano Nogueira Soares.
Para os anos que medeiam, entre 1884-1887, só possuímos os nomes dos vogais efetivos e substitutos.
Em 1888, o presidente era Manuel Ferreira da Fonseca e o secretário Manuel Bento Fernandes.
Em 1893, o presidente era António Soares do Souto, o vice-presidente João Ferreira de Corcumelos, o secretário António Pereira de Vista Alegre e o tesoureiro Manuel da Costa Alves.
Em 1896, o presidente era o pároco reverendo Agostinho de Jesus Ferreira e o tesoureiro António Mendes Moreira.
Em 1899, o presidente manteve-se e o tesoureiro foi José Mendes Moreira.
As juntas de Paróquia Civis foram criadas pelo Governo Provisório em 1830. Sendo eleitas pelos chefes de família ou cabeças de casal e os mandatos eram bienais.
O Pároco foi mantido como Presidente da Junta até ao Código administrativo de 1870, de Dias Ferreira, que acabou com a Presidência por parte dos párocos. Mas o diploma foi revogado 5 meses depois da sua publicação. Os párocos só saíram da presidência das Juntas em 1878. Regressaram, contudo, em 2 de Março de 1895, continuando até à implantação da Republica.