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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Crónica do médico dos livros VI

Fotografia em vidro

O vidro foi usado em fotografia para a produção de negativos e de diapositivos de lanterna, em voga no século XIX e primeiros anos do século XX. Embora seja um material estável e que se manteve durante muitos anos em bom estado, o vidro apresenta algumas formas de deterioração que são a causa de problemas graves em conservação de fotografia.

Legenda Imagem_14 – Negativo em vidro, do espólio da FotoAntony.

Crónica do medico dos livros V

Papel, cartolina ou cartão?

Considera-se cartolina um papel espesso, com uma gramagem superior a 180 ou 200g. É cartão, quando excede os 350g.

Os papéis podem ser muito finos, ou quase cartolinas; as suas diferenças são claramente apreciáveis pela sua transparência e finura. Pelo contrário, as diferenças de gramagem nas cartolinas não são tão facilmente apreciáveis. O espectro de gramagens não é tão amplo, uma vez que se situam entre o papel e o cartão. Com o cartão, tal como com o papel, encontraremos todo o tipo de gramagem; leves, ou nos limites espessos e pesados: não existe limite de gramagem.

Cartolinas artesanais secando de forma natural.

A cartolina é mais resistente que o papel devido à sua maior densidade. É muito adequada para o uso artístico e para manipulados que precisem de uma certa rigidez.

Mostruários antigos de cartão.

Crónica do médico dos livros IV

Características e propriedades do papel

 Normalmente, cada papel, seja artesanal ou industrial, tem:

Um nome: “arches”, “basis”, ingres”, etc.
Uma composição: 100% algodão, 50% kraft + 50% eucalipto, etc.
Um uso: desenho, aguarela, decorativo, etc.
Uma gramagem: (90g, 120g, 240g, 360g, etc.) de acordo com a qual será papel, cartolina ou cartão, e que lhe dará também uma espessura;
Um tamanho definido em centímetros ou por números estandardizados (DIN A4, Couronne, Coquille, etc.)
Uma cor: cru, vermelho melancia, tabaco, escarlate, violeta, etc.
Um acabamento de superfície: vitela, ripado, gravado, acetinado, brilhante, irregular, texturado, etc.
Barbas: largas, fibrosas, irregulares, muito rústicas, etc.
Marca de água;
Propriedades especiais: direcção da fibra, colas especiais, porosidade, cargas, materiais acrescentado, etc.
Uma apresentação: folhas soltas, pacotes de 10 unidades, blocos, resmas, a peso, etc.

Outras características: opacidade, dureza, resistência, flexibilidade, impermeabilidade, etc.

Diferentes acabamentos de superfície do papel artesanal

 Alguns dos formatos mais usados ao longo da história e que continuam a ser usados, devido à sua versatilidade na arte e na tipografia.

Mostruário de papéis coloridos.

Sabia que... (Abade Amaro Moreira)

O Abade Amaro Moreira
Amaro Moreira era filho de Gaspar Moreira Gonçalves e de D. Brites Duarte, da Casa de Sousa, na freguesia de Gandra, atual concelho de Paredes. Presume-se que tenha nascido antes de Novembro de 1570. Seu pai faleceu e...m 2 de fevereiro de 1588 e sua mãe a 2 de outubro de 1590.
Este homem formou-se em cânones pela Universidade de Coimbra, segundo António Sousa, antes de 1591, serviu no desembargo do Paço. Foi ouvidor em Cantanhede, tutor de D. Pedro de Meneses, filho de D. António Menezes. Ordenou-se e foi apresentado na Igreja de Mondim. Vagando depois a igreja de S. Vicente de Ermêlo, no Marão, nela foi apresentado pelo Conde de Cantanhede, seu tutelado e, aí, esteve como pároco, durante vinte e sete anos.
António de Sousa refere que o abade Amaro Moreira foi provedor da Santa Casa da Misericórdia de Penafiel em 1627, citando uma ata de eleição do mesmo, de 2 de julho de 1627, “Livro das eleições e outras coisas”, fl. 24 e 24v.”
Igreja da Misericórdia de Penafiel
Imagem da "FotoAntony"
Convém referir, que não conhecemos atas nem livros de eleições para este período. No ano de 1999, quando o Arquivo da Santa Casa foi transferido para o Arquivo Municipal, estes documentos já não existiam na Santa Casa e, portanto, não foram incorporados. Estranhamente em 16 anos, perderam-se muitos documentos, partindo do facto de António Sousa ter consultado estes documentos em 1982, data da publicação do seu artigo e 1999 data da incorporação do fundo no Arquivo Municipal de Penafiel.
Antes do abade Amaro Moreira ter sido provedor da Misericórdia de Penafiel, em 1 de outubro de 1619, estabeleceu com o provedor e irmãos da mesma um contrato de doação e obrigação. Nesse contrato, a Santa Casa dava a capela do hospital ao abade e este comprometia-se a reconstrui-la, para depois servir de seu panteão, bem como de seus familiares, donos da Quinta de Louredo, concelho de Aguiar de Sousa. Nesta capela seria rezada de uma missa quotidiana, com execução das sextas-feiras, cuja missa seria em “nome de Jesus e as dos sabbados de nossa Senhora”, deixando Amaro Moreira, para o efeito, 20 mil reis de renda anuais.
Igreja da Misericórdia de Penafiel "vista lateral"
Este contrato não foi, contudo, cumprido. Um segundo contrato, tal como o já referido, trasladado no 1º. Tomo do Tombo da Misericórdia da Vila de Arrifana de Sousa, de 30 de agosto de 1750, refere-nos a construção da igreja nas Chãs, em 1625, já estando nessa altura a capela-mor construída nesse local.
Não sendo possível determinar ao certo o que se passou entre 1619 e 1625, torna-se, contudo, exato que Amaro Moreira não chegou a iniciar a reconstrução da igreja do hospital, tendo optado pela construção de uma igreja nova no Largo das Chãs. A igreja do hospital foi, mais tarde dotada por António Vaz Ferreira e sua mulher Ana de Meireles.
Igreja da Misericórdia de Penafiel "foto antiga"
Infelizmente, os originais destes documentos não chegaram até nós, só existindo os traslados dos mesmos nos referidos tombos.
Segundo o dito contrato de 1625, após ter feito a capela-mor da nova igreja da Misericórdia, o abade Amaro Moreira vê-se na obrigação de continuar com a construção do corpo da mesma. Tal investimento no corpo da igreja deveu-se, ao facto, da Santa Casa não ter capacidade económica para uma construção de tal envergadura. Este benemérito vai assumir a seu cargo a construção total da igreja, frontispício e retábulo nos altares.
Amaro Moreira viria a falecer em 1642. Este homem foi sepultado na igreja que ergueu tal como previu e ordenou em seu testamento na sepultura que mandou executar na capela-mor.
Igreja da Misericórdia de Penafiel
Imagem da "FotoAntony"
Este abade teve um papel crucial na vida desta irmandade na 1ª. metade do século XVII e mesmo após a sua morte, pelo menos até meados do século XIX. Os legados para dotar órfãs e vestir pobres, quer em Ermelo, quer em Gandra, quer em Arrifana, ajudaram várias gerações até à centúria de oitocentos fazendo perdurar a memória deste homem. O legado deixado a duas viúvas virtuosas para que rezassem perpetuamente por sua alma, também perdurou até finais do século XIX.

Bibliografia:
Cf. Árvore genealógica dos Moreiras, já disponível on-line em http://geadopac.cm-penafiel.pt/#/SearchAdv (utilizar Microsoft Internet Explore); SOUSA, António Gomes de “Amaro Moreira”, In separata de – O Concelho de Paredes, Boletim Municipal, nº. 5-6. Paredes, 1982-83; FERNANDES, Paula Sofia – Fundação e consolidação da Misericórdia. In, FERNANDES, Paula Sofia; GARCIA, Isabel Margarida Teixeira Dias Bessa; RODRIGUES, José Carlos; TEDIM, José Manuel – Misericórdia de Penafiel: 500 anos. Um baluarte histórico-cultural. Penafiel: Santa Casa da Misericórdia, 2009. p. 15-62.

Sabia que... (Columbano Pinto Ribeiro de Castro Portugal da Silveira)

Sabia que…
A figura mais proeminente da Casa das Mouras não nasceu lá e nem sequer era natural da Vila de Rio de Moinhos, no concelho de Penafiel? Falámos de Columbano Pinto Ribeiro de Castro Portugal da Silveira, que se ligou a esta casa através de laços matrimoniais. Nascido a 26 de novembro de 1804 na freguesia de Santo Ildefonso, cidade do Porto, Columbano era filho do Desembargador Columbano Pinto Ribeiro de Castro (conhecido por ter elaborado o Mapa da Província de Trás-os-Montes), e D. Genoveva Rita Portugal da Silveira. Orfão de pai desde o nascimento (Columbano Pinto Ribeiro de Castro morrera meses antes), e na qualidade de herdeiro universal e único filho, Columbano herdou todos os bens paternos, incluindo o título de Fidalgo Real, alcançado por seu avô Manuel Pinto Ribeiro de Castro em 1741, e a administração do Morgado de Nossa Senhora da Vela, instituído em 1673 por seu tetravô Belchior Ribeiro. Com propriedades e bens que se estendiam por todo o distrito do Porto, indo até ao concelho de Barcelos a norte e ao concelho de Santa Maria da Feira a sul, permitiu este vínculo que os bens comprados por seus antepassados não se perdessem até chegar a Columbano. 
Assinatura de Columbano Pinto Ribeiro de Castro Portugal da Silveira
De sua infância pouco se sabe, tendo partido por volta de 1808-1809 para o Brasil, aquando das invasões francesas, juntamente com sua mãe D. Genoveva, e seu padrasto, o Tenente-Coronel Isidoro de Almada e Castro, com quem esta havia casado em 1806. Sabe-se que teve uma meia-irmã, D. Matilde Leonor de Almada e Castro, cuja única informação que se tem a dá como Açafata da Rainha D. Carlota Joaquina. Ainda no Brasil, Columbano formou-se em Humanidades, tendo ainda sido Tenente de Artilharia do Exército Brasileiro. Regressando a Portugal já nos finais dos anos vinte do século XIX, acaba por se casar a 2 de fevereiro de 1835 com D. Efigénia Amália de Moura Torres, uma jovem filha de proprietários endinheirados, Rodrigo Bravo Cardoso Torres e D. Maria Máxima de Moura Torres, natural da freguesia de Rio de Moinhos.
Caminho Escuro - Comédia teatral escrita por Columbano Pinto Ribeiro de Castro Portugal da Silveira
A partir de daqui, Columbano passa a residir na casa dos antepassados maternos de sua esposa, que ficaria conhecida mais tarde como Casa das Mouras. Com ele trouxe toda a documentação que possuía, incluindo os tombos de propriedades do Morgado de Nossa Senhora da Vela e também variada documentação dos seus antepassados paternos, juntando à pouca documentação produzida pelos familiares de D. Efigénia, mas constituindo assim, grande parte do arquivo que hoje temos conhecimento. Do casamento, nasceram nove filhos, cinco rapazes e quatro raparigas entre 1836 e 1849, tendo o nome mais sonante desta prol em D. Maria Henriqueta Torres de Castro, que já depois de casada tornar-se-ia Condessa de Bovieiro.
Documentos produzidos por Columbano Pinto Ribeiro de Castro Portugal da Silveira
Durante a sua vida, Columbano não se destacou só como proprietário e morgado, tendo ocupado vários cargos políticos ao nível concelhio. Foi vereador e vogal da Câmara Municipal de Penafiel nas décadas de 1840 e 1850 e entre 1868 e 1873 ocupou o cargo de Administrador do Concelho de Penafiel. Foi ainda Presidente da Junta de Freguesia da Paróquia de Rio de Moinhos, no ano de 1874. À carreira política, Columbano juntou também o gosto pela literatura e o estudo da genealogia. Preocupou-se não só em deixar apontamentos genealógicos sobre sua família, como em reunir a documentação antiga, existindo exemplares da História Genealógica da Casa Real Portuguesa na parte de biblioteca da Casa das Mouras. Nunca tendo publicado uma obra literária, legou-nos no entanto, dois livros de peças teatrais da sua autoria, encontrando-se ainda alguns poemas escritos nos versos de vários documentos pessoais. É ainda o maior produtor de informação da Casa das Mouras, possuindo mais de sete dezenas de documentos dentro deste fundo.
Capela onde jaz Columbano Pinto Ribeiro de Castro Portugal da Silveira, anexa à Igreja Paroquial de Rio de Moinhos
Columbano Pinto Ribeiro de Castro Portugal da Silveira morreria a 24 de novembro de 1877, numa das suas residências na cidade do Porto, sendo sepultado na capela que mandara erigir numa das laterais da igreja paroquial de Rio de Moinhos e, onde ainda hoje está e se pode ver as iniciais de Columbano.


Elaborado por Vilma Cardoso

(Fonte: Arquivo da Casa das Mouras, PT/AMPNF/CMOU. Arquivo Municipal de Penafiel)

Crónica dos Médicos dos Livros I

Os documentos são testemunhos escritos de memórias, pedaços de vidas, fontes fundamentais para a elaboração da história. Todos temos a função de os conservar, preservar e, quando necessário, restaurar.

Conservação é um conjunto de medidas de intervenção sistemática e directa nos documentos com o objectivo de impedir a sua degradação, sem alterar as características físicas dos suportes.

Higienização dos documentos, com pincel japonês.



Preservação é um conjunto de medidas de gestão tendentes a neutralizar potenciais fatores de degradação dos documentos.
Pergaminho acondicionado em pasta, feita em cartão livre de ácido e poliéster.



Desinfestação por anóxia.
Restauro é um conjunto de técnicas utilizadas para a recuperação dos suportes e/ou eliminação dos danos causados na documentação pelo tempo, uso ou outros factores. Implica uma intervenção direta e tratamento do documento.

Sabia que...(Membros Executivos da Junta século XX)

Sabia que...
A lei de 7 de agosto de 1913, nos seus artigos 141 e 142, estipulou que todas as juntas de freguesia se deviam compor de 5 membros e que as suas funções seriam deliberativas e executivas. A partir de 1916, as paróquias civis p...assam a ter a denominação oficial de freguesias, designando-se por junta de freguesia. O código administrativo de 1936, determinou que as juntas de freguesia se deveriam compor de 3 vogais, eleitos trienalmente, pelos chefes de família. Na 1.ª reunião, após a eleição, era eleito o presidente, o tesoureiro e o secretário. A partir de 1940, a junta de freguesia passou a ser eleita quadrienalmente.
Em 1902, em Rio de Moinhos, o presidente continuou a ser o pároco da freguesia, o Reverendo Agostinho de Jesus Ferreira, sendo o tesoureiro José Mendes Moreira. Em 1905 continuou o padre à frente da paróquia civil, bem como no ano de 1908. Em 1910 toma posse a comissão administrativa paroquial nomeada pelo Governador Civil do Porto, sendo seu presidente, Manuel Ferreira da Fonseca e vice-presidente, António da Rocha e Sousa. Em 1912, continua Manuel Ferreira da Fonseca como Presidente mantendo também o mesmo vice-presidente. 

Em 1914, foi eleita a nova junta, ficando como presidente Francisco de Sousa Moreira e vice-presidente Augusto Peixoto Geraldes de Albuquerque, em 1918 continuam os mesmos indivíduos.
Em 1919, realizam-se novas eleições, continuando Francisco de Sousa Moreira à frente dos destinos da mesma e, desta vez, para vice-presidente ficou José Maria Soares Vieira de Andrade. Em 1923, continuaram os mesmos. Em 1926, continua Francisco de Sousa Moreira, mudando o vice-presidente, que passou a ser José Vieira das Neves.
No ano de 1931, Francisco de Sousa Moreira continuou à frente dos desígnios da junta, ficando como vice-presidente António Ferreira Lourenço. Em 1932, foi constituída a comissão administrativa interina da junta de freguesia, tendo o presidente, Belarmino Leite Oliveira Carvalho e Araújo, sido nomeado por decreto n.º 11904, mas o vice-presidente manteve-se.
Em 1937, as eleições mudaram o executivo da junta de freguesia, sendo agora eleito como presidente, José Pereira da Rocha (proprietário da Casa das Mouras), como secretário Manuel da Rocha Soares Júnior e como tesoureiro Manuel Mendes Moreira. Estes mantêm-se nas eleições de 1941. Em 1945, a junta mudou, ficando como presidente, Franquelim Pedro dos Anjos, secretário António Pinto e o tesoureiro Francisco de Sousa Moreira. Em 1950, José Pereira da Rocha regressa à presidência da junta, sendo secretário, António da Rocha e Sousa e tesoureiro, António Ferreira dos Santos. Em 1959, continua o mesmo presidente e secretário, mudando apenas o tesoureiro que, de 1959 a 1962, passou a ser Manuel Fernando Pereira da Silva. Em 1962, este ausentou-se para a freguesia de Galegos, ficando no seu lugar Álvaro Peixoto de Albuquerque.
As eleições de 1963, mantiveram estes 3 homens à frente da junta. Sendo de salientar o tempo que José Pereira da Rocha esteve como presidente da junta de freguesia.

Continua….

Merchandising - Ímanes


Ímanes elaborados pela Associação de Amigos do Arquivo de Penafielcolaboração com a empresa Portugal with History. Ajude-nos a divulgar a Associação adquirindo um ímanes, por apenas 3€, com desconto de 10% para os associados dos Amigos do Arquivo.
Estes itens podem ser adquiridos na Portaria do Arquivo Municipal de Penafiel, ou enviados à cobrança.


Sabia que... (ofício: tecedeira)

Sabia que...
Com o Regimento dos Ofícios das Tecedeiras de 1742 (AMPNF/A/4, Livro de registo dos acórdãos e mais coisas pertencentes à Câmara, 1742) ficamos a conhecer melhor este oficio no século XVII. A profissão de tecedeira era eminen...temente feminina ou contrário do que acontecia noutras grandes cidades do país na mesma época. As tecedeiras faziam obras em linho e estopa lisos e também texturas mais elaboradas, correspondendo ao que atualmente é conhecido entre as tecedeiras por empeirado, com texturas de olhos delgados. As formas de pagamento variavam de acordo com o grau de especialização da tarefa – tal acontece por exemplo, ao referido pano com textura de olhos delgados com preço superior face, por exemplo, ao de textura simples, tipo tafetá. A operação de urdir a teia tem um pagamento próprio – dada a especialização da tarefa e que consta também de merenda pelo facto desta tarefa ser executada na casa do cliente. Relativamente aos outros preços, o valor do tecido em linho é superior ao da estopa, reduzindo-se este sempre que a fibra é mais grosseira.

Este documento encontra-se no Arquivo Municipal de Penafiel.

Se pretender saber mais sobre o Ciclo do Linho no Concelho de Penafiel pode consultar em:
http://repositorio-aberto.up.pt/handle/10216/56113

Sabia que... (Membros Executivos da Junta século XIX)

Sabia que...
O tratamento arquivístico do fundo da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos permitiu-nos conhecer os membros do executivo da mesma, desde 1837.
A ata da eleição de 1837 permitiu-nos saber quem iria formar o executivo da mesma, ...contudo, não demonstrou como foram distribuídos os cargos.
De 1837 a 1879 não possuímos mais qualquer tipo de referência à constituição da Junta, com exceção do ano de 1874, em que sabemos que Columbano Pinto Ribeiro de Castro Portugal da Silveira (proprietário da Casa das Mouras em Rio de Moinhos), também, fazia parte dos destinos da mesma.
Em 1879, o presidente era José Pinto Soares Rodrigues Ferreira e o tesoureiro Bento Ferreira de Jesus.
Em 1884, o secretário era Gonçalo de Moura e Castro e o tesoureiro Adriano Nogueira Soares.
Para os anos que medeiam, entre 1884-1887, só possuímos os nomes dos vogais efetivos e substitutos.
Em 1888, o presidente era Manuel Ferreira da Fonseca e o secretário Manuel Bento Fernandes.
Em 1893, o presidente era António Soares do Souto, o vice-presidente João Ferreira de Corcumelos, o secretário António Pereira de Vista Alegre e o tesoureiro Manuel da Costa Alves.
Em 1896, o presidente era o pároco reverendo Agostinho de Jesus Ferreira e o tesoureiro António Mendes Moreira.
Em 1899, o presidente manteve-se e o tesoureiro foi José Mendes Moreira.
As juntas de Paróquia Civis foram criadas pelo Governo Provisório em 1830. Sendo eleitas pelos chefes de família ou cabeças de casal e os mandatos eram bienais.
O Pároco foi mantido como Presidente da Junta até ao Código administrativo de 1870, de Dias Ferreira, que acabou com a Presidência por parte dos párocos. Mas o diploma foi revogado 5 meses depois da sua publicação. Os párocos só saíram da presidência das Juntas em 1878. Regressaram, contudo, em 2 de Março de 1895, continuando até à implantação da Republica.

Sabia que... (Carta de Brasão de Armas)

Sabia que…


Como todos os fidalgos reais que recebiam Carta de Brasão de Armas, Columbano Pinto Ribeiro de Castro Portugal da Silveira também teve um? No entanto, nunca mandou erigir um na Casa das Mouras na freguesia de Rio de Moinhos, que ocupou depois de casar com D. Efigénia Amália Moura Torres de Castro, em 1835. Não se sabe se alguma vez, seus antepassados, nomeadamente seu avô e seu pai, tiveram um brasão exposto na casa que ocupavam na Rua das Flores no Porto, no entanto, aquando da entrada na nobreza de Manuel Pinto Ribeiro de Castro, seu avô paterno, no ano de 1741, veio explícito de como seria o seu brasão.


Certidão pedida por Manuel Pinto Ribeiro de Castro sobre a sua Carta de Brasão de Armas
Numa cópia existente no Arquivo da Casa das Mouras, datada de 1777, Manuel Pinto Ribeiro de Castro pediu para que lhe passassem por certidão vários pontos da Carta de Brasão de Armas, incluindo a alegação de descendência nobre. Provava este, que sua 6ª avó paterna, Inês dos Guimarães casada com Marcos Ribeiro Homem, descendia diretamente por linha masculina, de D. Fernando da Guerra, Arcebispo de Braga e assim sendo do rei D. Pedro I e D. Inês de Castro.


Certidão pedida por Manuel Pinto Ribeiro de Castro sobre a sua Carta de Brasão de Armas
Seria o seu brasão esquartelado contendo no primeiro quartel as Armas dos Guerras “que são em campo de prata os sinco escudetes do reino com a diferença que os dous da manga hão de estar deitados com as pontas para o do meio em cada hum nove vezantes de prata em três palas com hua orla de cordão vermelho com nos de ouro e hade estar em crus com espaço que estiver em crus hade passar por sima dos vezantes dos escudos mas hade passar por baixo do do meio”. No segundo quartel estariam as Armas dos Pintos também em campo de prata com “cinco crescentes sanquinos em sautor”, no terceiro quartel as Armas dos Ribeiros com escudo liso em campo de ouro e três faixas verdes, vindo este sobrenome de seu 6º avô Marcos Ribeiro Homem, filho de Tristão Ribeiro. Por fim, no último quartel estariam as Armas dos Castros “em campo de prata, seis aruelas azuis em duas palas, elmo de prata aberto guarnecido de ouro, paquife de metaes e cores das armas timbre e dos Pintos e é hum leopardo de prata armado de purpura com diferença hua brica vermelha com hum trifoldo de ouro.”


Casa das Mouras, Rio de Moinhos
Elaborado por Vilma Cardoso


Fonte: AMPNF – Arquivo da Casa das Mouras - [Certidão pedida por Manuel Pinto Ribeiro de Castro dos primeiro, segundo, terceiro e quarto parágrafos da sua Carta de Brasão de Armas], PT/AMPNF/CMOU/MPRC/cd.12


Pode consultar a documentação online através do programa do Arquivo Municipal.

http://geadopac.cm-penafiel.pt/

Sabia que... (Igreja de São Gens de Boelhe)

Sabia que...


O local onde se encontra a Igreja Românica de S. Gens de Boelhe foi o espaço mais disputado na margem direita do rio Tâmega na reconquista e que provávelmente foi aí que Martim Peres, cavaleiro e fidalgo se notabilizou pela sua bravura de combatente, levando D. Sancho I. atribuir-lhe terras no Souto, Boelhe, Outeiro, Bairros e Tapada, tornando cavaleiro honrado, em cujas terras os cobradores do estado estavam proibidos de entrar?


Igreja Românica de S. Gens de Boelhe
Sabia que a Igreja Românica de São Gens de Boelhe pertenceu na Idade Média a Martim Peres e Família e que a quinta do Souto / quinta de Boelhe andou muitos anos emprazada (arrendada por prazos de três vidas) e funcionou muitos anos na base do princípio de morgadio?
Sabia que Boelhe teve fidalgos, cavaleiros, nobres, senhores e escravos; cuja riqueza histórica está ainda por contar?
Igreja Românica de S. Gens de Boelhe
O Bonellense João Soares

Sabia que... (Origem)

Sabia que ...


Boelhe (Foto Antiga)
... Boelhe vem de Bonelli e que Bonelli foi primeiro presor, aquele que acompanhado das autoridades régias se apropriou legalmente de terras de Boelhe, no período da presuria, povoando-a, ficando por isso a freguesia a chamar-se Bonelli, que na sua evolução etimológica deu Boelhe? Sabia que Boelhe de Bonelli é de origem fidalga e da nobreza, uma das mais antigas freguesias do Concelho de Penafiel, cujo primeiro documento escrito sobre ela, encontrado no mosteiro de Paço de Sousa, remonta ao longínquo ano de 1080, em consequência da venda de um moinho, na quinta do Souto e, referindo-se também às pesqueiras da Améla, no rio Tâmega, rio assim chamado, por nascer na serra do Larouco, junto a um lugar chamado Tamaguelos que, por isso, provavelmente,
deu origem ao nome?

Boelhe (atualmente)


continua....

O Bonellense, João Soares

Sabia que... (Genealogia)

Sabia que...


Na Casa das Mouras, a família de Columbano Pinto Ribeiro de Castro Portugal da Silveira, tinha já o hábito e a preocupação de registar os eventos familiares para memória futura das posteriores gerações? Desde a sua mudança para esta Casa em 1835, quando se casou com D. Efigénia Amália de Moura Torres, Columbano dedicou-se a reunir o maior número de informações sobre a própria família. Desde a conservação dos testamentos de todos os seus familiares paternos, passando pelo historial do Morgado de Nossa Senhora da Vela instituído por seu tetravô, Columbano continuou essa tarefa, apontando os eventos familiares que tinham lugar na sua casa.


Certidão de Carta de Brasão de Armas (PT/AMPNF/CMOU/MPRC/cd.12)

  De 1835 até aos primeiros anos da década de 1870, Columbano apontou dados sobre seu casamento e sobre o nascimento dos nove filhos que teve com D. Efigénia. Nos cinco rapazes que nasceram, deu-nos ainda as informações relativas ao percurso profissional que tomaram, desde a frequência na Universidade de Coimbra com datas de entrada e saída, a acontecimentos específicos como o ferimento de bala que seu filho Augusto sofreu ainda jovem ou o agraciar com a Comenda da Conceição do seu filho primogénito, Columbano. Os casamentos e os nascimentos de netos foram também contemplados neste documento que Columbano Portugal da Silveira nomeou de "Livro de notas neçesarias e emdespençaves à Caza". Já as informações que o próprio nos deu acerca da sua ascendência paterna, foram com certeza retiradas da cópia da "Carta de Brasão de Armas" que possuía, instituindo o título de Fidalgo Real no ano de 1741 a seu avô Manuel Pinto Ribeiro de Castro, um proprietário endinheirado, com carreira de Leis e morador na Rua das Flores.

Colleção dos Titulos (PT/AMPNF/CMOU/CPRCPS/lv.2)

  Além destes, contam-se ainda um livro intitulado "Colleção dos Titulos", onde se destaca toda a história relativa ao Morgado de Nossa Senhora da Vela, desde a instituição em 1673 por Belchior Ribeiro, passando pelos sucessivos administradores, pela 2ª instituição e consagração deste a Nossa Senhora da Vela por Manuel Pinto Ribeiro de Castro, até acabar no 5º e último administrador, Columbano Portugal da Silveira, que o herdou como único herdeiro de seu pai, o Desembargador Columbano Pinto Ribeiro de Castro. Curioso o facto de, neste livro e no "Livro de notas neçesarias e emdespençaves à Caza", possuir-se na primeira página de ambos, um verso sem autor assinado mas que se crê ser da autoria de Columbano: “Assim, apesar do tempo, da verdade para a glória, do passado para o futuro, se faz presente a memória”.

Livro de notas neçesarias e emdespençaves à Caza (PT/AMPNF/CMOU/CPRCPS/lv.8)

Estes versos juntamente com a documentação encontrada: os apontamentos pessoais relativos aos eventos familiares, aos antepassados, a preservação de documentos antigos como testamentos no Arquivo, e ainda a existência de obras de genealogia como a "Historia Genealogica da Casa Real Portugueza", na parte de Biblioteca, comprova a importância que as famílias e sobretudo a família de Columbano Pinto Ribeiro de Castro Portugal da Silveira, deu à memória, na tentativa de perpetuar as histórias e toda a linhagem à qual pertencia, aos seus descendentes. Infelizmente quase toda a família se extinguiu, passando depois a Casa das Mouras para não familiares, mas não se perdeu, vindo à luz do dia graças ao nosso estudo.


Texto elaborado por Vilma Cardoso

(Fonte: Arquivo da Casa das Mouras, PT/AMPNF/CMOU. Arquivo Municipal de Penafiel)

Sabia que... (Arquivo da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos)

Sabia que…


O Arquivo Municipal de Penafiel possui, nos seus depósitos, o arquivo da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos. Em 2002, a Câmara Municipal de Penafiel, através do seu Arquivo Municipal, elaborou um protocolo de depósito com a Junta de Freguesia, tendo toda a documentação histórica dado entrada no Arquivo.
Acervo documental do Junta de Freguesia de Rio de Moinhos
Este fundo possui documentos desde 1837 até 1986, num total de 22 livros, 7 capas, 20 cadernos, 2 plantas, 7 maços e 5 envelopes.
Primeiro livro de atas da Junta de Paróquia de Rio de Moinhos (PT/AJFRM/AL/JFRM/01/LV01) 
A documentação foi higienizada, fizeram-se pequenos restauros, foi organizada, ordenada e descrita. Em 2002, foi publicado o inventário do seu acervo documental, que pode encontrar no Arquivo Municipal. Pode, também, aceder ao mesmo, em formato digital, através do site da Câmara Municipal.
Cadastro dos indigentes
(PT/AJFRM/AL/JFRM/14/cd01)
Venha conhecer o Arquivo e fazer a história de Rio de Moinhos.

Sabia que...(D. Manuel Maria Gonçalves Zarco da Câmara)

Sabia que...


D. Manuel Maria Gonçalves Zarco da Câmara e sua esposa tiveram seis filhos, 4 filhas e dois rapazes.

Sua filha Maria Leonor Teresa da Câmara, 1.ª condessa de Pangim, nasceu em 1 de novembro de 1815 e foi baptizada 3 dias depois, no oratório da casa da residência de seu avô, o Marquês de Sabugoza, josé António de Mello da Silva César de Menezes, situada na Rua Direita do Calvário, n.º31, em Alcântara. O seu padrinho foi o Marquês de Penalva, Fernando Teles da Silva.





Ainda criança de tenra idade, foi com sua mãe e irmãs para a India onde seu pai tinha o cargo de Governador.



Brevemente daremos mais informações sobre a vida da Condessa de Pangim…



Elaborado por Sofia Fernandes



Ver: http://geadopac.cm-penafiel.pt/ (Morgado da Aveleda)

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Sabia que... (História do Arquivo da Casa das Mouras)

Sabia que…

Na vila de Rio de Moinhos, concelho de Penafiel, encontrou-se numa casa rural de grandes dimensões e sem aparente ligação à nobreza, um arquivo de volume considerável e que se revelou bastante importante para a história tanto da família que a habitou como para a história local e nacional? Trata-se do Arquivo da Casa das Mouras (PT/AMPNF/CMOU), o qual encontra-se depositado no Arquivo Municipal de Penafiel.


Aspeto geral da Casa das Mouras




Pertencente a uma família de proprietários rurais desde os finais do século XVIII, os Moura e Castro, a casa da qual não podemos apontar uma data exata de construção e que se crê ter sido alvo de acrescentos ao longo dos anos, veria em 1835, a constituição de um arquivo importante através do casamento de uma das mulheres desta família, D. Efigénia Amália de Moura Torres com um fidalgo real e morgado natural do Porto, Columbano Pinto Ribeiro de Castro Portugal da Silveira. Seria este, herdeiro único da herança de seu pai e da administração do Morgado de Nossa Senhora da Vela, que mais contribuiria para o aumentar deste arquivo e a sua conservação, trazendo toda a documentação do morgadio que administrava, assim como a documentação dos seus antepassados paternos, agregando-a aos documentos que a família de sua esposa, D. Efigénia, produzira até ali.


Sala onde se encontrava a documentação
Columbano seria ainda, o maior produtor de informação pelos anos que se seguiriam, legando-nos quase sete dezenas de documentos da sua autoria, até ao ano do seu falecimento em 1877. Este acervo, constituído por 335 documentos de arquivo e englobando ainda uma parte de biblioteca com 465 livros, ficou na posse da família de Columbano e D. Efigénia até aos anos 20 do século XX, onde, por esta altura morriam as últimas filhas da sua numerosa prole. A Casa das Mouras, cujo nome adveio de uma tradição oral que a apelidava das “Mouras” por causa da presença das mulheres da família Moura, passaria depois para as mãos de não familiares, mas conservar-se-ia até 2004, este acervo rico e surpreendente, numa das salas da casa, cujas condições não eram as ideais, mas que permitiram que sobrevivesse até ser depositado no AMPNF nesse mesmo ano.



Brevemente, mais histórias da Casa das Mouras e dos seus habitantes serão contadas. Não percam!

Sabia que...(Descendência José de Azevedo e Sousa)

Sabia que…

...pela documentação já descrita, sabemos que José de Azevedo e Sousa, fundador do Morgado de Paço de Sousa, casou-se duas vezes, mas que a relação com os seus filhos foi no mínimo instável e tudo devido a dinheiro?
Do primeiro casamento com Mariana de Jesus, teve somente dois filhos, José de Azevedo de quem nada sabemos, supondo que morreu ainda em criança e, Francisco Maria de Azevedo, que exerceu o cargo de Tesoureiro-mor da Sé do Porto. No testamento, José de Azevedo e Sousa deixa bem claro o dinheiro que este filho lhe devia, assim como se pôde comprovar nos inventários realizados posteriormente.
O segundo casamento foi com Mariana de Jesus Rocha e tiveram 5 filhos: Dona Sebastiana Máxima de Azevedo e Sousa, Dona Maria Clementina de Azevedo e Sousa, Dona Ana Benedita de Azevedo e Sousa, Dona Isabel de Azevedo e Sousa e José Joaquim de Azevedo e Sousa. 


A relação de José de Azevedo com os seus filhos não foi semelhante por todos, denotou-se uma clara preferência por Dona Sebastiana, deixando-a com um bom casamento e bens. Esta casou-se com Pedro Leite Pereira de Mello, um fidalgo da corte e com este casamento garantiu o Morgado de Paço de Sousa, pois através do Vinculo que José de Azevedo e Sousa fez, garantiu que depois dele e sua esposa Maria de Jesus, seria a sua filha, com o esposo Fidalgo, a ocupar-lhe o lugar, ficando os outros filhos, que não tinham um casamento nobre, de fora.
Quanto às outras filhas, José de Azevedo já não conseguiu arranjar-lhes esposos Fidalgos, por isso casaram com burgueses tal como era o pai. Dona Maria Clementina casou-se, contra a vontade do pai, com Cristóvão Guerner, que era deputado e autor do livro “Discurso analítico sobre o estabelecimento da Companhia Geral da Agricultura e das Vinhas do Alto Douro”, levando a que o pai a deserda-se. Já Dona Ana Benedita casou-se duas vezes, primeiro com José Teixeira Gavião Pessoa e fez segundo matrimónio com António Teixeira Vasconcelos de Queirós. Esta só poderia ter acesso à herança de seu pai se regulasse as dívidas que tinha do primeiro casamento.
Da sua filha Dona Isabel poucas informações obtêm-se, já que esta faleceu jovem e ainda solteira. Já José Joaquim Azevedo era considerado “demente” pela família e assim referido na documentação. O próprio pai pediu que este fosse interdito no tribunal, pela sua “demência”, para não cuidar dos negócios.
Vai ser no entanto na morte de José de Azevedo que se vai tentar resolver este problema familiar, pela mão de Mariana de Jesus Rocha. Esta aquando da morte de José de Azevedo, e apesar de se encontrar separada dele, quis à hora de sua morte tomar conta dele, sendo impedida pela sua filha, Dona Sebastiana e seu genro Pedro Leite, pois, segundo eles, esta não se encontrava em condições, por estar cega e surda, uma situação que deverá ter sido momentânea, tendo em conta as ações de Dona Mariana. Nesta altura, a família deveria estar completamente dividida e com o intuito de pôr fim a estas quezílias, Dona Mariana de Jesus, abdicou do seu papel enquanto cabeça de casal, assim como da sua terça parte na herança, desde que, a sua filha Dona Maria Clementina fosse inserida nas partilhas, e o seu filho José Joaquim de Azevedo fosse judicialmente representado, devido à sua condição. E foi esta a vontade que foi feita e não a de José de Azevedo e Sousa.

Sabia que... (Partituras)

Sabia que ...


Existe no Arquivo uma compilação de várias partituras com arranjos e reduções para canto e piano, e piano solo, do século XIX, proveniente da Casa das Mouras, Rio de Moinhos, Penafiel? São autores Francesco Chiarmonte, D. Adelaide Sofia de Lowenstein-Wertheim-Rosenberg, Henri Cramer, Pilodo, A. Fessy, Jules Schulhoff, H. Rosellen, A Soller, C. Bramão, Verdi, entre muitos outros.


                       

Sabia que...(Ascendência José de Azevedo e Sousa)

Sabia que…

Pela documentação já descrita sabemos que José de Azevedo e Sousa, um Tanoeiro, fundou o Morgado de Paço de Sousa. E que a sua genealogia e da sua família é bastante mais interessante do que parece? Ora vejamos…
José de Azevedo nasceu a 21 de Março de 1723, em Santa Marinha, Vila Nova de Gaia, e era filho de Cristóvão de Azevedo, tanoeiro, e natural de Souselo, Lamego, e de Inês Maria de Sousa, de Santa Marinha, Vila Nova de Gaia. Esta era a sua segunda esposa, tendo contraído matrimónio a primeira vez com Clara Correia, filha de Baltazar Pinto e de Maria Correia, dos quais não sabemos a origem. Os pais de Cristóvão de Azevedo também eram naturais de Souselo, Lamego, sendo seu pai, Manuel Gonçalves de Azevedo e sua mãe, Susana de Azevedo. Quanto aos pais de Inês Maria de Sousa, Domingos e Sebastiana de Sousa, tal como a sua filha, também eram naturais de Santa Marinha, Vila Nova de Gaia. José de Azevedo e Sousa era o filho mais novo deste casal, e tinha duas irmãs mais velhas Isabel e Ana de Azevedo. 


Imagem: Cruzeiro e Casa da Companhia, em Paço de Sousa - (Foto Antony)
Tal como o seu pai, Cristóvão, também José de Azevedo e Sousa casou-se duas vezes, curiosamente, com duas mulheres com o mesmo nome e com possíveis ligações de parentesco. Ora vejamos. Casou-se a primeira vez com Mariana de Jesus, natural de Santa Marinha, filha de Manuel Gonçalves, também de Santa Marinha e de Teresa de Jesus, de S. Mamede de Valongo. O seu segundo matrimónio foi com Mariana de Jesus Rocha, também de Santa Marinha, filha de Bartolomeu da Rocha de S. Paio de Oleiros e de Helena de Jesus, também de S. Mamede Valongo. Como se pode verificar as mães das Marianas além de terem o mesmo sobrenome, Jesus, também são da mesma localidade, S. Mamede de Valongo, logo existe uma grande probabilidade e ainda a considerar de um grau de parentesco entre ambas.
Do primeiro matrimónio, José de Azevedo e Sousa teve dois filhos, José de Azevedo, do qual só temos a data de nascimento e nunca é referido na documentação, o que nos leva a supor que possa ter morrido ainda em criança. Teve ainda Francisco Maria de Azevedo que foi Tesoureiro-Mor da Sé do Porto.
Dois anos após o nascimento deste nasce Dona Ana Beneditina de Azevedo e Sousa, primeira filha do segundo casamento. Esta casou-se duas vezes, primeiro, com José Teixeira Gavião Pessoa e depois com António Teixeira Vasconcelos Queirós. O segundo filho, deste casamento, é considerado pela família “demente”, José Joaquim de Azevedo e Sousa, e a própria documentação o prova. Seguidamente nasce Dona Sebastiana de Azevedo e Sousa, a filha que recebe o Morgado de Paço de Sousa, tornando-se a Primeira Senhora deste, juntamente com o seu marido, o fidalgo Pedro Leite Pereira de Mello. É deste casamento que segue a descendência que irá originar a família desta Casa. Temos ainda Dona Maria Clementina de Azevedo e Sousa que se irá casar, contra a vontade de seu pai, com Cristóvão Guerner, também este membro da Companhia dos Vinhos Alto Douro. Temos por fim Dona Isabel de Azevedo e Sousa de quem não temos muitas informações, sabendo apenas que faleceu solteira.
Como se pode verificar José de Azevedo e Sousa teve uma vida familiar, um tanto ou nada agitada, e ainda faltam contar uma série de pormenores acerca deste ilustre senhor, que faleceu a 3 de dezembro de 1788.