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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Procissão do Corpo de Deus

Uma das procissões mais importantes, levada a cabo pela confraria do Santíssimo Sacramento, era a procissão do Corpo de Deus. Esta era a festa grande da cidade e do concelho, com uma existência secular. Não se sabe ao certo quando foi iniciada. António de Almeida teria colocado duas hipóteses, ou aquando da instituição da confraria do Santíssimo Sacramento, na capela do Espírito Santo, em 1540, ou na altura da mudança de paróquia de São Martinho de Moazares para a nova igreja matriz, em 1659. Por sua vez, Simão Ferreira, data-a da união das três paróquias, com a instalação do Lausperene na nova igreja. Em 1676, em capítulo de correição, já se referia que a mesma se deveria fazer segundo o costume antigo.


A procissão saía da igreja matriz, no adro da mesma encontrava-se à sua espera a Serpe com o seu juiz. Atrás, seguiam uns pretos vestidos de chocalheiros de serapilheira que tinham como função arrumar o povo para a mesma passar. Composta por vários bailes, que representavam os vários ofícios da cidade, a dança dos moleiros, dos pauzinhos, da retorta, dos ferreiros, dos turcos, do ermitão, entre outras.Para além destes, o estado de São Jorge com os seus cavalos, o carro dos Anjos com a figura de Penafiel, as cruzes das freguesias vizinhas, todas as confrarias e ordens da cidade, seguidas do clero, câmara e, por fim, o pálio com o Santíssimo Sacramento e a tropa que havia na cidade. A festa contava, ainda, com tourada.
            
Esta procissão demorava largos meses a preparar e competia ao senado da câmara nomear os vários representantes dos ofícios, bem como, verificar se as danças estavam conformes. A sua realização estava bem regulamentada e, como refere Teresa Soeiro, mereceu vários capítulos das correições seiscentistas.
                          
Nela estavam representadas todas as categorias sociais da localidade, os diversos ofícios, sendo que a nobreza e os mercadores acompanhavam com as suas tochas. Momento alto da vida de Penafiel representava um papel importante, quer pela visibilidade que assumia, quer pela confraternização que proporcionava. As nomeações do senado para os portadores das varas do pálio, das navetas e das lanternas eram sempre muito aguardadas. Quanto mais prestigiante era o lugar, mais prestigiado era quem o ocupava.
O mais antigo documento sobre a mesma, ainda existente, encontra-se no arquivo municipal de Penafiel e é o tombo das festas de Corpo de Deus, de 1657.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Exposição de Fotografia

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA
"Visões de Penafiel pelas lentes dos fotógrafos António Guimarães e Miguel Ferri"
23 de maio
15h30m
Arquivo Municipal de Penafiel
             

terça-feira, 17 de maio de 2016

Sabia que... (O cirurgião)

O CIRURGIÃO
O nome grego original de cirurgia agrupava todos os trabalhos efetuados em medicina, manualmente ou utilizando instrumentos, com vista à realização de operações internas ou externas, ou seja, tudo que envolvesse o mexer no corpo humano e que lidasse com derramamento de sangue. Até ao século XII, os médicos eram, também, cirurgiões, mas após essa data, as profissões separaram-se, ficando o médico com a análise das doenças e o cirurgião com as intervenções cirúrgicas. Desta forma, desde a Idade Média até ao século XIX, os cirurgiões, porque trabalhavam com as mãos, eram considerados em termos de escalão social abaixo dos médicos.                            
A sua profissão não exigia uma aprendizagem muito morosa, o que levava a que os seus serviços fossem menos onerosos e a que os hospitais e a população recorressem a estes profissionais de saúde mais frequentemente do que aos médicos. Como referem alguns autores, o seu domínio exercia-se no curativo de feridas, fraturas e luxações. Executavam, ainda, sangrias, extraiam tumores, colocavam ventosas, abriam abcessos e operavam hérnias. As fronteiras de atividade entre físicos e cirurgiões estavam bem estabelecidas desde o século XVII, pelo regimento do físico-mor do reino. 
O médico detentor do saber teórico, leitor de compêndios, observador de enfermidades externas e sintomas, deveria evitar o contacto com o sangue e os corpos. O cirurgião e o barbeiro-sangrador recorriam ao seu trabalho manual para limpar, cortar, sarar, extrair tumores, feridas e hérnias.
           

Só a partir dos finais do século XVIII e inícios do século XIX, a profissão de cirurgião começou a ser valorizada, aproximando-se da de medicina e os barbeiros-sangradores começaram a ser colocados de lado, em prol dos cirurgiões.
Até ao final do século XVIII, a formação dos cirurgiões era, essencialmente prática, exercendo numa primeira fase, como aprendizes com profissionais mais experientes, ou tendo lições no hospital real de Todos os Santos.
Ao longo do século XIX, o advento da anestesia e da assepsia contribuíram muito para que se acentuasse a importância da cirurgia. Como referiu Lycurgo Santos Filho, a cirurgia transformou-se num dos mais importantes ramos da Medicina, passando de essencialmente mutiladora a restauradora e conservadora. A anestesia e os conceitos de assepsia tornaram a profissão mais limpa e menos violenta e violentadora, evitando os gritos dos pacientes e o uso de força para segurar o enfermo que se operava.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Bonifácio da Cruz: Barbeiro-sangador


A necessidade de privar com um barbeiro-sangrador, levou a misericórdia, em maio de 1699, a aceitar como irmão de menor condição, Bonifácio da Cruz. No seu registo de aceitação, o escrivão da santa casa explicitou o motivo que os levou a aceitarem o barbeiro-sangrador. Bonifácio era oficial mestre barbeiro e sangrador, possuía tenda própria e seria de muito préstimo para os pobres que se curavam no hospital, bem como, para os pobres do rol, que se tratavam em suas casas. A sua admissão a irmão foi aprovada por unanimidade, mas com condições. 


A profissão de barbeiro-sangrador era considerada mecânica e causava uma certa repugnância aos estratos sociais mais elevados, pelo facto de contactarem com o sangue e humores corporais dos outros. 

Trazer este indivíduo para o meio dos nobres, clérigos, doutores, mercadores e donos de tendas de ofícios considerados mais dignificantes, como os violeiros, alfaiates, espingardeiros, tinha um objetivo bem preciso. A condição apontada pela misericórdia era que o mesmo acudisse ao hospital ou aos pobres do rol sempre que os serventes da casa o chamassem. 
            
Bonifácio da Cruz comprometia-se, assim, a trabalhar gratuitamente para a irmandade, que já não teria que pagar a um sangrador externo pelos serviços. O referido barbeiro-sangrador passava a fazer parte da mais importante e prestigiada confraria da localidade e relacionar-se-ia com a elite penafidelense. Ao servir gratuitamente os mais pobres, o barbeiro estava, por um lado a exercer uma atividade misericordiosa, a ser um benfeitor e esta atitude aligeiraria as suas penas, quando chegada a hora da morte e tivesse que responder perante Deus. Para além disso, estava a prestar um serviço gratuito a uma irmandade conceituada, que haveria de não esquecer os seus préstimos e numa altura de aflição podia valer-lhe. Por outro lado, conhecia mais pessoas, muitas abonadas que, quando necessitassem de sangrias, a ele haveriam de recorrer.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

No Arquivo com... (Dra. Teresa Araújo)


No passado sábado, o lançamento do livro de Teresa Araújo...
Para quem não pode estar presente, mas pretende adquirir o livro, o mesmo está disponível, durante os próximos 15 dias na papelaria Reis, em Penafiel, sendo o seu custo, durante este período de 12 euros.
            
            
            

Concelho de Unhão

O arquivo municipal de Penafiel colocou o fundo documental do Concelho de Unhão, constituído por um livro de notas do tabelião João Coelho da Silva, o novo, on-line, no seu programa Gead. O referido livro de 1768 a 1769, possui várias escrituras de aforamentos, arrendamentos, procurações, dinheiro a juros, compras e vendas, elaborados por vários indivíduos do antigo concelho de Unhão, mas, também, de Felgueiras e Celorico de Basto. 
           
Este documento poderá ser bastante útil para estudos genealógicos, bem como para quem pretender conhecer melhor o concelho de Unhão, a população, a sua atividade económica, bem como várias instituições. Ressalva-se aqui a existência da irmandade de Nossa Senhora da Guia da Pedra Maria que emprestava dinheiro a juro, podendo este livro de notas trazer alguns dados sobre a mesma. Para facilitar a pesquisa o Arquivo Municipal colocou na zona do sumário do documento, todos os títulos de escrituras, bem como os seus intervenientes, permitindo, desta forma, agilizar a pesquisa dos utentes.
           

Sabia que... Condessa de Pagim

Sabia que...

Vários documentos referentes aos pais de Dona Joana Maria da Câmara e sua irmã, a Condessa de Pangim, encontram-se disponíveis no programa GEAD, no sistema Morgado da Aveleda. Graças a estes podemos saber que...
Dona Joana Isabel Maria da Câmara, filha de D. Manuel Maria Gonçalves Zarco da Câmara e de Dona Maria Teresa José de Jesus de Melo, era irmã da Condessa de Pangim. Esta senhora nasceu em 29 de junho de 1820 e foi baptizada no oratório do palácio de seu avô paterno, Luís António José Maria da Câmara, 6.º Conde da Ribeira Grande e 2.º Marquês de Sabugosa. O batizado foi realizado pelo reverendo padre Francisco José Correia, pregador régio, em 2 de julho desse ano. Dona Joana viria a falecer em 14 de janeiro de 1884, com 63 anos de idade.
                                                                                                                       
Foi nomeada pelo mordomo-mor do rei, Dona do Paço em 13 de abril de 1832 e em 1872 recolheu-se, juntamente com sua irmã D. Francisca no Real Mosteiro da Encarnação, em Lisboa.
          
                  Palácio dos Marqueses e Condes da Ribeira Grande


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

No Arquivo com... apresentação do livro " Moçambique na I Guerra Mundial: Diário de um alferes-médico, Joaquim Alves Correia de Araújo. 1917-1918"

Lembramos os nossos amigos que no próximo sábado, dia 20, pelas 15 horas será apresentada, no Arquivo Municipal de Penafiel, a obra " Moçambique na I Guerra Mundial: Diário de um alferes-médico, Joaquim Alves Correia de Araújo. 1917-1918", da autoria de Teresa Araújo. A autora Dr. Teresa Araújo é diretora do arquivo municipal da Póvoa do Varzim e sobrinha-neta do protagonista da obra. O referido diário conta a história do alferes médico que integrou o famoso contingente de infantaria 31 do Porto, praticamente, dizimado pelo clima, pela doença, nomeadamente, pela malária em Mocímboa da Praia.
A publicação contou com o apoio da Comissão de História Militar e a introdução da obra foi da responsabilidade da Professora Doutora Fernanda Rollo, da Universidade Nova de Lisboa, atual Secretária de Estado da Ciência e Ensino Superior.
No referido diário, Joaquim Alves Correia de Araújo, relatou os 19 meses mais intensos da sua vida e, talvez, os mais duros, desde a manhã do dia 23 de Abril de 1917 em que saiu de Famalicão para integrar o famoso contingente de infantaria 31 do Porto, deslocando-se para Mocímboa da Praia.
O Presidente da Comissão de História Militar, General Alexandre Sousa Pinto, no prefácio da obra, referiu que se existe muita informação, no que diz respeito, à guerra em França, já no que concerne à frente africana, nomeadamente, Moçambique, a informação é escassa, pelo que considera este diário "um achado".
Numa altura em que se comemora o centenário da I Grande Guerra, a associação de amigos do arquivo municipal de Penafiel, não podia deixar de se associar a este aniversário.

         

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Morgado da Aveleda: Amores de outros tempos


E porque este domingo se festeja o dia dos namorados, que tal conhecermos algumas histórias de amores de outros tempos. Se bem que os casamentos fossem consertados pelos pais, evitando que os jovens cedessem a tentações amorosas e casassem abaixo da sua condição social, por vezes, o amor falava mais alto.
                         
No sistema documental do Morgado da Aveleda, já disponível on-line, o documento intitulado "Ilustração às àrvores de Costado de D. Tibisco", PT/CACQA/MA/C/O/cd.09, demonstra alguns casamentos e paixões proibidas, das quais transcrevemos aqui, apenas alguns casos:

"Francisco Luís de Barros e Vasconcelos casou com huma comedianta castilhana, que representava em Lisboa em huma companhia chamada a Pacheca";
"O Conde de São Miguel Francisco Botelho depois de veuvo da primeira mulher teve amores com Ignez de Almeida, filha de Manoel Castanho, Físico mor e apontador dos Mossos Fidalgos, e de sua mulher Ignez de Almeida; e com promessas de casamento teve a D. Nuno Alves Botelho";
"Cristovão de Sousa (...) casou a furto com D. Maria Victoria de Távora, filha de D. António da Silveira";
"António Carneiro que foi criado de pedro de Alcassova, secretario de estado D'El Rei D. Afonso 5.º e lhe levava o saco, e lhe emprenhou a sua filha D.ª Beatriz da Alcassova de que o dito Pedro de Alcassova pedio castigo pela aleivozia e foi degradado por El Rei D. João 2.º (...) e sempre cazou com ella"; 

" Cristovãoda Costa Coutinho, chamado o Mequinéz, casou por amores com D. Juliana de Noronha, filha de Manoel de Sousa Tavares contra a vontade dos parentes da noiva. Esta D. Juliana de Noronha procedeu mal depois de veuva";

"Jeronimo Lobo Saldanha (...) casou contra a vontade de seus pais com D. Maria da Silva";
"Fernão de Mesquita Pimentel, senhor do morgado de S. Mansos casou com uma amiga de quem teve filhos";
"Rui dias Pereira de Lacerda, morgado de Baleizão, teve huma filha erdeira que casou contra vontade dos seus parentes";
"Casou este, Antonio da Saldanha muito mal com huma sua amiga".

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Honra de Barbosa

A partir de hoje, todos os que estiverem interessados podem aceder à documentação do sistema da Honra de Barbosa, que se encontram no Arquivo Municipal, através do nosso programa Gead, onde estão descritos e on-line.
            
Tratam-se de dois livros. Um do Registo Geral da Honra. Este livro balizado entre finais do século XVIII e inícios do século XIX, possui as várias cartas régias remetidas à Honra. Para facilitar a pesquisa o Arquivo Municipal no sumário do documento colocou o título e data de todas as cartas e ofícios registados. O outro livro diz respeito ao lançamento da décima da Honra. Neste o superintendente da Honra de Barbosa, Dr. Alexandre Coelho de Sousa e Sá, juntamente com os informadores procederam ao lançamento da décima para os anos de 1833 e 1834. O sumário também se encontra muito completo permitindo desta forma conhecer quem eram os louvados, e os maiores e menores contribuintes. 

Boas pesquisas...
               

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Documentação online


Na senda do que já havíamos comunicado ontem, os amigos do arquivo, vão continuar a divulgar alguns documentos presentes nos arquivos municipais que podem ser úteis para os amantes de genealogia, que pretendem saber mais sobre os seus antepassados.

Assim, lembramos a importância dos registos de testamentos, geralmente, presentes no Fundo da Administração do Concelho. Estes documentos permitem conhecer, relativamente bem o indivíduo que o elaborou. Neles estão patentes os bens que possuía, o local onde vivia, os motivos que o levaram a redigir o seu testamento, as confrarias e irmandades a que pertencia, o local e a forma como pretendia ser sepultado, os santos de que era fiel devoto, a sua família, os seus criados, os bens que deixava. Engana-se quem pensa que estes testemunhos de última vontade só eram realizados pelos mais ricos e que, portanto, não valerá a pena procurar testamentos de seus antepassados. São inúmeros os testamentos de pessoas que pouco tem de seu, mas que redigem este documento, por vezes, para legar um pequeno tear, ou uma corte de porquinhos, deixando, também, várias dividas. 
Da administração do concelho de Penafiel, o arquivo municipal possui livros de registo de testamentos de 1835-1937. Bem como, livros de registo dos autos de abertura e publicação de testamentos desde 1895 a 1935.
Pertencentes ao fundo da Câmara Municipal, o arquivo municipal possui testamentos desde 1814-1834.

                         
Na próxima semana, o arquivo municipal colocará disponível no programa Gead, 81 livros da série de registos de testamentos, do fundo da administração do concelho, que balizam entre 24 de janeiro de 1835 e 14 de dezembro de 1909, que já possui descritos a nível de livro. Destes, o livro 1, já está digitalizado e, também, ficará as ditos imagens disponíveis on-line. O livro 1 e 2 estão descritos no programa a nível de documento, o que, pensamos, facilitará a pesquisa aos utentes, pois possuem o nome do testador e um sumário do testamento.

                           
Para além dos testamentos de Penafiel, o arquivo municipal, também, possui dois livros de registos de testamentos de Vila Boa de Quires, que, como anunciamos há dias, estão disponíveis on-line.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Sabia que... A presença dos frades Capuchos no hospital da Misericórdia

Sabia que...


A presença dos frades Capuchos no Hospital da Misericórdia
              
Os frades Capuchos, em 14 de dezembro de 1664, após terem saído da Quinta das Lages e tendo já iniciado a construção do seu mosteiro nos arrabaldes de Arrifana de Sousa, viram-se na necessidade de solicitarem à Santa Casa licença para se instalarem no hospital, uma vez que, Francisco Álvares da Rocha já lhes tinha cedido as suas casas contíguas a este edifício, mas estas não eram suficientes para albergarem os frades. Os irmãos da Mesa e da Junta, considerando as razões evocadas pelos clérigos e "alegando o serviço que podem fazer a Nosso Senhor no bem das almas deste povo", cederam-lhes as casas do hospital e do servente, para fazerem o seu hospício, até que o mosteiro estivesse pronto para os acomodar.

Sabia que... A alimentação das elites até ao século XVIII

Sabia que...

A alimentação das elites até ao século XVIII
Os médicos e dietistas da Idade Moderna em imensos tratados advertiam para a importância de boas práticas alimentares, assinalando a importância do valor nutritivo de certos alimentos. A maneira de cozinhar, condimentar e de comer certos produtos era, deveras, difundida de forma a preservar a saúde dos indivíduos. Na pirâmide nutricional, o pão, o vinho e a carne tinham um papel preponderante.
A alimentação dos mais ricos, excessivamente rica em carnes, levava a que estes sofressem de excesso de proteínas e de pouca fibra, o que conduzia à incidência de doenças como a “gota”, neste grupo social. 
No entanto, em Penafiel, segundo o médico António de Almeida, a “gota” não constituiu um problema. Como o próprio mencionou, “a gota neste paíz é pouco vulgar e dentro da cidade de Penafiel, não há nenhum doente de gota, propriamente dito”. Contudo, existiram outros tipos de doenças que assolavam indivíduos que cometiam excessos alimentares. O referido clinico dava o exemplo do padre José da Costa Grelho, de 55 anos, de “temperamento sanguíneo, alimentado grosseiramente e entregue a excessos de comidas de serrabulhos a que é convidado, sujeito a emorroidas”.
                               

Assim, a nobreza, o clero superior e a alta burguesia, eram afetados por diversos tipos de doenças relacionados com excessivo consumo de alimentos muito cozinhados, gordurosos e energéticos, mas desequilibrados em nutrientes essenciais. Destacava-se a gota, como já mencionamos, a arteriosclerose, a litíase, as doenças digestivas, a diabetes e as doenças renais. 
                                
Veja-se a correspondência de D.ª Constança da Silva Guedes para o sobrinho Manuel Guedes da Silva da Fonseca, já nos finais do século XIX, em que a referida senhora alerta para os excessos e realça a virtude dos caldos.

Documentos: Fundo do Morgado da Aveleda

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

No Arquivo com... (Maria José Pereira)


Realizou-se no passado dia 12 de dezembro de 2015, no Arquivo Municipal de Penafiel, mais uma conferência No Arquivo com, desta vez apresentada por Maria José Pereira, intitulada "Gentes de cá..: o estudo da Casa Comercial FotoAntony".

         
         

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Foto Antony: Vindimas

Vindimas...
E como setembro é, por excelência, o mês das vindimas, aqui ficam algumas imagens...
          
         
         
Fotografias - FotoAntony
Reportagem n.º 1602 "Vindima no Campo" 
Data: 19-10-1962

Foto Antony: A VENDA DE "CORROPIOS" DE PAPEL

Duas presenças obrigatórias nas festas e romarias do concelho...
               
José Ribeiro - "O homem dos corropios de papel"
Data: 01/07/1962
Reportagem n.º 1523
                   

Maria Conceição de Sousa - "A mulher dos corropios de papel"
Data: 13/06/1963 
Reportagem n.º 1741

Fotografias do espólio FotoAntony
*Cf. GUIMARÃES, António – Figuras Típicas de Penafiel: António Guimarães (Antony).Penafiel: Câmara Municipal de Penafiel, Biblioteca Museu.1991. p. 57-58; 131-132.

Foto Antony: «Se Joana»

«Se Joana»...
... dos frangos, dos presuntos, dos salpicões, dos ovos... dependia do negócio.
                           
Imagem do fundo FotoAntony, reportagem n.º 1202 (Feira de São Bartolomeu), data 24/08/1960.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

No Arquivo com... (Dra. Vilma Cardoso)



No Arquivo com... Dr.ª Vilma Cardoso


OS ÓRFÃOS E OS EXPOSTOS DE PENAFIEL (1872-1902)

                          

Presente ao longo da História do Homem, esta exposição de crianças sempre consistiu num problema social que se tentou resolver. Bondade de estranhos, hospitais de expostos, Casa da Roda, foram vários os meios que se usaram para a proteção destas crianças expostas. Sob o véu do anonimato durante os anos de funcionamento da Casa da Roda e posteriormente através de uma admissão controlada com os... Hospícios dos Expostos, os contornos sobre a vida destas crianças foram estudados para o caso de Penafiel, através da descrição de dois documentos pertencentes à série Registo de guias passadas para o hospício dos expostos, do Fundo da Administração do Concelho de Penafiel, entre os anos de 1872 e 1902. Quem eram estas crianças? Qual a relação de masculinidade entre os abandonos? De onde vinham e quem as levava ao hospício? Quais as razões para a exposição também de crianças com pais conhecidos e já com alguma idade e sobretudo, o que eram e o que tentaram transmitir muitas vezes os sinais que as acompanhavam, foram algumas das questões levantadas ao longo da comunicação Os órfãos e expostos de Penafiel (1872-1902).




terça-feira, 14 de abril de 2015

Lançamento do Livro "Arquivos de Família: memórias habitadas

No passado sábado, dia 11 de abril, pelas 15.00 horas, na Quinta da Aveleda, foi lançado o livro “Arquivos de família: Memórias habitadas. Guia para salvaguarda e estudo de um património em risco”. Este é mais um produto do trabalho desenvolvido no IEM (Instituto de Estudos Medievais) sobre arquivos de família.
Especificamente destinado aos proprietários deste tipo de arquivo, pretende-se com ele colmatar um vazio, por todos sentido. Ao contrário do que se sucede noutros países como Espanha, França, Itália ou Inglaterra, estava ainda por produzir em Portugal um manual destinado aos possuidores de arquivos que, não tendo necessariamente formação especializada na área, pudessem servir-se dele para melhor compreender, utilizar e preservar o seu património documental. Tomando por inspiração os exemplos internacionais e atendendo às especificidades do contexto português, desenhou-se o presente “Guia” com a contribuição de arquivistas, historiadores e profissionais do restauro e preservação, com o intuito não só de abarcar um leque abrangente de matérias relativas a uma tipologia específica de arquivos mas também, e sobretudo, de procurar responder às necessidades e preocupações que ao longo dos últimos anos nos têm sido expressas pelos proprietários privados. Nascendo de um contexto de investigação e estudo, o Guia representa uma voluntária e muito desejada ligação à sociedade, baseada na convicção da importância do impacto social da ciência.

Esta edição foi coordenada pela Professora Maria de Lurdes Rosa, docente do Departamento de História da FCSH-UNL e membro do IEM e pela Dra. Rita Sampaio da Nóvoa, bolseira de Doutoramento da FCT em História/Arquivística Histórica (FCSH-UNL/Univ. Paris 1 Panthéon-Sorbonne) e membro do IEM. 

Sendo uma publicação com vários capítulos, contou, ainda, com a participação de Margarida Leme, doutoranda em Arquivística Histórica na FCSHL e membro do IEM; Inês Correia, conservadora-restauradora sénior de documentos gráficos, aguarda defesa de provas de doutoramento pelo Departamento de História de Arte da FCSH-UNL e membro do IEM; Sofia Fernandes, responsável pelo Arquivo Municipal de Penafiel, doutoranda em História Moderna, na Universidade do Minho e membro do CITCEM e Maria João da Câmara Andrade e Sousa, doutoranda em Arquivística Histórica na FCSHL e investigadora do Centro de História de Aquém e Além Mar.

Álbum de fotografias disponível na página do Facebook dos Amigos do Arquivo de Penafiel. CLIQUE AQUI

quarta-feira, 18 de março de 2015

No Arquivo com... (Dra. Sofia Fernandes)

No Arquivo com...
Irá realizar-se no próximo dia 28 de Março, no Arquivo Municipal de Penafiel, pelas 15 horas, mais uma conferência denominada: "A procissão das Endoenças na Misericórdia de Penafiel: congregadora da devoção popular, imagem da irmandade e geradora de conflitos", que será apresentada pela Dr.ª Sofia Fernandes. Contamos com a vossa presença.